quinta-feira, 20 de junho de 2019

Apologia da Filosofia no OliverTalk: "A filosofia ainda serve para entender o mundo? Descubra"

Por André,

sábado, 15 de junho de 2019

Boris Johnson será o novo primeiro-ministro do Reino Unido? Ouça minha análise para o OliverTalk

Por André,

sexta-feira, 31 de maio de 2019

Podcast OliverTalk: O mínimo que você precisa saber sobre as eleições europeias

Por André,

sexta-feira, 10 de maio de 2019

Terraplanismos de esquerda

Por André,





A esquerda gosta de posar de portadora das verdades científicas e de monopolizar a ciência. Grande parte dos divulgadores da ciência são de esquerda: deGrasse Tyson, Carl Sagan, Bill Nye. Já tive a oportunidade de escrever sobre os ataques marxistas à ciência.

Contudo, a esquerda enquanto vertente de pensamento e enquanto hipótese de visão de mundo, tem um ról de crenças para lá de anticientíficas — para não fazer inveja em nenhum terraplanista. Segue uma lista de alguns, produzida com a ajuda dos meus amigos de Facebook.

O que vem a seguir não retrata nada do terreno das legítimas disputas ideológicas que envonvam direitistas, social-democratas, anarquistas, liberais, conservadores e esquerdistas “moderados”. São coisas epistemologicamente idênticas ou incrivelmente próximas do terraplanismo. Não são tratadas com o devido desdém apenas porque estão na trincheira de quem domina o debate público.

não existe rombo na previdência; é possível prover serviços e bens gratuitamente; é possível centralizar a economia e calcular preço sem mercado — terraplanismo econômico.
  • “gênero” (i.e, sexo) não tem lastro biológico; ninguém nasce homem ou mulher (mas nasce homossexual) — terraplanismo biológico.
  • todos os experimentos socialistas da História foram deturpações do socialismo “de verdade”; Holodomor não ocorreu; genocídio armênio não ocorreu; “conflito de classe” é a força motora da História — terraplanismo histórico.
  • corrigir a fala gramaticalmente equivocada de alguém é opressão, se é compreensível então vale tudo — terraplanismo linguístico.
  • Brasil “prende demais”; abolicionismo penal, cadeia como reabilitadora por meio de artesanato de garrafa pet — terraplanismo jurídico.
  • gordura/obesidade é lindo/saudável e quem discordar é “gordofóbico”; colesterol, diabetes e IMC são opressões — terraplanismo nutricional.
  • A Terra vai superaquecer e virar Vênus em 10 anos; apenas trilhões de dólares americanos dados de bom grado a chiqueiros terceiromundistas podem prevenir isso — terraplanismo ambiental.
  • facada em Bolsonaro foi “fake” e uma conspiração sionista envolvendo Santa Casa de Misericórdia, Albert Einstein e o governo de Israel para eleger o Biroliro — terraplanismo médico.

quarta-feira, 1 de maio de 2019

Mourão, por que você não se cala?

Por André Assi Barreto,



Antes das eleições todos achavam que um general para vice-presidente, escolhido a dedo por Bolsonaro, sepultaria os interesses da esquerda em um impedimento. Apenas eventual cassação de chapa seria do interesse deles, visto que o general deveria ser ainda mais firme e rigoroso que o capitão (não é?). Mas bastou gen. Mourão abrir a boca para percebermos duas coisas: nos primeiros meses ele se comportou como ombudsman – profissional que acata reclamações externas e tenta resolvê-las de maneira supostamente imparcial – do governo, não-requisitado, diga-se; a cada declaração de algum dos ministros de seu governo plantada como “polêmica” pelo quarto poder (que vilipendiou Mourão e sua chapa ao longo de toda a eleição), Mourão surgia para apaziguar e contradizer seus ministros (exemplos logo a seguir) e, ainda, as declarações de Mourão, por mais direito que o general tenha a elas, costumam ir na completa contramão da plataforma ideológica que levou Bolsonaro à presidência: autenticidade, característica totalmente vinculada à figura de Bolsonaro, era ele e não Mourão que era recebido por multidões nos aeroportos; conservadorismo de costumes e liberalismo na economia. 

A patente de general pode ser superior à de capitão, mas a de vice-presidente não poderia ser mais decorativa que a da senhorinha que serve café em relação ao CEO da empresa. Com um agravante: ninguém votou na chapa PSL-PRTB por causa do Mourão (nem por causa do PSL ou do PRTB, aliás), figura que virtualmente ninguém conhecia. PRTB/Mourão não agregaram tempo de TV, votos ou manobras com o centrão, porque PRTB e Mourão são praticamente insignificantes a esse respeito. Quem fez a campanha virtual, pelas redes sociais, para eleger a chapa que alçou Mourão à vice-presidência do Brasil foram os olavetes, que já estavam em campanha por Jair Bolsonaro há muito tempo, aliás, com clareza de pontos de vista indiscutível. 

