domingo, 21 de maio de 2017

Diversas crianças dormirão após viver um dia cheio de qualidade de vida. Nenhuma delas é cubana, boa parte delas é americana

Do Facebook do Gustavo Franco,


Unidades habitacionais habitadas nos Estados Unidos

63% são casas, sendo 83% destas casas são próprias;

88% têm mais de 4 quartos;

20% têm 8 quartos ou mais;

11% têm 9 quartos ou mais;

A média de quartos é de 5,5 por unidade habitacional;

20% têm 3 veículos ou mais disponíveis;

1/3 moram 2 pessoas;

97% dos quartos tem 1 pessoa ou menos habitando;

28% têm pessoas morando sozinhas;

têm a renda anual média de 54.000 Dólares;

70% valem até 300 mil dólares

têm custo mensal médio de 1.000 dólares com a habitação;

têm preço médio de aluguel de 928 dólares.

56% dos aluguéis custam menos de 2.000 dólares

57% dos aluguéis custam menos do que 35% dos rendimentos dos inquilinos

______________________________________

Educação
O rendimento anual para quem tem nível fundamental é de 20 mil dólares anuais, e para quem é formado é acima de 51 mil dólares;

86% da população entre 25 e 64 anos têm nível superior.

78% dos universitários estão em faculdades públicas

_______________________________________________

12% dos empregados americanos trabalham em áreas de saúde e assistência social, conseguindo uma renda média anual de 44 mil dólares.

Outros 10% trabalham em comércio de varejo, com média salarial anual de 25 mil dólares.

A área de construção paga em média 48 mil dólares anuais, enquanto a área de negócios 85 mil dólares

A média de receita da empresa por empregador é 288 mil dólares anuais.

O valor de venda anual é de 43 trilhões de dólares

Há 54 milhões na latinos e 16 milhões de asiáticos.

O menor nível de desemprego é entre os asiáticos

Há 2 milhões de cubanos.

Há apenas 1 município (condado) americano com pib per capita equiparado ao Brasil.

________________________________

Em 2003, 67% dos pobres (menos de 21 mil dólares anuais) americanos diziam que tinham comida suficiente para o que quisessem comer.

Outros 26% diziam que tinham comida suficiente, mas nem sempre podiam escolher.

Apenas 1,5% não tinha comida suficiente.

Em 2005, 100% das casas consideradas pobres com crianças tinham geladeira, 99% tinham fogão, 98% tinham televisão, 82% tinham microondas,80% tinham mais de uma TV, 77% tinham ar condicionado e 62% tinham tv a cabo

Em 2008, a administração pública gastou 714 bilhões em programas de bem-estar.

70% das famílias pobres alegaram que cumpriram todas as despesas essencias, incluindo hipoteca, aluguel, contas de serviços público e despesas médicas.

Em 2010, havia 168 mil famílias sem-teto com crianças para um universo de 310 milhões de habitantes.

domingo, 7 de maio de 2017

Entrevista concedida a graduanda e ex-aluna da UNESP sobre Filosofia e Matemática

Por André,


Tive a felicidade de conceder uma pequena entrevista à ex-aluna Thais Vieira, atual graduanda da licenciatura de matemática da UNESP sobre filosofia, matemática e ensino.

Seguem as perguntas:


1 – Qual a sua formação? Quantos anos de experiência você teve ou tem com o Ensino Médio.

Sou graduado e mestre em Filosofia e em 2017 completo 27 anos de idade e 6 de docência no ensino médio (redes pública, privada e centro Paula Souza).

2 – Quais características principais da escola que atuou ou atua? Em que categoria atuou ou atua (efetivo, professor temporário, eventual, etc)?

Já atuei como contratado no Estado e no centro Paula Souza. Atualmente sou efetivo em uma escola particular e na rede pública estadual. Cada escola tinha e tem características muito próprias, que variam de acordo com a região, período letivo e classes sociais do público discente. E, muitas vezes, dentro do mesmo período há variações grandes na qualidade do ensino, a heterogeneidade do público só permite uma análise caso a caso.

3 – Quais livros didáticos e recursos didáticos você utilizou ou utiliza nas suas aulas?

Os livros didáticos oferecidos pelo programa do governo federal que, parte das vezes não foram escolhidos por mim. Grande parte desses livros eram os livros didáticos dos principais autores da área: Gilberto Cotrim, Marilena Chaui e Maria Lucia de Arruda Aranha. Os nomes variam de edição para edição.

