quarta-feira, 20 de março de 2019

Palestra sobre o realismo de Eric Voegelin

Por André,

Hoje fiquei sabendo da morte do meu amigo Jorge - que ministrou a palestra abaixo.

Éramos parceiro no Instituto Eric Voegelin Brasil. Jorge era muito solícito, educado, inteligente. Estava escrevendo um livro sobre gênero e ministrando cursos na página.

domingo, 10 de março de 2019

A urgência de um conservadorismo não-burguês

Por André,




“A burguesia tece a corda com que será enforcada”, dizia Lênin.

Muitas vezes, por tomarmos uma clara, evidende e antimarxista postura — única possível, caímos em esparrelas marxistas sem perceber. Por exemplo: tomar valores burgueses como bons (às vezes até sacrossantos) ou como essencialmente nossos, apenas porque o marxismo é um ataque à classe burguesa. “Se os marxistas são contra, deve ser coisa boa, então é coisa nossa”.

Contudo, não é bem assim. O formalismo burguês, o apego a regras de conduta supostamente invioláveis, que logo seja possível serão utilizadas contra os burgueses pelo seu inimigo, é excelente exemplo disso. É o clássico dilema do pacifista num mundo belicoso: quer ser pacifista, seja, os tanques inimigos sequer vão passar por cima de você por último. Não adianta se apegar a regras, por mais nobres que sejam, se os que estão ao seu lado não operam por elas.

Querem exemplos disso regados a humor? Vejam boa parte das publicações da página Todo Dia Um Liberal Passando Vergonha.

Como dizia Nikolai Berdiaev acerca do espírito burguês:

“(…) um estado espiritual, uma orientação da alma para uma certa direção, um gênero peculiar de auto-consciência”.

“(…) é algo espiritual, ontológico”.

“(…) esse espírito burguês amadureceu e subjugou a sociedade e a cultura”.

“(…) A sede de poder, de bem-estar e de riqueza triunfa sobre o anseio de santidade e genialidade. As realizações mais elevadas do espírito pertencem ao passado, a espiritualidade encontra-se em declínio, e uma época de decadência espiritual traz consigo a ascensão da burguesia”.

“O burguês, mesmo quando é um ‘bom católico’, acredita somente neste mundo, naquilo que é conveniente e útil”.

“O burguês adora dar esmolas ‘nas sinagogas e nas ruas’ para ser ‘elogiado pelas pessoas’”. [Berdiaev prevendo a sinalização de virtude dos liberais].

“Há burgueses conservadores, tanto quanto os há revolucionários”.

“O burguês idolatra a vaidade e considera suas próprias ações divinas”.

“O burguês, outrora um mero tipo psicológico entre outros, é hoje o tipo social predominante”.

BERDIAEV, Nikolai. Uma nova Idade Média. Curitiba: ed. Arcadia, p. 183–197.

É urgente um conservadorismo não-burguês.

quinta-feira, 7 de março de 2019

Historiador marxista Eric Hobsbawm era conivente com genocídio

Por André,

Já abordei em alguns textos a questão da relação entre ideologias políticas e pensamento messiânico ou apocalíptico, fenômeno que fora magistralmente estudado e explicado por Eric Voegelin. Para quem estiver adentrando a literatura sobre o assunto agora, recomendo a leitura do excelente Missa Negra de John Gray.

O pensamento messiânico das ideologias totalitárias costuma se apresentar da seguinte maneira: um endeusamento radical do futuro, transformando o presente em campo de ação para o estabelecimento desse futuro paradisíaco pós-apocalíptico, sendo que o emprego de quaisquer meios para atingir este fim estão automaticamente justificados em nome do bem maior a ser realizado nesse futuro, inclusive o extermínio de quantos milhões for necessário. É a realização maior, ainda que pueril de tão radical, do lema “os fins justificam os meios”.

sábado, 2 de março de 2019

Entrevista com Cesar Ranquetat Jr sobre seu livro "Da direita moderna à direita tradicional"

Por André,

O amigo Lucas Mendes fez uma excelente entrevista com César Ranquetat, sobre seu importante livro. O exercício conceitual e analítico feito por César é algo inédito no Brasil, creio eu. Desconheço outros acadêmicos que se sirvam do seu arcabouço teórico. Vale a pena!

Premiê queridinho do Canadá, Justin Trudeau, envolvido em escândalo

Por André,

Amigos, agora serei colaborador fixo do site Senso Incomum. E minha estreia foi uma palhinha a respeito de um dos queridinhos da mídia e do universo progressista, o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau.

O alcance do Senso Incomum é incrível e meus dois textos (esse pequeno artigo e um drop sobre Adélio Bispo) até agora atingiram quase 10.000 compartilhamentos! 


Um dos maiores queridinhos da mídia chique internacional, o possível filho de Fidel Castro, Justin Trudeau, está metido num cabeludo escândalo que pode lhe custar o cargo antes mesmo das eleições de outubro desse ano (em que as pesquisas já mostravam equilíbrio com relação a seu concorrente, o conservador Andrew Scheer).


domingo, 17 de fevereiro de 2019

Brexit, filme da HBO

Por André,




Assisti "Brexit", produção própria da HBO sobre o principal evento político do Reino Unido em décadas.

A narrativa é construída a partir da perpectica de Dominic Cummings, encarnado por Benedict Cumberbatch (Dr. Estranho).

O enredo, como se esperaria de uma produção da HBO, é maniqueísta e relata remainers como bonzinhos que lutavam pela economia e pelos empregos com argumentos racionais e leavers como sentimentalistas - curioso, não? Quem leu "Podres de Mimados: as consequências do sentimentalismo tóxico bem sabe quem investiu no sentimentalismo como moeda política nos últimos tempos - irracionais e trapaceiros. Mas acho que quem se interessa pelo assunto pode ver o filme.

Cummings foi uma espécie de Bannon/Alinsky do Brexit. O estrategista amoral e clinicamente cirúrgico que foi atrás da estratégia da vitória. Só que agiu bem mais por trás das cortinas que um Bannon, por exemplo. Tanto é que mesmo eu, que acompanho o debate sobre o Brexit desde 2015, antes do referendo, só vim a conhecê-lo bem depois.

Me parece que muita gente ainda não compreendeu (ou só lembrou dele depois de levar um belo by-pass) um fato elementar: a política, MUITO ANTES DE 2016, é dirigida no andar de cima por forças obscuras, por lobismo de grupos de interesse e jogos de poder. TODOS sempre fizeram isso (de todos os lados possíveis do espectro), apenas com recursos diferentes, limitados pelo tempo. Nesse aspecto, o filme contribui para essa impressão, embora possua diálogos que ao menos tentam esclarecer isso.

A novidade substancial dos anos recentes é o uso das redes sociais para a mesma finalidade da política de sempre. Isso colocou o foco do lobismo menos em figurões e em parlamentares, por exemplo, e mais nas pessoas que precisam ser convencidas a ir votar ou a escolher lados e que estavam acostumadas a ser absolutamente esquecidas e foram colocadas na rota das decisões pela descentralização da informação via redes sociais.

Digo isso porque o filme sugere, é claro, que o resultado foi manipulado via redes sociais, via hackers, via tecnologia. Nesse sentido, a aplicação política da tecnologia é como a aplicação de qualquer tecnologia: é amoral, a virtude de sua aplicação depende do aplicador. A esquerda com as mesmas armas na mão faria o mesmo uso ou pior.

It's the new politics, folks. E está só começando. A esquerda que dominava o debate político ainda não está conseguindo lidar com isso adequadamente, it's the new era. O afegão médio está de volta à arena.