segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Críticas de esquerda à USP

Por André,

Compilação no mínimo interessante de críticas de esquerda à USP e à intelectualidade orgânica do PT:



Ressaltando que minha classificação como interessante se dá no sentido puramente intelectual da coisa, isto é, é bom saber que parte da esquerda pensa assim. Do ponto de vista das ideias, a coisa toda pode se resumir à posição geral do PCO: o PT é de "direita", pra resolver os problemas precisamos de mais esquerda. 

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Disforia de gênero é um problema psicológico, mas programa de Fátima Bernardes quer tratar como escolha de crianças de 3 anos

Por André,



O programa da Fátima Bernardes "versou", no dia 17 de fevereiro, sobre "crianças trans" - não quero abusar das aspas. O vídeo tem 27 minutos. Destaco apenas alguns pontos:

1. A apresentadora afirma trazer o assunto porque é tabu e o problema acomete muita gente. Em seguida, ela mesma traz estatísticas: 1 caso a cada 100 mil homens; 1 caso a cada 400 mil mulheres. Muita gente?!

2. No início do programa, o psiquiatra convidado afirma que os profissionais do ambulatório de transtorno de identidade de gênero e orientação do Hospital das Clínicas de São Paulo não interferem (suponho que não influenciem de forma alguma) nas escolhas da criança - "ninguém vai operar a criança, ninguém vai dar hormônio". Será? Então, em seguida, o ator pergunta: "quando começam a interferir?". A resposta é clara e dá o que pensar: "com o começo da puberdade". Ou seja, no momento mesmo em que um processo natural se inicia, o médico vai lá e...pimba!, interrompe - com o quê? Para quê? Por que tal informação é veiculada nas "entrelinhas"?

3. Deixando de lado o apelo emocional do programa (na televisão brasileira, seja aberta, seja fechada, não há programa que não apele ao emocional), podemos trazer o que diz a American College of Pediatricians:

"A crença de uma pessoa de ser algo que ela não é, na melhor das hipóteses, é um sinal de pensamento confuso. Quando um menino biologicamente saudável acredita que é uma menina, ou uma menina biologicamente saudável acredita que é um menino, existe um problema psicológico objetivo, que está na mente, não no corpo, e deve ser tratado dessa forma. Essas crianças sofrem de disforia de gênero, formalmente conhecida como transtorno de identidade de gênero, uma desordem mental reconhecida na edição mais recente do Manual Diagnóstico e Estatístico da American Psychiatric Association. A psicodinâmica e as teorias de aprendizagem social dessa desordem nunca foram refutadas."

O assunto é tabu porque há uma razão para ser tabu: é um transtorno. O que se espera de um canal de televisão, que é uma concessão pública e líder de audiência, é que o assunto seja debatido, não enfiado goela abaixo - e logo pela manhã. Por que não levaram médicos que discordam da abordagem do psiquiatra?
Ainda segundo a American College of Pediatricians, e agora falando de adultos, "as taxas de suicídio são vinte vezes maiores entre adultos que usam hormônios do sexo oposto e passam por cirurgias de mudança de sexo, mesmo na Suécia, que é um dos países de maior ação afirmativa LGBQT. Que pessoa razoável e compassiva condenaria crianças a esse destino, sabendo que depois da puberdade 88% das meninas e 98% dos meninos aceitarão o seu sexo real e terão saúde física e mental?".

O dr. Paul R. McHugh, ex-psiquiatra chefe do Hospital John Hopkins e autor de seis livros e tantos outros artigos médicos, considera "transgenerismo uma desordem mental" que requer tratamento. Ele também confirma o alto índice de suicídios entre os transgêneros e reforça o que a American College of Pediatricians enfatizara sobre o abandono das tendências transgêneras pelas crianças de maneira espontânea. Ele cita estudos realizados pela Vanderbilt University e London’s Portman Clinic: 70% e 80% de crianças que apresentaram sentimentos transgêneros, com o tempo, perderam espontaneamente esses sentimentos.