4 – Comente sobre sua experiência com congressos, conferências e práticas docentes.

Como mantenho a carreira de pesquisador da minha área tenho uma experiência relativamente grande com esses eventos, mas acredito que não seja a regra do público docente em geral. Costumo participar de congressos, palestras e conferências como ouvinte e como palestrante numa frequência de no mínimo 3 por ano. Mas isso está mais atrelado à minha vida acadêmica que à minha vida docente.

5 – Em sua opinião qual a importância da filosofia na formação do ser humano?

Bem, acredito que seja suspeitíssimo para tratar desse assunto. Todos que desejam possuir uma sólida formação humana (ou espiritual, como dizem os alemães) precisam adquirir uma formação filosófica. Aqueles preocupados apenas com os aspectos práticos da existência não necessitam de uma formação filosófica, mas não sem abrir mão da própria humanidade, embora esse senso tenha se perdido e seja desprezado, muitas vezes, tanto pelos formados em exatas (“humanas é coisa de doido, é blábláblá, é inútil etc”) quanto – por incrível que possa parecer – pelos formados em humanas (“a verdade não existe”, “tudo é uma construção social” etc). Atualmente as bases das humanidades se encontram sob ataque, em xeque ou solapadas.

6 – O que você acha dos conteúdos sugeridos pela BNCC para a matéria de filosofia?

Ruins. Sou absolutamente contrário à BNCC, ela mutila a história intelectual do Ocidente, omite autores, acontecimentos e conceitos fundamentais para uma formação humana razoável. Considero a BNCC uma aberração. Creio que os currículos deveriam ser descentralizados.

7 – Em algum momento, em sua formação na área da filosofia, houve uma interdisciplinaridade com a matemática?

Sem dúvida, o que, aliás, surpreendeu alguns dos meus colegas. Faz parte do currículo dos cursos de Filosofia a disciplina de Lógica, onde há uma intersecção bastante grande com a matemática, não exatamente em seu aspecto aritmético e algébrico, mas em seus aspectos conceituais (conjunto, infinito, dimensões, limites, axiomas, postulados etc). Meu professor de lógica da graduação também é matemático.

8 – Comente sua concepção da relação entre filosofia e matemática.

Costumo afirmar que o mau aluno de matemática será um mau aluno de Filosofia. Os pilares da matemática são conceitos abstratos (números, incógnitas, formas geométricas etc) e os conceitos mais relevantes da Filosofia são igualmente abstratos: Beleza, Bem, Justiça, Verdade etc. As pessoas conseguem pensar num objeto bonito, mas não na Beleza, conseguem pensar numa afirmação verdadeira, mas não na Verdade. Daí que não compreendam a razão de encontrar o valor de uma incógnita ou jamais consigam vislumbrar para que usarão “aquilo” em sua vida prática. Abstrações não fazem parte da realidade visível e o senso comum tende a desprezar tudo que não puder ser submetido a um empirismo rasteiro.

9 – Em sua opinião a história da matemática está relacionada com a história da filosofia? Comente.

Sem dúvida. Os primeiros filósofos foram matemáticos importantíssimos (Tales, Pitágoras), muitos matemáticos modernos também (Espinosa, Descartes, Leibniz) e há um grande retorno à matemática na história da filosofia do século XX (Wittgenstein, Carnap, Quine, Schlick, Russell, Whitehead e outros). As nuances entre Filosofia e Matemática são muito maiores do que imagina o senso comum (que reverbera a oposição artificial entre exatas versus humanas).

10 – Comente se houve algum acontecimento marcante na sua carreira relacionado a interdisciplinariadade de conteúdos.

Na minha carreira intelectual sim, na minha carreira docente não. E isso se deve a duas razões: o nível geral das aulas de ensino médio é baixo e o interesse é pequeno, o que faz com que fique muito difícil chegar nos níveis elementares da própria disciplina, quanto mais níveis interdisciplinares e ainda porque a demanda interessada é muito pequena. Agora, no nível intelectual, as intersecções entre filosofia e matemática, filosofia e física muito me interessam e sempre procuro estar atualizado nessa literatura.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Palestra: por que os "especialistas" erraram tanto sobre Donald Trump e sobre o Brexit?

