domingo, 11 de novembro de 2018

Ditadura brasileira foi branda e universitários brasileiros são analfabetos

Por André,

Achou que foi o Olavo de Carvalho que disse esses "impropérios", né? Não, não. Foram duas vacas sagradas do esquerdismo acadêmico:


Safatle:

"A ditadura militar brasileira não foi uma ditadura do assassinato: foi uma ditadura dos processos jurídicos. Você vê o número de assassinatos e desaparecimentos, e fala 'Ah, foi uma ditadura branda'. Foram 500 desaparecidos, enquanto na Argentina foram 30 mil. Só que isso foi compensado pelo desenvolvimento de um aparato jurídico que só nos primeiros anos já tinha 30 mil processos. A lógica era: você paralisa as pessoas jogando processo atrás de processo."


VLADIMIR SAFATLE, professor universitário (USP) e filósofo de esquerda (https://bit.ly/2QyU2VP).


José Paulo Netto:


"Temos, no Brasil, alunos que chegam semianalfabetos ao mestrado e saem do doutorado analfabetos especializados".


JOSÉ PAULO NETTO, professor universitário e intelectual da tradição marxista (https://youtu.be/2WndNoqRiq8).

sábado, 10 de novembro de 2018

Entrevista sobre eleições

Por André,



Tive a oportunidade de conceder entrevista a alguns amigos, estudantes de jornalismo da FMU, sobre as eleições que se passaram. A entrevista foi em vídeo, mas fiz um esboço das respostas, que são levemente diferentes das que aparecerão no vídeo (a ser divulgado no momento oportuno).

Seguem as respostas:

Onde está localizada e o que significa essa renovação no espectro político?

            Essa renovação está atrelada ao cansaço da dualidade entre esquerda trabalhista (PT) e esquerda democrática (PSDB). As pessoas tiveram boas doses de ambas e decidiram rejeitá-las. As demais tonalidades também eram todas vermelhas. O espectro ganhou representantes efetivamente à direita e as pessoas preferiram esse.

            O eleitor-padrão brasileiro é personalista, grande parte dos deputados do PSL foram eleitos a partir da associação com a figura de Bolsonaro – embora essa eleição tenha sido bastante ideológica para os padrões brasileiros.

            Após 3 décadas de democracia, as pessoas também já se saturaram da política tradicional, dos representantes distantes das pautas populares.


Quais influências/motivos (políticos e culturais) possibilitaram que ela acontecesse?

            Olavo de Carvalho e a abertura dos caminhos para a presença do pensamento conservador.

            O abismo entre classes falantes e povo (populismo/soberania popular).

            O cansaço com a realidade imposta pelo estamento político, bem como sua falta de representatividade real.

            As redes sociais e descentralização da informação.


Se havia uma revolta contra a velha política, por que todo analista da grande mídia tratou o resultado das eleições como algo imprevisto? E tal falta de governabilidade?

            Porque a grande mídia faz parte do consórcio da velha política. A manutenção dos mesmos no poder é a manutenção de alguma posição de privilégio, respeito, além, é claro, das verbas de publicidade.

            Os grandes analistas fazem parte das elites falantes que perderam o contato com o povo.

            Há também o wishful thinking, muitos simplesmente torciam contra Jair Bolsonaro e esperavam que sua torcida virasse realidade como mágica.


No que corroborou nisso tudo a figura de Jair Bolsonaro? Qual o papel que ele tomou pra si?

            Bolsonaro conseguiu condensar em sua figura boa parte das demandas mais básicas do “little guy” (homem comum) que fala Steve Bannon: segurança, impostos, emprego etc. Por oposição às pautas “progressistas” da elite falante (banheiro trans, ascensão do “fascismo”.

            O representante da “dona Regina” ganharia a eleição.         


O que essas mudanças no cenário político sinalizam para o futuro?