Ao final do programa, para variar em encontros progressistas, a pessoa é "do bem" quando concorda com o que eles, os progressistas como Bernardes apresenta - ou a Globo, se preferirem - dizem.

E preparem-se, pois ela prometeu mais programas com o assunto.
Interromper quimicamente a puberdade de uma criança, seja com que desculpa for, é abuso de menores - em dado momento do vídeo, o médico chama seu local de trabalho de "laboratório". Bem a calhar.

Links:

Transgender Surgery Isn't the Solution (conteúdo pago):
https://www.wsj.com/…/paul-mchugh-transgender-surgery-isnt-…
.
Johns Hopkins Psychiatrist: Transgender is ‘Mental Disorder;' Sex Change ‘Biologically Impossible’:
http://www.cnsnews.com/…/johns-hopkins-psychiatrist-transge…
.
Associação de pediatria dos EUA declara-se formalmente contra a ideologia de gênero:
http://www.semprefamilia.com.br/associacao-de-pediatria-do…/
.
Primeira parte do documentário norueguês "Lavagem cerebral" - "O paradoxo da igualdade":
http://www.andreassibarreto.org/2013/11/o-paradoxo-da-igualdade-o-problema-da.html

Link para o programa "Encontro com Fátima Bernardes":
https://www.youtube.com/watch?v=8zXytBHCbRA

sábado, 18 de fevereiro de 2017

História do comunismo: mais de 2 milhões de mulheres alemãs estupradas

Por André,

A desumanidade do comunismo é algo tão grande que até as mentes mais treinadas podem se perder em meio a tantas atrocidades. Algum ato grotesco do comunismo pode não ser de conhecimento até de leitores e interessados em História do comunismo.

Não bastando mais de 150 milhões de mortes na sua conta, o Exército Vermelho de Stalin também é responsável pelo maior caso de estupro coletivo da história moderna: mais de 100 mil alemãs apenas em Berlim e cerca de 2 milhões aproximadamente em toda a Alemanha.

São crimes contra a humanidade como estes que acadêmicos brasileiros e professores escolares dos vossos filhos relativizam. Quem nunca apontou algum dos crimes do comunismo e recebeu como resposta um muxoxo de desdém como se se tratasse de coisa insignificante?

Alguém que conheça a história do comunismo e ainda seja comunista é tão desprezível quanto um nazista. Como diz um amigo meu: socialismo/comunismo é nazismo com um bom relações públicas.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Ainda sobre Clóvis de Barros

Por André,

Fiz dois textos levantando a pergunta (e assinalando com uma resposta) se Clóvis de Barros e Mário Cortella são filósofos. Viraram dos textos mais polêmicos e visitados do site. A primeira parte está aqui e a segunda, aqui.

Veio à tona no Facebook esta semana um trecho do programa Provocações onde Abujanra pergunta a Clóvis de Barros o que é a vida e as respostas não satisfazem o apresentador:


Quero chamar a atenção menos para a resposta insatisfatória de Barros e mais para um fato que atentei naquela série de dois posts: a empostação.

Todos devem convir que a postura de Clóvis é empostada, isso pode ser percebido na sua voz, no trejeito antes de falar e antes de "pensar", até nos movimentos de sua boca. Tudo soa falso.

Ninguém é empostado sem querer. Se a pessoa o é, o é porque assim deseja. Se assim deseja, o que precisa ser disfarçado com tanto esforço sob a capa da empostação?

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Caos estético VIII: o problema da "apeirokalia"

Por Olavo de Carvalho,


APEIROKALIA

Bravo!, Ano I, no1, novembro de 1997 e
A Longa Marcha da Vaca para o Brejo: O Imbecil Coletivo II. Rio, Topbooks, 1998.