Por André,

Terei o prazer de, na próxima sexta-feira dia 12, ministra uma palestra na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo sobre os fenômenos Trump e Brexit e o estourar da bolha dos "experts". Compareçam:


Link do evento no Facebook, para ser lembrado no dia:

https://www.facebook.com/events/1434961049912045



domingo, 16 de abril de 2017

Como desenvolver a inteligência segundo Mario Ferreira dos Santos

Por André,



“(1) Leia as grandes obras da literatura universal, e procure vivê-las na imaginação e no sentimento. Recite os famosos monólogos da literatura como se fosse a própria personagem.

(2) Dedique-se um pouco à arte teatral. Leia uma peça de teatro e procure interpretá-la. Os exercícios com peças teatrais facilita viver diversas vidas, o que é também um estimular da imaginação.

(3) Exercitai a vossa imaginação. A leitura de poesias estimula o desenvolvimento da imaginação.

(4) Desenvolvei a vossa cultura. Para falar e escrever bem é preciso saber bem.

(5) Estabelecei um tesouro de conhecimentos e emoções.

(6) Exercitai a vossa memória.

(7) Cuidai da vossa personalidade e integrai-vos numa totalidade coerente.

(8) Concentrai vossas forças, meditai profundamente.

(9) Do que lerdes, anotai as coisas mais belas.

(10) Escrevei vossos pensamentos.”

Mário Ferreira dos Santos, filósofo brasileiro, em Práticas de Oratória.

domingo, 9 de abril de 2017

Olavo de Carvalho palestra em Harvard

Por André,

Olavo fala na palestra em Harvard que 80% dos brasileiros nas universidades não são completamente alfabetizados, e ainda cita a fonte da pesquisa.

Na plateia, uma menina universitária, em tom de provocação, fala que isso não é verdade, citando outro estudo, e diz "que esse debate tem que se dar no plano da realidade e não de achismos". Quando foram consultar o estudo que ela cita, descobriu-se que este, quando lido corretamente, ou seja, por alguém que não é analfabeto funcional, diz EXATAMENTE a mesma coisa que o estudo que Olavo citou.

Provar o argumento da outra parte tentando contra-argumentá-la: nada mais Brasil que isso. Feliz que estamos exportando o melhor do nosso volkgeist para as maiores universidades do mundo.

Livro "O agente do imperador e o dedo da morte", por Edson Santos

Por André,




"O agente do imperador e o dedo da morte", de Edson Miranda, com FRETE GRÁTIS!

E se o Brasil não tivesse se tornado uma república, mas tivesse continuado sob o governo da família imperial?

Não se trata de revisionismo histórico, amigo leitor, mas do romance de estreia de Edson Miranda “O agente do imperador e o dedo da morte”, ambientado em 2016 nesse Brasil hipotético, onde um agente especial do Imperador – o agente Reis – é convocado para proteger o país de um atentado terrorista!

Leitura empolgante, capaz de cativar todas as faixas etárias e criando uma nova personalidade heroica para nossa literatura.

Preço: R$ 29,90.
Pedidos devem ser enviados para: vendas@linodigi.com.br

sábado, 25 de março de 2017

O formalismo em estética continua vivo

Por Estadão,

Nick Zangwill já passou duas temporadas a trabalho no Brasil, mas em nenhuma delas teve a chance de apresentar suas ideias sobre estética na universidade. A entrevista que o filósofo nos concedeu da China, onde está trabalhando no momento, revela a oportunidade que perdemos. Catedrático da University of Hull, no norte da Inglaterra, Zangwill publicou em 2001 o livro The Metaphysics of Beauty, e desde então se tornou uma das maiores referências sobre o formalismo, uma corrente do pensamento estético que se tornou marginal pela influência das tendências pós-modernas e “desconstrucionistas” na filosofia.

O mercado editorial acadêmico ainda deve obrigar os leitores brasileiros a uma longa espera pela tradução de The Metaphysics of Beauty ao português. Pior para nós. A proposta de um “neformalismo moderado”, concebida por Zangwill, já se consolidou na estética contemporânea como uma passagem obrigatória para quem se interessa pelo tema. Ao revisar autores como Clive Bell e Roger Fry, a teoria de Zangwill demonstra que os excessos do formalismo ortodoxo eram bem mais razoáveis que o relativismo engajado do atual mundo acadêmico.