            Sobre o presente elas sinalizam com clareza o que as pessoas realmente querem, a guinada de Haddad no segundo turno prova isso.

            Para o futuro dizem que provavelmente a esquerda fará alguma revisão estratégica e se separará do PT.

            Bolsonaro tem a faca e o queijo na mão para colocar o Brasil numa rota em que nunca esteve. Caso consiga, pode pavimentar o caminho para sua reeleição e solidificar a existência da direita no espectro político.


Pequena participaçao na versao oficial:


quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Hangout sobre Saul Alinsky e guerra cultural

Por André,

Minha participação no canal do amigo Alexandre Costa sobre meu livro acerca de Saul Alinsky, militância, guerra política e cultural etc.:

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Debate sobre a crise de refugiados

Por André,



Encontrei por acaso esse debate da rede Munk Debate e os panelistas Nigel Farage e Mark Steyn deram um show nos oponentes.

O tema segue atual.

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Histeria e 1964

Por André,



Todo evento histórico marcante e determinante para o curso da História precisa ser lido, estudado, discutido e registrado. O movimento de 64 não fica de fora.

Mas é hora de superar sua supervalorização.

A coisa serviu por anos de justificativa para abafar a ascensão de qualquer direitismo no Brasil. Liberais — alguns de bumbum sedendo por sinalização de virtude — foram constantemente acusados de “entusiastas da ditadura” apenas porque representaram algum movimento de não-esquerda na política brasileira após a redemocratização.

Para a esquerda (e por muito tempo isso foi sinônimo de todo mundo com alguma voz no debate público), toda direita, é claro, é entusiasta do militarismo, saudosa da autoridade, lambe-bota de milico.

1964 acabou.

O experimento autoritário perigoso, vivo, que cresceu sob a tutela ideológica e o financiamento do dinheiro brasileiro e que merece nossa atenção é o venezuelado. O socialismo do século XXI, aquele que finalmente ia “dar certo”, se converteu em tudo aquilo que o socialismo sempre se converte: miséria, escassez, aniquilamento das liberdades civis — em suma, ditadura.

Aqui do lado, vivinha, ao vivo e a cores.

“Ah, mas o Brasil não iria virar Venezuela”. Mesmo que fosse verdade, não importaria, a Venezuela virou Venezuela por “nossa” culpa, o Brasil não cumpriu seu papel soberano na região e deixou que um regime autoritário se instalasse no nosso país vizinho. Além de já ser História, é também presente.

O temor da “ditadura” é histeria, é medo oriundo da crença louca no que se fala e não no real.

Chegou a hora do Itamaraty assumir seu papel e agir para o fim da única ditadura que se deve ter medo em 2018.

sábado, 13 de outubro de 2018

Corrupção do PT quando "tudo isso aqui era mato"

Por André,

Acho que todos concordam que o pecador hipócrita é pior que o pecador (aliás, pessoas à esquerda devem ser as que mais concordam com isso, pois adoram dizer que o "cidadão de bem" é hipócrita, que o crente que vai na igreja e faz fofoca é hipócrita etc.).

Vejo muita molecada usando o argumento do "não é só o PT que é corrupto", "X fulanos ou partidos são mais corruptos etc.". É coisa de quem é vítima da doença do cronocentrismo, acha que a realidade pipocou à existência quando o floquinho de neve veio ao mundo.

Só que não.

Eu tô nessa desde que o PT era oposição. Eu tô nessa desde um dos primeiros escândalos de corrupção do PT quando se tornou governo, ainda bem antes do mensalão.

Na política brasileira das últimas três décadas, o PT é o crente que não sai da igreja e quando sai faz fofoca dos outros.

Mesmo que a corrupção do PT fosse igual à dos outros (o que não é o caso, o PT é responsável pela instalação da corrupção sistemática e dos maiores montantes de dinheiro corrompido da História), eu ainda continuaria preferindo a corrupção "dos outros" do que a corrupção do PT.