Como geralmente se entende por educação superior o simples adestramento para as profissões melhores, conclui-se, com acerto, que toda pessoa normal é apta a recebê-la e que, na seleção dos candidatos, qualquer elitismo é injusto, mesmo quando não resulte de uma discriminação intencional e sim apenas de uma desigual distribuição da sorte. Mas se por essa expressão se designa a superação dos limites intelectuais do meio, o acesso a uma visão universal das coisas, a realização das mais altas qualidades espirituais humanas, então existe dentro de muitos postulantes um impedimento pessoal que, mais dia menos dia, terminará por excluí-los e por fazer com que a educação superior, no sentido forte e não administrativo do termo, continue a ser de fato e de direito um privilégio de poucos.

Esse impedimento, graças a Deus, não é de ordem econômica, social, étnica ou biológica. É um daqueles males humanos que, como o câncer e as brigas conjugais, se distribuem de maneira mais ou menos justa e eqüitativa entre classes, raças e sexos. É o único tipo de imperfeição que poderia, com justiça, ser invocado como fundamento de uma seleção elitista, mas que de fato não precisa sê-lo, pois opera essa seleção por si, de maneira tão natural e espontânea que os excluídos não dão pela falta do que perderam e chegam mesmo a sentir-se bastante satisfeitos com o seu estado, reinando assim entre os poucos felizes e os muitos infelizes uma perfeita harmonia, salvaguardada pela distância intransponível que os separa.

O impedimento a que me refiro não é material ou quantificável. O IBGE não o inclui em seus cálculos e o Ministério da Educação o ignora por completo. No entanto ele existe, tem nome e é conhecido há mais de dois milênios. A mente treinada reconhece sua presença de imediato, numa percepção intuitiva tão simples quanto a da diferença entre o dia e a noite.

Os gregos chamavam-no apeirokalia. Quer dizer simplesmente "falta de experiência das coisas mais belas". Sob esse termo, entendia-se que o indivíduo que fosse privado, durante as etapas decisivas de sua formação, de certas experiências interiores que despertassem nele a ânsia do belo, do bem e do verdadeiro, jamais poderia compreender as conversações dos sábios, por mais que se adestrasse nas ciências, nas letras e na retórica. Platão diria que esse homem é o prisioneiro da caverna. Aristóteles, em linguagem mais técnica, dizia que os ritos não têm por finalidade transmitir aos homens um ensinamento definido, mas deixar em suas almas uma profunda impressão. Quem conhece a importância decisiva que Aristóteles atribui às impressões imaginativas, entende a gravidade extrema do que ele quer dizer: essas impressões profundas exercem na alma um impacto iluminante e estruturador. Na ausência delas, a inteligência fica patinando em falso sobre a multidão dos dados sensíveis, sem captar neles o nexo simbólico que, fazendo a ponte entre as abstrações e a realidade, não deixa que nossos raciocínios se dispersem numa combinatória alucinante de silogismos vazios, expressões pedantes da impotência de conhecer.

Mas é claro que as experiências interiores a que Aristóteles se refere não são fornecidas apenas pelos "ritos", no sentido técnico e estrito do termo. O teatro e a poesia também podem abrir as almas a um influxo do alto. À música — a certas músicas — não se pode negar o poder de gerar efeito semelhante. A simples contemplação da natureza, um acaso providencial, ou mesmo, nas almas sensíveis, certos estados de arrebatamento amoroso, quando associados a um forte apelo moral (lembrem-se de Raskolnikov diante de Sônia, em Crime e Castigo), podem colocar a alma numa espécie de êxtase que a liberte da caverna e da apeirokalia.

Porém, com mais probabilidade, as experiências mais intensas que um homem tenha tido ao longo de sua vida serão de índole a desviá-lo do tipo de coisa que Aristóteles tem em vista. Pois o que caracteriza a impressão vivificante que o filósofo menciona é justamente a impossibilidade de separar, no seu conteúdo, a verdade, o bem e a beleza. De Platão a Leibniz, não houve um só filósofo digno do nome que não proclamasse da maneira mais enfática a unidade desses três aspectos do Ser. E aí começa o problema: muitos homens não tiveram jamais alguma experiência na qual o belo, o bem e o verdadeiro não aparecessem separados por abismos intransponíveis. Esses homens são vítimas da apeirokalia — e entre eles contam-se alguns dos mais notórios intelectuais que hoje fazem a cabeça do mundo.