Na conversa abaixo, realizada a partir do interesse que a obra de Zangwill suscita no GEFAT (Grupo de Estudos Forma, Arte e Tecnologia, da Universidade Federal de Goiás), pudemos ouvi-lo sobre a sua trajetória acadêmica, as diferentes maneiras de fazer filosofia na universidade, o papel da crítica e dos curadores e, é claro, os principais aspectos da sua reflexão original sobre o formalismo.


Rodrigo Cássio: O formalismo é geralmente considerado um ponto de vista teórico envelhecido. Mesmo assim, em seu trabalho, você escreve em sua defesa na atualidade. Como você desenvolveu este interesse?

Nick Zangwill: Eu não acredito que alguém deva se preocupar com o que é novo ou velho. Nas Humanidades, pode haver um valor duradouro em visões antigas. Beethoven está na moda? Esta não é uma boa questão.

Como cheguei ao formalismo? Eu praticamente não estudei estética quando era estudante de graduação ou de pós-graduação. Entretanto, como uma pessoa razoavelmente inteirada, aproveitei várias atividades de natureza estética. Após terminar meu doutorado sobre metaética e começar a lecionar filosofia, eu descobri a estética filosófica. Fiquei surpreso com o consenso antiformalista, especialmente nos Estados Unidos. Então comecei a articular e defender o formalismo, que eu considerei a perspectiva mais sensata.

O antiformalismo parecia cego para aquilo que é obviamente importante. Além disso, os argumentos dos antiformalistas não eram tão bons como eles imaginavam. Na verdade, eram gritantemente petições de princípio ou argumentos de força limitada. Acredito que não ter feito meu doutorado em estética me deu um tipo de liberdade que me permitiu seguir na direção contrária da que alguém seguiria se tivesse sido escolarizado (submetido a uma lavagem cerebral, alguém diria?) no modo de pensar que é concedido aos estudantes de graduação.

Ademais, há o risco de você perder contato com os fenômenos quando está imerso na “literatura”. Você pode se tornar incrivelmente competente, mas enfadonho. Melhor ir ao encontro dos fenômenos com o olhar fresco.

Rodrigo Cássio: Na sua obra, Clive Bell e Roger Fry são criticados por suas posições sobre a “forma”, ao passo que Clement Greenberg, embora rejeitando o nome de formalista, é considerado um pensador sutil deste conceito. Como você classifica Greenberg?

Nick Zangwill: Bell e Fry, a despeito de suas virtudes, foram longe demais ao restringir a significação estética a questões formais. Este é um erro menor do que negá-las completamente, como fazem os antiformalistas. Em todo caso, há beleza na representação que está além da beleza formal das linhas e cores em uma superfície, e além da beleza formal das formas plásticas tridimensionais. É isso que nos diz o senso estético comum e a experiência.

Possivelmente, a emergência do formalismo em Bell e Fry coincide com o movimento modernista na pintura no começo do século XX. No entanto, eles fizeram afirmações de caráter mais universal. Eu penso que as afirmações de Greenberg foram restritas à arte significativa ou interessante de uma área particular. Greenberg provavelmente não estava fazendo afirmações universais, mas apenas dizendo que a melhor arte de seu tempo tinha preocupações e valores formais dominantes.

Muito se objeta que essa análise não se adequa ao surrealismo ou à pop art, mas talvez isso seja pior para o surrealismo e a pop art (que, afinal, podem ser muito triviais). Greenberg foi um crítico hábil que podia trazer à tona as virtudes formais da pintura em seus escritos. Mas eu diria que Greenberg pode ser demasiado voltado para os EUA: o que dizer de Dubuffet e Richter na Europa? Eles não entraram na narrativa americanista e triunfalista de Greenberg.

Rodrigo Cássio: Em The Metaphisics of Beauty foram publicados seus artigos sobre estética produzidos em um período de dez anos (1991-2001), incluindo a discussão sobre o formalismo. Você poderia explicar a sua proposta de um formalismo estético moderado?

Nick Zangwill: O formalismo moderado foi concebido para ser uma visão sensata e bastante desempolgada, que reconhece os valores formais suscitados pelos aspectos não representacionais da forma [design], a configuração espacial das cores e linhas na superfície, mas também outros valores estéticos que dependem de conteúdo representacional, ou ainda de outras funções não estéticas, como a história da produção [das obras].