Considerando isso, algumas trupes se juntaram: petistas e esquerdistas, que veem em Mourão desdizendo o governo do qual faz parte uma oportunidade para instar o caos, além de quererem apontar para uma suposta equiparação que, em verdade, é absurda: Mourão seria o Temer de Bolsonaro. Isso não poderia estar mais errado. Temer agregou à chapa petista tempo de TV, palanques pelo Brasil inteiro e a submissão da grande bancada fisiológica do PMDB aos projetos do governo e mesmo com toda essa contrapartida e poder de barganha, não se viu Temer agindo como se fosse chefe de governo de Dilma logo nos seus primeiros dias de governo. Aliás, isso nunca foi visto, exceto para dias antes da confirmação do impeachment. A comparação é absurda, Temer foi escolhido e aceito porque tinha muito a dar, de Mourão e do PRTB esperava-se, no mínimo, o apoio ideológico, já que a aliança surgiu supostamente por afinidade de ideias – algo que nunca veio. 

A estes dois primeiros grupos juntaram-se os “isentominions”, isto é, gente que não é de esquerda e não é petista, mas só consegue dar dois suspiros seguidos se reafirmarem publicamente sua isenção “crítica” com relação ao governo; inclui estirpes liberais, “turma da kombi” (eleitores ideológicos de Meirelles, Amoedo e Alckmin) e outros tipos isolados e numericamente insignificantes. Para estes, Mourão virou herói, mesmo que esteja em região distante deles no espectro político, pois suas tiradas contrárias a Olavo de Carvalho ocupam lugar especial no pedestal de prioridades: seja militar progressista e positivista, seja comunista, seja lá da coloração que for, uma lacrada anti-olavete tem preço inatingível para essa turma – e cada um tem os heróis que merece (isso inclui outras esferas de anti-olavetes: antissemitas, tradicionalistas, islamofílicos etc). 

Muita gente, que pensa exatamente do jeitinho que a esquerda quer que pensemos, pode estar surpresa com isso, porque “não é óbvio que um militar é um direitista malvadão”? A esquerda quer pintar todos à sua direita com a mesma cor, mas a verdade é que militares sempre tiveram uma ideologia não muito simpática ao conservadorismo. A ideologia predominante ali faz parte da velharia francesa, um daqueles lixos ideológicos que só sobrevivem depois de mortos no Brasil, como dizia Millor Fernandes, o positivismo. Daí vem a crença pueril no “progresso” como a marcha inevitável da humanidade, desde que os preceitos científicos sejam aceitos e implementados, então a marcha inexorável da ordem e do progresso triunfará. 

Nesse meio pode tanto haver espaço para algum ocasional conservadorismo de costumes, quanto para um caso quase completo de progressismo moral, como o de Mourão. Mesmo o propalado anticomunismo do regime militar, característica que, se demovida da narrativa histórica oficial, faz cair por terra as tentativas da esquerda de comparar nossos militares a outros ditadores ou ao próprio nazismo, pode ser questionado quando observamos, por exemplo, que o ditador comunista da Romênia, Nicolai Ceausescu, deposto e morto pelo seu próprio povo foi, antes disso, condecorado com a Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul pelo general Geisel. Não que isso seja prova de comunismo do general, evidentemente, mas conseguem imaginar qualquer um com um programa anticomunista (ainda que seja anarquista ou social-democrata) que congratule com a mais alta pompa um notório comunista? Não sabemos se Mourão faria isso, crê-se que não, mas quem sabe para agradar a imprensa? A mesma que quis destruí-lo com suas declarações escorregadias durante a campanha (e Mourão, nessa época, quem defendeu a honra da sua chapa não foram seus parceiros militares, mas a ativa ala olavete do governo que hoje você quer expurgar). 

Muito foi dito que Carlos e Eduardo Bolsonaro, além do professor Olavo, serem responsáveis por criar cisões e atrapalhar o governo, mas na pior das hipóteses, o inaugurador da cizânia fora o próprio Mourão quando decidiu autoproclamar-se ombudsman do governo. Uma pesquisa rápida e um punhado de notícias deixa isso evidente:






[Dica: apenas o homem que te deu a posição que ocupa e seus filhos]. 