Infelizmente, o número dessas vítimas parece destinado a crescer. Já em 1918, Max Weber assinalava, como um dos traços proeminentes da época que nascia, a perda de unidade dos valores ético-religiosos, estéticos e cognitivos. O bem, o belo e a verdade afastavam-se velozmente, num movimento centrífugo, e em decorrência

"os valores mais sublimes retiraram-se da vida pública, seja para o reino transcendental da vida mística, seja para a fraternidade das relações humanas diretas e pessoais... Não é por acaso que hoje somente nos círculos menores e mais íntimos, em situações humanas pessoais, é que pulsa alguma coisa que corresponda ao pneuma profético, que nos tempos antigos varria as grandes comunidades como um incêndio".1

As duas fortalezas do sublime, que Weber menciona, não demoraram a ceder: a vida mística, assediada pela maré de pseudo-esoterismo que se apropriou de sua linguagem e de seu prestígio, acabou por se recolher à marginalidade e ao silêncio para não se contaminar da tagarelice profana. A intimidade, vasculhada pela mídia, violada pela intromissão do Estado, tornada objeto de exibicionismo histérico e de bisbilhotices sádicas, desapropriada de sua linguagem pela exploração comercial e ideológica de seus símbolos, simplesmente não existe mais.

Toda a literatura do século XX reflete esse estado de coisas: primeiro a "incomunicabilidade" dos egos, depois a supressão do próprio ego: a "dissolução do personagem". Mas, desde Weber, muita água rolou. Nas proximidades do fim do milênio, o que se entende por mística é um cerebralismo de filólogos; por intimidade, o contato carnal entre desconhecidos, através de uma película de borracha. Os três valores supremos já não são apenas autônomos, mas antagônicos. O belo já não é apenas alheio ao bem: é decididamente mau; o bem é hipócrita, pseudo-sentimental e tolo; a verdade, feia, estúpida e deprimente. A estética celebra os vampiros, a morte da alma, a crueldade, o macho que mete o braço até o cotovelo no ânus de outro macho. A ética reduz-se a um discurso acusatório de cada um contra seus desafetos, aliado à mais cínica auto-indulgência. A verdade nada mais é o consenso estatístico de uma comunidade acadêmica corrompida até à medula.

Nessas condições, é um verdadeiro milagre que um indivíduo possa escapar por instantes da redoma de chumbo da apeirokalia, e outro milagre que, ao retornar ao pesadelo que ele denomina "vida real", esses instantes não lhe pareçam apenas um sonho, que não se deve mencionar em público.

Mas nada proíbe um escritor de dirigir-se, em suas obras, aos sobreviventes do naufrágio espiritual do século XX, na esperança de que existam e não sejam demasiado poucos. Acossados pelo assédio conjunto da banalidade e da brutalidade, esses podem conservar ainda uma vaga suspeita de que em seus sonhos e esperanças ocultos há uma verdade mais certa do que em tudo quanto o mundo de hoje nos impõe com o rótulo de "realidade", garantido pelo aval da comunidade acadêmica e da Food and Drug Administration. É a tais pessoas que me dirijo exclusivamente, ciente de que não se encontram com mais freqüência entre as classes letradas do que entre os pobres e os desvalidos.



NOTAS

Max Weber, "A ciência como vocação", em Ensaios de Sociologia, org. H. H. Gerth e C. Wright Mills, trad. Waltensir Dutra, rev. por Fernando Henrique Cardoso, 5ª ed., Rio, Guanabara, 1982, p.182. Voltar

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Os senadores Ted Cruz (republicano) e o socialista Bernie Sanders (democrata) debatem o Obamacare

Por André,

Os mais íntimos dos principais debates americanos sabem que uma das atuais grandes questões americanas é o Obamacare, um programa de natureza socializante. Para nós, brasileiros, seria justo dizer que se trata da tentativa de implementar um SUS americano. Uma das promessas de campanha do presidente Donald Trump foi, justamente, rechaçar o Obamacare e livrar de barreiras as companhias de seguro para que haja mais variação de preço e concorrência.