O antiformalismo extremo tinha se tornado tão dominante, negando qualquer valor estético que emergisse da forma sem o conteúdo, o contexto ou a história, que o meu ponto de vista foi tido como como radical e até mesmo perverso. Eis o poder do paradigma.

Imagine a configuração de um texto na arte gráfica. As letras podem se adequar de maneira melhor ou pior ao espaço que há em torno delas, o que pode dar origem a uma grande arte, como no leste da Ásia ou na caligrafia islâmica. A adequação correta é o teste a ser feito. O que se chama de kerning na impressão de palavras significa que um “i” e um “m” ocupam diferentes quantidades de espaço. Sem o ajuste do kerning, um texto impresso parece horrível. O significado das palavras, embora possa estar relacionado com a forma das letras, é outro assunto. Ainda assim, questões relativas à pura forma visual são inevitáveis, mesmo se houver algo além da obra de arte visual. Tentar ver as pinturas simplesmente como artefatos de significado, ignorando sua visualidade, é algo muito pobre, é seguramente um desastre. As abordagens pós-modernas, é claro, são particularmente desastrosas, pois trazem à frente o significado, e isso bloqueia qualquer outra coisa.

Eu mudei um pouco a maneira como caracterizo este tema. No livro de 2001, The Metaphisics of Beauty, enfatizei propriedades sensoriais, tais como as disposições das cores e dos sons. Agora eu gostaria de enfatizar propriedades sensíveis, vistas de uma certa maneira (ver meu artigo Clouds of Illusion in the Aesthetics of Nature, na revista Philosophical Quartely, de 2013). Penso que toda beleza depende da aparência, do modo como algo se mostra para a visão ou se dá a ouvir. Algumas vezes, outras funções e significados são combinados com as aparências para produzir uma beleza complexa. Mas sem a aparência não há beleza. Nisso, estou em desacordo com o Platão de O Banquete. Não há uma beleza superior à beleza sensível. Gostaria de recomendar o livro Visuality for Architects, de Branko Mitrovic, sobre esse assunto.

Rodrigo Cássio: Qual a relação entre os conceitos de beleza e forma?

Nick Zangwill: Bem, as palavras e conceitos, aqui, são um tanto maleáveis. Eu prefiro usar “beleza” para uma ideia abrangente do valor estético. Se eu uso o termo “forma”, trata-se dos elementos visuais imediatamente disponíveis, que estão no nível mais básico de responsabilidade pela beleza ou fealdade. Aquilo que está disponível imediatamente à visão não inclui e tampouco é informado por fatos como a história do objeto ou a sua relação com distintos objetos. De fato, alguém pode experimentar a aparência de um objeto, mesmo sabendo que ele não é como parece ser.

Rodrigo Cássio: Ultimamente, tem-se a impressão de que a arte contemporânea está se tornando cada vez mais antiformalista. Para vários críticos e curadores, o conteúdo é muito mais importante que a forma, especialmente quando questões políticas estão envolvidas. Por exemplo, a 32a Bienal de São Paulo enfatizou o aquecimento global e a extinção das espécies. Como o formalismo moderado pode contribuir para a crítica contemporânea e as atuais práticas curatoriais?

Nick Zangwill: As artes visuais podem ser mais ou menos formais e mais ou menos significacionais. Eu não sou contra o conteúdo na arte, pois podem existir interessantes combinações de forma e conteúdo. O problema começa quando você tem uma arte política pregadora e didática, do tipo que você provavelmente está descrevendo, e que, em geral, é politicamente superficial e tediosa de se ver. Aí se presume que os artistas tentam vender o seu trabalho vinculando-o a alguma causa política da moda. O radical chique é, com frequência, uma boa estratégia de marketing. Desde Elvis Presley, os empresários inteligentes já tinha entendido que a rebelião pode ser comercializada. O “Efeito Elvis”, como poderíamos chamá-lo, pode assumir vida própria, assim como as pessoas internalizam a sua atitude (o que também é conhecido como “falsa consciência”).

Quando estas obras superpolitizadas não possuem valores formais interessantes, então você tem um duplo fracasso. Mas algumas delas são, de fato, formalmente interessantes. Elas podem ser belas. Então alguém pode desculpar o conteúdo, do mesmo modo que se desculpa uma ópera com grande música, mas que possui uma história boba. O verdadeiro segredo é combinar forma e conteúdo de maneira convincente. Há muita coisa formalmente interessante na arte contemporânea. Por exemplo, os trabalhos de Anish Kapoor e Cornelia Parker têm beleza formal.