Vice-presidente general Mourão, já sabemos que nada que levou o presidente Jair Bolsonaro à condição de presidente do Brasil é do seu agrado e já que você não revelou isso antes da eleição, poderia ao menos deixar de contribuir com a imprensa que quer destruir o governo do qual o senhor faz parte com fogo amigo? Atitudes dos seus ministros que não forem do seu agrado podem ser resolvidas internamente, sem querer jogar um prato cheio no colo da oposição do tipo “quanto pior melhor”. Se o seu desejo é ver o governo prosperar só há duas alternativas, a descrita acima ou se calar.

sábado, 27 de abril de 2019

THANOS É UM REVOLUCIONÁRIO

Por André,



THANOS É UM REVOLUCIONÁRIO

Nas HQs, o titã Thanos quer eliminar metade do universo para impressionar Hela, sua naramorada (g4d0 d+). No filme as intenções do vilão são mais nobres, afinal, o caminho para o inferno sempre está pavimentado de boas intenções. Os recursos naturais do Universo estão se esgotando, a fome se alastrando. Uma solução para esses problemas? Uma alteração radical, ainda que rápida e indolor, na ordem da realidade: metade dos seres vivos eliminados num estalar de dedos. E pronto. O problema da pobreza, das "barrigas vazias" e do meio ambiente do Universo estão resolvidos.

Thanos é um malthusiano. É o Malthusithanos. A crença do titã louco é uma figurinha carimbada e um trombetismo do apocalipse já conhecido por aqueles que já leram sobre Thomas Malthus, que afirmava que o controle populacional radical era necessário ou, do contrário, os recursos naturais do planeta iam se esgotar e a população crescente ia morrer de fome e inanição. Desnecessário dizer que dessas ideias para o genocídio é um pulo.

Thanos, como todo bom ditador egótico e bem-intencionado, quer salvar o mundo e acha que encontrou a fórmula. Ele só quer as crianças felizes, de barriga cheia e com o meio ambiente funcional. Os fins nobres justificam os meios não tão nobres. As intenções de Thanos, corrigir os equívocos da realidade num golpe curto de alguém que "sabe" como fazer não o coloca nem um pouco longe de um Hitler ou Stalin. Quem se puser no meio do caminho não é menosq que um inimigo desse futuro paradisíaco de ordem universal corrigida. Isso está expresso em Vigadores Guerra Infinita.

Em Ultimato, a mentalidade revolucionária de Thanos fica completamente desnudada. Seu projeto revolucionário falha, a desejada correção na ordem da realidade não funcionou, pelo contrário, a realidade se tornou completamente disfuncional, as metrópoles faliram, o Universo não prosperou.

O que se esperaria de uma mentalidade prudente? Uma retirada, um pedido de desculpas, passos atrás, o reconhecimento humilde que não é possível conhecer uma fórmula final para solucionar todos os problemas da realidade. George Orwell dizia que um problema com o discurso revolucionário é que ele dizia ser necessário quebrar alguns ovos para a omelete vir (i.e., para o paraíso ser instalado na terra será necessário matar alguns problemas no meio do caminho), o problema é que o omelete nunca vem.

Mas um revolucionário nunca admite seus erros. Como dizia Brecht, "quanto mais inocentes são, mais merecem morrer". Thanos agora não pretende aniquilar metade do Universo, mas o Universo inteiro para remodelá-lo à sua imagem e semelhança, sem que ninguém possa carregar a memória do passado imperfeito.

A crença na posse do conhecimento adequado para corrigir a ordem da realidade, as boas intenções, a ética dos fins justificando os meios e o método radical e repentino de fazer essa correção fazem de Thanos o arquétipo do revolucionário.


quinta-feira, 18 de abril de 2019

É Realizações lança coleção de romances filosóficos

Por André,




A É Realizações Editora lança a partir de hoje uma coleção chamada “Ficções Filosóficas”. Os três primeiros lançamentos da coleção entraram hoje em pré-venda no site (estão indo para a gráfica nos próximos dias). Como o próprio nome da coleção diz, nela constam ficções permeadas de questões filosóficas (e, na maioria das vezes, escritas por filósofos). São eles:


“A História de Rasselas, Príncipe da Abissínia”, de Johnson Samuel (um clássico da literatura inglesa, com prefácio de Theodore Dalrymple)


“Homens da Tarde”, de Mário Ferreira dos Santos (fascinante, romance inédito do filósofo Mário Ferreira dos Santos, inclui o fac-símile do datiloscrito original)


“As Memórias de Underground”, de Roger Scruton (genial, inspirado na experiência do próprio Scruton, como colaborador da resistência à União Soviética)


Como todos os livros em pré-venda, cada um está com 20% de desconto.


Mas também foram lançados hoje combos promocionais para a compra destes livros com descontos maiores (promoção válida até 01/05).


Compre pelos links abaixo (e ajude a página, com o crescimento da página, faremos sorteios de livros!):


A História de Rasselas, Príncipe da Abissínia




Homens da Tarde



As Memórias de Underground




Para os combos, vocês podem usar este link: