quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

O problema da definição – como a política de cotas PODERIA colapsar

Por André,

Em janeiro de 2014 escrevi um texto chamado “O problema da definição. Como a política de cotas poderia colapsar”, cuja profecia estava correta em sua essência, mas falhou devido a minha pouca fé na loucura humana com motivações ideológicas.

Segue o texto, com comentários novos e frescos logo na sequência:

“Também circulou por esses dias na internet um vídeo de um sujeitinho muito tosco (custei a acreditar que a história do vídeo era real) chamado Craig Cobb e tido como “supremacista branco”, onde o próprio está num programa de TV em que, após ser submetido a um teste de DNA, descobre que tem uma porcentagem razoável de ascendência africana, jogando sua “branquitude” pura por água abaixo:

Segue em Burke Instituto Conservador:

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Tradução para o Burke Instituto: "Radicais Tristes"

Por André,

Quando me tornei anarquista, tinha 18 anos, estava deprimido, ansioso e pronto para salvar o mundo[i]. Me mudei para junto de outros anarquistas e trabalhei num café cooperativo vegetariano. Protestei contra o endividamento de estudantes, a privatização das penitenciárias e das extensões de gasodutos. Tinha números de telefone de advogados escritos no meu tornozelo e ajudava amigos que haviam sido atingidos por spray de pimenta em manifestações. Diagramava revistas, vivia com a minha “família por escolha” e declamava poemas surrados sobre o fim do mundo. Tudo enquanto minha comunidade desconstruía o gênero e a monogamia, além de questões sobre saúde mental; vivíamos e respirávamos conceitos e ferramentas como o denuncismo imediato contra qualquer forma de intolerância (call-outs), “interseccionalidade”, apropriação cultural, alertas de gatilho (trigger warnings), lugares seguros (safe spaces), teoria do privilégio e cultura do estupro.

O que é uma comunidade radical? Para os propósitos desse artigo, definirei comunidade radical como aquela que compartilha tanto uma ideologia de insatisfação completa com a sociedade existente devido a sua natureza opressora quanto um desejo de alterá-la radicalmente (ou destruí-la) porque ela não pode ser redimida por suas próprias regras[ii]. Ao fim, acabei deixando minha comunidade radical. A ideologia e as pessoas que a compunham me deixaram destruído e como um náufrago desiludido. Conforme me livrava da doutrina, assisti uma versão diluída da minha ideologia radical explodir na academia e entrar na moda: observei a Esquerda se tornar “lacradora” (woke)[iii].

Alguns comentadores alfinetaram justiceiros sociais a respeito da toxicidade da mentalidade lacradora (woke). Muitos radicais por toda a América estão cientes disso e estão tentando compreender o fenômeno. O livro Joyful Militancy, de Nicholas Montgomery e Carla Bergman, publicado ano passado, constitui a observação mais minuciosa da radicalidade tóxica desde uma perspectiva radical (tive um breve encontro com Nick Montgomery anos atrás. Minha claque anarquista não gostava da claque anarquista dele). Como ele próprios dizem, “há uma suave subcultura totalitária não apenas no hábito do denuncismo, mas também em como as comunidades progressistas policiam e definem as fronteiras que determinam quem está dentro e quem está fora”.

Montgomery e Bergman veem o radicalismo tóxico como uma questão exógena. Não ponderam a hipótese de o radicalismo ser ele próprio malévolo. Como resultado, as soluções que propõem são abstratas e vacilantes, como “aumentar a sensibilidade e vivenciar situações de maneira mais plena”. Talvez isso seja o porquê as soluções existem todas para além das fronteiras do pensamento radical. Conforme Jonathan Haidt apontou, “a moralidade limita a visão e restringe”.

Infelizmente, a toxicidade nas comunidades radicais não é um equívoco. É um traço. A ideologia e as normas do radicalismo evoluíram para produzir sujeitos tóxicos, paranoicos e deprimidos[iv]. O que vem a seguir é um panorama do que acontece em comunidades que são radicais, apaixonada e sinceramente lacradoras (woke), visto da perspectiva de um apostata.

CONTINUA EM BURKE INSTITUTO CONSERVADOR:

https://www.burkeinstituto.com/blog/especial/radicais-tristes/

Também em versão revisada no:

https://xibolete.uk/radicais-tristes/

domingo, 20 de janeiro de 2019

Guia definitivo para liberais e conservadores sobre “meritocracia”: da meritocracia à “fracassocracia”

Por André,

A esquerda adora usar certos lugares-comuns para atacar o caráter de interlocutores de não-esquerda. “Cidadão de bem” e “pai de família” estão entre eles. E também a famigerada “meritocracia”. Pretendo esgotar essa questão nesse texto, esclarecendo o que é a tal meritocracia e qual deve ser a abordagem correta em relação a ela[i].