A coisa toda é cercada por mentiras e pelas marcas do monopólio estatal sobre qualquer serviço: apenas o site do Obamacare custou 1 bilhão de dólares e... não funcionou! Obama prometeu às pessoas de outros programas de saúde e companhias que poderiam manter seus médicos, o que se provou uma mentira. O Obamacare obrigou companhias a aumentar preços e fez com que muitas famílias não pudessem mais frequentar os mesmos médicos.

Em debate recente, o excelente Ted Cruz e o "socialista democrático" Bernie Sanders debateram o assunto:


Um resumo das argumentações pode ser o que segue:

Bernie Sanders:

Quando replicando os diversos problemas no sistema apontados por Ted, disse: "sim, há muitos problemas, todos têm problemas, mas é preciso melhorar".

"A saúde tem de ser grátis porque tem". Não sabemos de onde o dinheiro vai brotar, mas tem.

Ted Cruz:

Cruz, mestre da arte dos debates, argumentou tanto por princípios (o governo é mau administrador, o controle deve estar nas mãos das pessoas e não do Estado, o ACESSO a saúde é direito, não a saúde em si mesma) quando com dados (a ineficácia das medicinas socializadas saudadas por Sanders, a disfuncionalidade do Obamacare etc).

Além disso, Ted mostrou a total inviabilidade econômica das ideias de Sanders:



Esse debate, inclusive, me remeteu a uma notícia tratando do medo de alguns idosos de serem "eutanasiados" na Holanda. Socialismo não significa racionamento de comida apenas, mas racionamento de saúde também:

https://www.facebook.com/aassibarreto/posts/1911630299069890

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Proposta de cursos

Por André,



Ontem levantei no Facebook uma bola sobre algo que já vinha fazendo minha cabeça há algum tempo e testei o público sobre a possibilidade: ministrar pequenos cursos, online, de caráter formativo e voltados para o público interessado e não necessariamente treinado (em Filosofia em especial e em Humanidades em geral). Os preços seriam módicos (não mais que 50 reais), variando apenas para a eventualidade de um curso mais extenso (para um possível início de atividades penso em cursos de 4 aulas).

Vou maturar a ideia antes que a coisa esfrie e dar um feedback para os vários (e excelentes!) amigos que se mostraram favoráveis à ideia.

Num primeiro momento, o que posso oferecer em termos de qualidade para os eventuais inscritos? De início é provável que as facilidades de pagamento sejam reduzidas (depósito/transferência e Paypal) e que alguma plataforma gratuita ou barata seja utilizada para as aulas. Porém, neste início, a coisa toda se focaria em:

- qualidade de conteúdo (comento mais a respeito de conteúdo na sequência);
- dedicação e atenção aos alunos;
- material escrito e esclarecimento de dúvidas.

Posso oferecer tudo isso pelo preço módico que tenho em mente e considerando que num primeiro momento não tenho dinheiro para investir e pagar alguma operadora de pagamentos e uma plataforma mais elaborada (porém, são coisas que, caso haja êxito no projeto, eu certamente investirei).

Pensei em, agora neste início de coisas, ministrar cursos formativos de história da Filosofia, sendo que o primeiro seria sobre os filósofos pré-socráticos e a Grécia como berço daquilo que hoje concebemos (e, por vezes, defendemos) como civilização ocidental (vira e mexe, aliás, aparece algum especialista alegando que a Filosofia não foi um "milagre grego", mas que teria surgido no oriente ou na África - o que reforça a importância de um curso com esta finalidade). Fazendo a ponte para um eventual curso sobre Sócrates.