A crítica de arte formalista não deve ter medo de abordar a obra como forma visual, independente do contexto, do conteúdo, da história, das posturas políticas, dos papos pseudointelectuais dos seus vendedores e assim por diante. Todo mundo, na verdade, reconhece as qualidades formais da arte, especialmente os artistas, mas você não espera que falem delas – é como quando levantamos para ir ao banheiro. Fale sobre a forma como crítico, e as pessoas ficarão felizes por ter esse importante aspecto da experiência reconhecido e valorizado.

Além disso, curadores já levam em consideração a forma quando fazem escolhas entre obras similares com significados similares. O problema é que é difícil falar sobre a forma tão bem como Greenberg fazia. Nós ainda deveríamos tentar, uma vez que isso é realmente importante para quem consome e faz arte.

Rodrigo Cássio
: No GEFAT (Grupo de Estudos Forma, Arte e Tecnologia/UFG), estamos interessados em cinema e arte tecnológica. Como você caracterizaria uma abordagem formalista dessas artes?

Nick Zangwill: Formalismo no cinema e na arte tecnológica! Uma interessante questão. Isso não é algo sobre o que eu já tenha escrito ou pensado muito a respeito. Lamento! Mas alguns dos filmes que gosto têm uma dimensão de forma visual: Ida, por exemplo, ou o meu filme favorito, Medea, de Pasolini. Mas haveria aí uma questão sobre como os valores formais estão integrados com a narrativa. Você se importa se eu não disser mais que do isso? Precisaria pensar por um ou dois anos…. Ou talvez o seu grupo, GEFAT, traga-nos alguma coisa! Berys Gaut tem escrito sobre este tema. Eu recomendo seus trabalhos.

Rodrigo Cássio: No Brasil, os comentários sobre os teóricos continentais ainda prevalecem na pesquisa acadêmica em filosofia. Um dos poucos autores analíticos da estética traduzidos no país foi Arthur Danto, e apenas recentemente os livros de Roger Scruton vêm sendo publicados. Autores como Monroe Beardsley ou Frank Sibley são muito raros na maior parte das discussões. Você poderia descrever as contribuições mais importantes para a estética produzidas pela abordagem analítica nas últimas décadas, particularmente sobre o tema do formalismo?

Nick Zangwill: A maior parte da estética no Brasil não é produzida no estilo claro e argumentativo da língua inglesa, e tem sido deixada para o nonsense pós-moderno e o “discurso” político doutrinário de origem francesa e alemã. Isso é uma vergonha, principalmente porque é irrelevante para a experiência com a arte e a criação atuais, a não ser, como observei antes, como publicidade. Vomitar uma nuvem de confusão e de vocabulário difícil raramente é sinal de profundidade, e costuma ser a tentativa de evitar clareza, na esperança de que os ouvintes não o vejam de maneira transparente.

Fico feliz que as pessoas no Brasil estejam lendo Roger Scruton. Beardsley e Sibley não escreveram para um público amplo, mas são pensadores importantes dos anos 1950 e 1960. Em um exemplo, Sibley se interessou por saber como a elegância da pintura está relacionada aos elementos que a geram (ver o artigo Aesthetic/Nonaesthetic, na Philosophical Review, 1965). Ele argumentou que se trata de um tipo de dependência que não nos permite generalizar para outros casos. Não há regras para a descrição estética. Beardsley discordou, apresentando um número determinado de princípios. O trabalho de Sibley nos permite levantar problemas sobre o formalismo.

A questão é: o que é responsável pela elegância e a beleza? Os elementos responsáveis por ela incluiriam, alguma vez ou sempre, a história ou o contexto do objeto, assim como a sua natureza física e aparência? Se sim, algum tipo de antiformalismo está correto. Se não, o formalismo está correto.

Rodrigo Cássio: Você já viveu no Brasil como professor visitante. Como foi essa experiência para a sua pesquisa?

