terça-feira, 21 de maio de 2013

50 LIÇÕES DE FILOSOFIA: Filmes

50 LIÇÕES DE FILOSOFIA: Filmes: Eis a lista de filmes sugeridos ao longo de 50LF, respondendo ao pedido de uma colega no Porto para indicarmos também a duração de cada film...

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Lutando contra um fantasma


Sempre que um intelectual esquerdista do Terceiro Mundo abre a boca para atacar a "direita", o mínimo que se pode esperar da sua performance é uma confusão dos diabos. Desde logo, o objeto das suas imprecações não existe substancialmente: é uma sombra projetada pela aglomeração casual de entidades diversas que, por motivos heterogêneos e não raro incompatíveis entre si, atravessaram o caminho do processo revolucionário. 
 
Para não admitir que dispara a esmo contra alvos dispersos, que simplesmente odeia toda sorte de discordâncias venham de onde vierem, ele tem de inventar por trás desse caleidoscópio de diversidades a unidade fictícia de uma impossível "internacional direitista", fundindo num só corpo de intenções, concepções ideológicas e planos estratégicos o nazismo e o sionismo, o Papa e a Maçonaria, os libertarians e os saudosistas do Ancien Régime, o racismo evolucionista e o fundamentalismo evangélico, e até – no caso brasileiro – as facções da própria esquerda que, por um restinho de escrúpulos democráticos, se oponham a tal ou qual medida governamental do dia. 
 
Mesmo uma inteligência mediana basta para perceber que essas várias correntes são tão estranhas umas às outras que a simples hipótese de se sentarem em torno de uma mesa para discutir suas divergências é utópica no mais alto grau; mas o esquerdista tem de descer abaixo do mediano para poder continuar acreditando que luta contra um inimigo determinado e não, como de fato ocorre, contra todo o restante da espécie humana.
 
É certo que a esquerda também tem suas contradições e antagonismos internos, mas, de um lado, isso nunca impediu que suas facções diversas mantivessem um intenso diálogo e se unissem, a todo instante, para iniciativas de envergadura mundial que surpreendem pelo sinergismo dos objetivos e pela simultaneidade dos meios. 
 
De outro lado, é fato notório que, entre os "direitistas", só uns poucos consentem em perceber os sinais dessa unidade estratégica e organizacional que prevalece sobre todas as dissensões ideológicas e táticas; a maioria prefere enfatizar as diferenças e incompatibilidades, na esperança louca de dividir as forças do adversário, sem notar que qualquer concessão feita a uma das facções da esquerda resulta sempre, mais cedo ou mais tarde, em vantagem para todas elas.
 
 Se o esquerdista insiste em enxergar o que não existe, o direitista em geral recusa-se a enxergar o que existe; fato que, por si mesmo, já reflete a homogeneidade de um lado e a heterogeneidade do outro. Pois, afinal, todas as correntes de esquerda remontam à fonte comum de uma teoria unificada da História, enquanto as raízes da "direita" são diversas e incompatíveis na origem, como o Papado e a Reforma, o evolucionismo e o evangelismo, o individualismo liberal de Adam Smith e o organicismo social de Adam Müller, o nacionalismo extremado dos fascistas e o globalismo da elite bancária.
 
O fato, porém, de que o monstro direitista seja uma entidade inexistente, de que portanto o discurso ideológico esquerdista seja perfeitamente fictício, não implica nenhuma desvantagem para a política de esquerda. Ao contrário: como todo discurso ideológico, esse não visa a descrever uma realidade, mas a fundar e reforçar a identidade do grupo militante, o que, é claro, se obtém muito mais facilmente brandindo diante dele a imagem odiosa de um fantasma do que forçando-o a um confronto desnorteante com a complexidade dos fatos.
 
A unidade fictícia do fantasma projeta-se retroativamente sobre a mentalidade do grupo, exercendo sobre ela um influxo não só unificante, mas encorajador: quem não parte para o combate com mais bravura quando carrega num recanto obscuro da alma a suspeita secreta de que o adversário é de brinquedo?
 