Na minha postagem no Facebook muita gente me sugeriu um curso sobre Eric Voegelin, Mário Ferreira dos Santos etc. Embora eu ache a ideia muito empolgante, confesso que não é a minha intenção INICIAL, de início pretendo fazer algo que conjugue qualidade, acessibilidade e preço. Temas mais profundos requerem mais tempo, interesse mais específico, o que inevitavelmente levaria a preços um pouco maiores. É claro que fazer isso faz parte do meu rol de intenções, mas para o futuro próximo, conforme o interesse e demanda pelos cursos.

De início, embora tentador, não pretendo ministrar cursos sobre temas atualíssimos ou "conspiratórios" (com muitas aspas, uso o termo apenas para fins ilustrativos), visto que: há pessoas melhores que eu fazendo isso e porque creio que cursos formativos sejam tão urgentes quanto estes. Mas a hipótese não está descartada a priori, em havendo demanda tudo é possível.

Peço encarecidamente que os interessados respondam a este questionário:

https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfIEricVssiF9Y6EXosWNm1JIVWQLSTNzern1hqGiPuSyo5Rg/viewform

domingo, 15 de janeiro de 2017

"História e Utopia" de Emil Cioran

Por André,


Neste pequeno livro (Cioran era avesso aos "grandes tratados"), minha segunda leitura de 2017, Cioran deixa completamente nus os crentes no progresso histórico, na utopia e no otimismo.

Cada parágrafo é uma martelada - talvez devêssemos atribuir igualmente a alcunha de "filósofo do martelo" a Cioran", o poder de concisão de Cioran certamente é das coisas mais admiráveis da história da prosa - considerando que o romeno percorreu o caminho das pedras para escrever fluentemente em francês.

Há neste livro um excelente ensaio sobre a Rússia, que surpreende pelo caráter profético e confere um interesse extra na obra.

Dela, pinço o seguinte trecho:

"Ao divinizar a história para desacreditar Deus, o marxismo só conseguiu tornar Deus mais estranho e mais obsedante. Pode-se sufocar tudo no homem, salvo a necessidade de absoluto, que sobreviverá à destruição dos templos, e mesmo ao desaparecimento da religião sobre a Terra. E como a essência do povo russo é religiosa, ela inevitavelmente se reerguerá" (p. 34).

Embora certamente Cioran jamais se enfileiraria aos conservadores, sua crítica destruidora das utopias e das ideologias joga mais água em nosso moinho que no moinho revolucionário,

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Primeira leitura de 2017: "O Duplo" de Dostoiévski

Por André,


Como é de praxe, a única leitura que consigo contabilizar e compartilhar publicamente a análise é a primeira do ano. Este ano foi vez de literatura e do mestre russo.

Confesso que a leitura não é exatamente agradável. A personagem principal é repetitiva e refere-se a si próprio na terceira pessoa, o que dificulta a fluidez da leitura em alguns momentos. Nada, é claro, que deva fazer alguém declinar da leitura.

Como também é de costume, traço minhas impressões interpretativas gerais e depois começo a pesquisar estudos e resenhas para conferir o que bate e o que não bate. Grande parte bateu, minha impressão inicial é que a personagem principal delira e que não há nenhum "Goliádkin júnior". Estou conferindo alguns pontos nesse estudo de 70 páginas (!!): http://law.capital.edu/WorkArea/DownloadAsset.aspx?id=27825

A sensação de incômodo que a obra me despertou lembrou e muito aquela que senti quando li A Metamorfose de Kafka. Se nesta o sujeito se transforma e inseto e sua família se preocupa com seu emprego, em O Duplo eis que surge um sujeito idêntico ao herói e ele se preocupa com... o seu emprego! Não me parece a reação/preocupação inicial que alguém normal teria se descobrisse que existe um gêmeo homônimo seu circulando por aí. Claro que esses elementos foram colocados por Kafka e Dostoievski intencionalmente nos textos, talvez com a ideia de despertar no leitor esse exato incômodo, mas essa histeria causa mesmo um considerável desconforto.

A edição é portuguesa da "Editorial Presença" e a tradução é premiadíssima do casal Nina e Filipe Guerra.