No que diz respeito ao seu uso mais frequente, como lugar-comum e espantalho, nada a ilustra melhor que a imagem a seguir (e variações):


Imagem: Reprodução

Na cabeça de esquerdistas, a meritocracia é a justificativa reacionária para todas as mazelas do mundo. Quem está mal, assim está porque lhe falta mérito; caso o tivesse, qualquer anônimo miserável seria o Steve Jobs. E muitas vezes, equivocadamente, liberais, libertários ou conservadores caem na armadilha e se põem a defender mais ou menos essa versão do conceito.

Caso essa seja a meritocracia a ser defendida, estaríamos todos obrigados a concluir que 99,99% dos seres humanos não têm mérito, visto que a ocorrência de gênios que derivam riqueza financeira estratosférica a partir do nada é estritamente ínfimo. Não existem Steve Jobs, Bill Gates, Silvio Santos em cada esquina (ou existem e então a “meritocracia” é que não existe).

sábado, 19 de janeiro de 2019

96% da academia é de esquerda

Por André,



A Academia migrou pra Esquerda nas últimas décadas. Mas quanto? Bom, apenas 96% dos acadêmicos são de esquerda.

Pesquisa:

https://heterodoxacademy.org/professors-moved-left-but-country-did-not/?fbclid=IwAR2Lmj_6CEgKk_dWJOEfBw-Gd5-5Erza8yt2t4IakjDs1k0QDSu2tny5OfA

Figura 3, frequência de opiniões de esquerda = 96% NOVENTA E SEIS:

"Only one social psychologist, out of a sample of 327, had views that were right of center".

Isso explica porque classe média e alta migraram pra esquerda (nada a ver com estudo ou esforço intelectual, apenas influência do meio e controle das idéias circulantes). O novo aqui são os números, por observação já sabíamos disso desde a década de 90 - ou antes.

Prospectos para o Brexit

Por André,



O prospecto de um segundo referendo no Reino Unido se torna cada dia mais provável - embora eu ainda duvide um tanto. O ex-premiê Tony Blair está em campanha por isso, o partido Liberal-democrata, reduzido a pó nas últimas eleições gerais, está em campanha por isso. O Brexit-man, Nigel Farage, vem alertando para sua possibilidade todos os dias.

É do histórico da UE tentar (e conseguir) reverter resultados populares do seu desagrado, isso já foi tentado e obtido na Irlanda e na Noruega.

Contudo, estou vendo a trincheira favorável à ideia novamente cheia de si e demasiadamente crente que dessa vez venceriam o voto. Pode ser arrogância, excesso de confiança, crença numa eventual falta de lisura no processo.

Por duas vezes assistindo um programa popular da BBC, o Question Time, vi um membro da plateia e hoje mesmo um membro do partido Trabalhista (Diane Abbott) citar o famoso ditado americano "cuidado com o que deseja, você pode acabar conseguindo".

Na outra vez, o membro da plateia falou que um segundo referendo poderia levar "um Donald Trump ao poder". Hoje, Abbott disse, apesar de defensora da permanência na UE, não crer na vitória da sua posição.

Tentar outro referendo, para agora obter o "resultado correto", coisa que o governo disse que levaria pelo menos 1 ano para ser organizada, pode despertar ainda mais raiva nos leave voters e mais raiva das pessoas contra a classe política.

A análise não me parece de toda errada.

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O acordo ruim de May foi rejeitado no Parlamento por margens históricas. Os jornais deram ares de fim ao brexit, mas a coisa é bem mais complicada:

- o artigo 50 foi acionado e o governo tem até 29 de março para sair da UE. Uma indecisão pode conduzir a uma saída sem acordo algum (possibilidade que Jeremy Corbyn quer descartar para começar a negociar qualquer outra coisa). O prazo do artigo pode ser estendido, mas todos os membros da UE precisam concordar com isso.

- May promete tentar negociar com parlamentares da oposição um novo acordo. Com todo o desgaste e a desconfiança dos parlamentares tories quanto a sua liderança tornam isso altamente improvável. 118 tories votaram contra o acordo de sua líder.

- Um segundo referendo precisa ser aprovado pelo parlamento, organizado e não há certeza de um resultado diferente. Um resultado inverso e apertado manteria o clima de tensão no país.

- Jeremy Corbyn quer eleições gerais, é claro, porque crê que pode vencer. Além de sua vitória não ser exatamente certa, os mesmos problemas continuariam e acreditar que o parlamento concordaria com sua versão do acordo é wishful thinking.