O impulso incoercível de projetar o ódio do grupo contra unidades fictícias cresce às vezes até as dimensões do mais grotesco hiperbolismo, desembocando na total desconexão psicótica com a realidade ambiente, mas sem que por isso seu efeito sobre a plateia se atenue no mais mínimo que seja. 
 
A diatribe recente da professora Marilena Chauí contra a classe média exemplifica-o com a maior nitidez. A imagem da pequena burguesia como classe intrinsecamente reacionária, produtora, na melhor das hipóteses, de intelectuais revolucionários vacilantes e indignos de confiança, é um dos chavões mais antigos da retórica marxista. Aparece, volta e meia, nos escritos de Lênin, Stálin, Mao e tutti quanti. 

A Profa. Marilena não fez senão repeti-lo pela milionésima vez, com a diferença de que o fez, sem notar nenhuma incongruência, para uma plateia constituída integralmente de membros da classe condenada e em nome de um partido cujos militantes e eleitores são recrutados eminentemente nessa mesma classe. Isso não impediu que a professora fosse aplaudida por ouvintes que, igualando o nível de alienação da conferencista, nem de longe se sentiram envolvidos na generalização depreciativa em que ela os enquadrava.
 
Não, não venham me falar de paralaxe cognitiva. Inventei esse termo para descrever o deslocamento entre o eixo da construção teórica e o da experiência direta tal como esse fenômeno aparece em sistemas complexos de filosofia, onde erros dessa natureza podem passar despercebidos até a grandes inteligências. 
 
A alienação grosseira e burra está em outro nível: tem a ver com a histeria militante e não com a vida intelectual, seja saudável, seja doente. Com a ressalva de que, na ordem da militância revolucionária, a histeria não é uma doença, um desvio, mas a essência mesma do fenômeno, como já ensinavam Erik von Kuehnelt-Leddihn e o psiquiatra polonês Andrej Lobaczewski.
 

O humano e o desumano

Por RobertM. Woods do The Imaginative Conservative,

Tradução: André Assi Barreto



Ao longo dos anos, vi incontáveis listas de livros e existem dois na lista dos que “devem ser lidos” que falam diretamente ao mundo moderno, mas de formas diferentes. Como trabalhos distópicos, as pessoas tendem a ver ambos como “proféticos” e ainda, dos dois, muitos veem a visão literária de um deles estava mais próxima da realidade que o outro.

Os trabalhos são o 1984 de George Orwell e Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley. Anterior ao ano de 1984, o livro de Orwell se tornou um best seller mesmo sendo originalmente publicado em 1949. Entretanto, dos dois trabalhos, pode-se defender que a visão de Huxley estava mais próxima da realidade e permanece cada vez mais contemporânea, embora tenha sido originalmente publicada em 1932.

Os pesadelos de Orwell parecem não ter se tornado verdadeiros. As pessoas que não leram os dois livros ou até mesmo um deles, consideram, erroneamente, que ambos “previram” o mesmo futuro. Orwell descreveu um mundo onde humanos seriam tomados por incríveis ameaças externas. Na previsão de Huxley não há nenhum Big Brother que nos alcança em nossa vida diária. Huxley imagina que a pessoa comum simplesmente se renderá e simplesmente virá a amar o que se opõe a elas próprias. Elas viriam a “adorar” as tecnologias diárias que eclipsam nossa habilidade de pensar e de viver realmente.

Orwell descreveu uma época de um terrível banimento dos livros. Huxley foi muita mais acurado quando descreveu um mundo em que banir livros é desnecessário, porque as pessoas simplesmente pararam de ler. Pense em quão poucas pessoas de fato vão à Barnes and Noble para compra livros e como poucas pessoas, até mesmo em campus universitários que não leem sequer o jornal da universidade ou os manuais de seus cursos. Espera-se ao menos que eles possam ler.