Quando tudo isso aqui era mato os petistas eram os fariseus da política. Era o partido da ética. O partido que seria e faria diferente; eram os Torquemadas da moralidade pública.

Por isso que se tivesse que escolher entre um corrupto "raiz" (Maluf, p. ex.) e a corrupção metódica e revolucionária do PT, escolho a primeira sem sofrimento de consciência. Exatamente como diferenciamos o sujeito que esconde uns quilinhos do peso daquele que mente compulsoriamente.

terça-feira, 9 de outubro de 2018

Eleições: tem que ter SKIN IN THE GAME!

Por André (no Facebook),


Sobre o desafio público que mencionei hoje de manhã (e após 16 auto-abates da minha lista), segue:

Caso eu tenha tempo, detalharei melhor minha escolha num texto mais longo a ser publicado no Medium. Do contrário, basta isso aqui.

Como diz o antifragilista Nassim Nicholas Taleb, é preciso que nossas atitudes e escolhas tenham "skin in the game" - pele em jogo. Do contrário é moleza, é brincadeira de criança, é hipocrisia.

Você pode votar em quem quiser, desfazer a "amizade" com quem quiser, deixar de falar com a pessoa que paga suas contas o quanto quiser (justamente porque sua posição é antifrágil, você sabe que se bater ou afagar, seus pais vão continuar pagando suas contas, sua pele não está em risco), se esconder atrás da tela do seu celular ou computador, eu quero ver se acredita no que diz acreditar a ponto de por a cara a tapa.

Pois bem, eu ponho a minha, de forma que lanço meu desafio público:

Eu defendo minhas ideias e você defende as suas (não é defesa de ideologia, de candidato ou de candidatura, é defesa de posicionamento, de quem você é). Espírito democrático total.

Só tem uma condição, tem que ser publicamente, por meio de um vídeo a ser eternizado pela internet e acessado por qualquer um.

Se os dois mostrarem seus pontos razoavelmente, todos ganham. Se um dos dois passar vergonha, você (ou eu) prova seu ponto e, como nossas peles estarão em risco, arrastamos nossas reputações ladeira a baixo.

É isso.

domingo, 30 de setembro de 2018

Tribunais raciais avançam no Brasil e confirmam previsão minha

Por André,

Depois da famigerada tabela do Instituto Federal do Pará para definir quem é negro e quem não é:


Vem aí, promovido pela Universidade Federal do ABC, um curso preparatório para inquisidor de tribunal racial:




Em 2013 eu escrevi um texto prevendo o colapso da política de cotas (link no final) porque ela se baseava em autodeclaração, cada um se autodeclararia o que quiser e, por conseguinte, gente que não faz parte do grupo em questão se beneficiaria da ação ao se autodeclarar pertencente ao grupo beneficiado, inchando o número de beneficiários e anulando qualquer efeito razoável da medida.

Na minha impressão estava implícito que os responsáveis não teriam coragem de estabelecer tribunais raciais para avaliar quem é negro e quem não é, à moda lombrosiana, medindo tamanho de nariz, crânio, lábios e avaliando cor da pele, do cabelo, tipo de cabelo etc. E aí estava meu equívoco.

Depois da federal do Maranhão oferecer uma tabela pra preencher baseado em características fenotípicas, vem a UFABC oferecer uma oficina para treinar os futuros inquisidores na avaliação da raça de pleiteantes a vagas na universidade pela via das cotas.

A universidade também está em processo de estabelecer os critérios para conceder cotas a pessoas trans, que seguirão o mesmo caminho e enfrentarão o mesmo problema (se não há dado objetivo que determine o gênero de alguém, como saber objetivamente o gênero de um indivíduo com base no "olhometro"?).

Bem-vindos ao hospício.

Texto de 2013 onde eu previa o problema para a política de cotas: http://www.andreassibarreto.org/2013/11/o-problema-da-definicao-como-politica.html.