- é pura especulação achar como isso afeta a imagem da UE, das classes políticas e do Reino Unido nos demais países. Pode despertar tanto um desejo de permanecer longe de um caos como esse em caso de eventual saída da UE, como pode estar mostrando o desprezo da classe política e dos burocratas europeus para as decisões soberanas internas dos membros do bloco.

Uma coisa é certa, a emoção está garantida.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Discurso de posse de Ernesto Araújo confirma minhas expectativas

Por André,


Nos textos em que expliquei meu voto em Bolsonaro, coloquei a política externa em muita alta conta e como elemento importante de justificativa do meu voto.

Quem preferir se perder nos preciosismos, que se perca.

Quem preferir se perder nas picuinhas também.

Quem quiser reclamar porque ele cita Guenón e Evola, realmente, isso vai mudar o eixo da terra de lugar, pode acreditar.

Ao que tudo indica meu voto está suficientemente justificado.

O discurso foi transcrito pela brilhante Estudos Nacionais e pode ser lido aqui.


Hangout retrospectivas 2018 com Junior Pereira

Por André,

No hangout com meu amigo Junior abordamos os seguintes temas:


- destinos do Brexit.

- governo Trump, neoconservadorismo, paleoconservadorismo, Ernesto Araujo.

- eleições no Brasil/tentativa de assassinato do Bolsonaro.

- derrotas da esquerda nos últimos anos e o que fazer quando isso acabar.

- fake news/redes sociais/internet.

- crise no mercado editorial brasileiro.

- campanhas encampadas por artistas, seu fracasso e Saul Alinsky.

- esquerda e medo psicológico incutido nas mentes.

- alguns livros-destaque de 2018.


segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Não-conservadores cientificistas estão alegando que Jordan Peterson não tem treino científico

Por André,

Isso veio de um daqueles punheteiros de adolescência tardia que se deslumbram com a aura da "ciência". Os mesmos que ordenham semanalmente propagandistas da "ciência" cheios de ativismo político por trás como Richard Dawkins, Carl Sagan, deGrasse Tyson, Lawrence Krauss, Bill Nye e outros.


"Só quem concorda comigo tem credenciais científicas", é no que acreditam esses paspalhos.


Jordan B. Peterson tem mais de 100 artigos publicados em periódicos científicos de prestígio. E esses, por sua vez, contam com mais de 10.000 citações.



Não é isso que a turma da ciência considera como critério único, exclusivo e canônico de mérito acadêmico e cientificidade?

O problema, exatamente como eu apontei no meu artigo "Por que precisamos de Jordan Peterson" não é e nunca foi o sujeito ter ou não as tais credenciais científicas, mas o quão adequadas suas opiniões são para a seita em questão (no caso, a da turma do não-conservadorismo ~científico~).

Afirmar que o marxismo se espalhou por áreas além da economia e da sociologia já é associação suficiente demais com o olavismo e Peterson vem dizendo que o marxismo (chame de cultural ou de marxismo cthulhu, é o de menos)* deteriorou a universidade porque espalhou seu repertório "analítico" por todas as áreas das humanidades, dando luz ao pós-modernismo, uma espécie de filho bastardo.

Pronto, traçar essa associação já é anti-cientificismo demais para algumas mentes. Já é identificação, voluntária ou involuntária, grande demais com o olavismo. Olavo não tem as credenciais acadêmicas, Peterson tem, mas os dois deveriam vender miçanga na praia, logo, definitivamente, as credenciais científico-acadêmicas podem ser cortadas da equação, pois não são elas que realmente importam (ainda bem que essa galera é bem restrita, pois chegar a essa conclusão inevitável seria um balde de água fria pra quem quer seguir carreira científica).

É incrível como não-direitistas que também são não-esquerdistas - liberais, libertários e coisas do gênero - transformam seu não-direitismo, nesse caso de tipo científico, tanto numa seita com regras restritas (denunciar o marxismo além das tantas é "astrologismo" e joga seu background científico no lixo) como transformam o marxismo numa vaca sagrada protegida por uma aura de intocabilidade até verbal.

*Certa feita estava a conversar com um marxista que estava cantando em prosa e verso a influência do marxismo na geografia, na sociologia, na filosofia, na história, na economia, na literatura, na crítica literária, na crítica cultural, na arquitetura e no urbanismo etc. Isso você consegue arrancar de qualquer marxista.

Aí se você diz que o marxismo foi longe demais e tem gente usando seu aparato teórico para analisar unha encravada, pronto, suas credenciais científicas vão pro buraco. E se você disser isso e não tiver credenciais científicas, também vai pro MESMO buraco.

Eu não sei vocês, mas se eu prefiro virar apostata do islã do que me meter numa seita dessas.