Ainda mais importante, Orwell estava genuinamente assustado com a possibilidade de que a verdade ficaria escondida de nós, ao passo que Huxley pareceu acertar em cheio ao dizer que a verdade se perderia no meio de meras visões e sons, e desconsiderada como algo sem importância.

Huxley não estava preocupado em algum tipo de grande tirania tomando conta da humanidade, mas estava consciente do nosso apetite insaciável pela próxima distração, que nos manteria longe do que realmente importa. Portanto, exorto-vos a abrir seus olhos e ver que o mundo está se tornando cada vez menos humano e peço que se junte aos esforços para reclamar a humanidade perdida. Leia um livro, tenha uma conversa significativa, pense profundamente e com consistência sobre aquilo que realmente importa.

domingo, 19 de maio de 2013

The Humane and The Inhumane

The Humane and The Inhumane

A farsa dos "40 milhões que saíram da linha da pobreza": Indicador defasado 'esconde' 22 milhões de miseráveis do país


O número de miseráveis reconhecidos em cadastro pelo governo subiria de zero para ao menos 22,3 milhões caso a renda usada oficialmente para definir a indigência fosse corrigida pela inflação.

É o que revelam dados produzidos pelo Ministério do Desenvolvimento Social, a pedido da Folha, com base no Cadastro Único, que reúne informações de mais de 71 milhões de beneficiários de programas sociais. 

Desde ao menos junho de 2011 o governo usa o valor de R$ 70 como "linha de miséria" --ganho mensal per capita abaixo do qual a pessoa é considerada extremamente pobre. 

Ele foi estabelecido, com base em recomendação do Banco Mundial, como principal parâmetro da iniciativa de Dilma para cumprir sua maior promessa de campanha: erradicar a miséria no país até o ano que vem, quando tentará a reeleição. 

Mesmo criticada à época por ser baixa, a linha nunca foi reajustada, apesar do aumento da inflação. Desde o estabelecimento por Dilma da linha até março deste ano, os preços subiram em média 10,8% --2,5% só em 2013, de acordo com o índice de inflação oficial, o IPCA. 

Corrigidos, os R$ 70 de junho de 2011 equivalem a R$ 77,56 hoje. No Cadastro Único, 22,3 milhões de pessoas, mesmo somando seus ganhos pessoais e as transferências do Estado (como o Bolsa Família), têm menos do que esse valor à disposição a cada mês, calculou o governo após pedido da Folha por meio da Lei de Acesso à Informação. 

Esse número corresponde a mais de 10% da população brasileira e é praticamente a mesma quantidade de pessoas que tinham menos de R$ 70 mensais antes de Dilma se tornar presidente e que ela, com seis mudanças no Bolsa Família, fez com que ganhassem acima desse valor. 

Os dados possibilitam outras duas conclusões. Primeiro, que um reajuste da linha anularia todo o esforço feito pelo governo até aqui para cumprir sua promessa, do ponto de vista monetário.
Segundo, que os "resgatados" da miséria que ganhavam no limiar de R$ 70 obtiveram, na quase totalidade, no máximo R$ 7,5 a mais por mês --e mesmo assim foram considerados fora da extrema pobreza. 

Além do problema do reajuste, o próprio governo estima haver cerca de 700 mil famílias vivendo abaixo da linha da miséria e que estão hoje fora dos cadastros oficiais. 
A reportagem pediu outra simulação ao governo, usando agosto de 2009 como o início do estabelecimento da linha de R$ 70. Nessa época, um decreto determinara o valor para definir miséria no Bolsa Família. 

Nesse outro cenário (inflação acumulada de 23,4%), o número de extremamente pobres seria ainda maior: 27,3 milhões de pessoas. A data marcou a adoção do valor no Bolsa Família, mas não em outros programas, diz o governo.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Rodrigo Constantino: Ser Conservador

Rodrigo Constantino: Ser Conservador: Michael Oakeshott Ser conservador é preferir o familiar ao desconhecido, preferir o tentado ao não tentado, o fato ao mistério, o re...