Nick Zangwill
: Eu estive duas vezes no Brasil como professor visitante, uma no Departamento de Música da Universidade de São Paulo, e outra no Departamento de Filosofia da Unicamp. Intelectualmente foi muito estimulante. Apresentei vários trabalhos pelo país, principalmente sobre metafísica e epistemologia da lógica, mas nenhum sobre estética. Em Porto Alegre tive o privilégio de conhecer o grande lógico brasileiro Newton da Costa.

Há boa filosofia no Brasil, mas parece que somente na parte da lógica, da metafísica e da epistemologia, ao passo que as value areas [ética, filosofia política, estética etc.] são deixadas para a tradição continental. Eu acredito que isso vai mudar. Vejo alguma mudança na área de ética, mas não ainda em estética e filosofia política.

Embora eu tenha inclinação para a chamada filosofia “analítica”, eu realmente penso que Nietzsche é interessante (e alguém deve se lembrar de que ele era crítico de várias coisas na Alemanha, em vez de ser mais um na linha dos filósofos pós-kantianos). Fiquei satisfeito ao ver como ele é popular no Brasil, e que você pode comprar seus livros nas máquinas do metrô.

Eu tive um ótimo momento quando estive no Brasil. Tenho um amigo no Rio que me levou a rodas de samba maravilhosas. Aproveitei as caipirinhas e dancei forró. Também viajei para Buenos Aires a fim de conhecer tango e o divino bife de lomo. Eu sonhava em conhecer Brasília, o que finalmente fiz. Eu me lembro de ficar olhando as imagens dos seus prédios quando era criança. Oscar Niemeyer é maravilhoso. Lina Bo Bardi também é impressionante.

Minha piada filosófica sobre o Brasil é que os seus fundadores criaram o lema nacional errado. Eles erraram ao escolher a constante lógica “e”, em vez de “se, então”. O lema atual diz “Ordem e Progresso”, quando deveria dizer “Se Ordem, então Progresso”. Eu adoraria voltar ao Brasil para aprender mais sobre este imenso país e sua população diversa, além de participar da sua vida intelectual.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Novas regras para identificar terroristas

Por André,



Ontem em falei que o "atacante" (termo do Globo pra se referir a terrorista) de Londres era muçulmano antes da informação sair em qualquer canto da mídia ou até mesmo antes das fotos começarem a pipocar.

Qual meu critério? Muito simples.

Eu cheguei em casa pro almoço e fiquei sabendo do ocorrido com um plantão da rádio Jovem Pan. Na hora pensei: faz 3 horas que o atentado aconteceu. Essa informação me bastou para poder afirmar que se tratava de um terrorista muçulmano.

Apliquei esse critério em outros casos e o método tem uma margem de acerto de 100%: quando mais retardam a divulgação da identidade do sujeito, pode ter certeza que é muçulmano.

Se fosse um "radical de extrema-direita" a informação seria divulgada em muito menos tempo. Até mesmo porque isso reforça a narrativa que interessa aos poderes vigentes da "ascensão da extrema-direita xenófoba", do perigo da "onda conservadora" etc, ao passo que esses mesmos poderes ficam cheios de dedos para declarar a identidade dos terroristas, quando não, muitas vezes, sequer desejam divulgá-la (o governo alemão tentou essa com os ataques de Colônia).

Não falha.


quinta-feira, 9 de março de 2017

Marine Le Pen contra a ideologização da direita

Por André,



Eu não caio mais no engodo de desejar o candidato ideologicamente perfeito.

O facebook me lembrou hoje da publicação que eu fiz da Carly Fiorina dizendo que o Ted Cruz era o único que poderia conter o Trump. Ted Cruz era(é) o candidato perfeito para o que entendemos como conservadorismo americano (genial, constitucionalista, ótimo debatedor etc), ao passo que Trump sequer, penso eu, pode ser compreendido nas chaves tradicionais de análise política.

Hoje eu vejo como isso é bom e como esta eleição quase que certamente não teria sido vencida pelo Ted Cruz (um republicano antiestablishment, mas ainda "mais insider" que o Trump). Só um Trump conseguiria e conseguiu enfrentar e derrotar a máquina democrata de assassinar reputações, espionar e mentir.

É por isso que, apesar de problemas e defeitos que circundam o Frente Nacional de Marine Len, a candidata deve contar com o apoio de todos que realmente desejam afastar a esquerda do poder e enfrentar o PIOR problema para o mundo europeu hoje: o jihadismo caseiro.

Mais senso de realidade, menos ideologia.