sábado, 17 de fevereiro de 2018

Enredo da escola que "denunciou o golpe" usou livro do intelectual orgânico Jessé Souza na sua bibliografia

Por André,

Página 178 do link: http://liesa.globo.com/material/carnaval18/abrealas/Abre-Alas%20-%20Domingo%20-%20Carnaval%202018%20-%20Atual.pdf

No início deste ano escrevi artigo alertando para a guinada da intelectualidade orgânica do PT para um discurso mais old school e revisionista (e menos superficial e histérico).

Alguns até duvidaram e insinuaram que eu estava superestimando a importância do livro "A Elite do Atraso" do sociólogo Jessé Souza, que quando escrevi o artigo já havia sido eleito pelos leitores da Amazon como melhor livro de não-ficção de 2017.

Pois bem, eis que, conforme imagem acima e link na legenda, a escola de samba "do lacre" contra o "vampiro neoliberalista", o golpe dos "coxinhas", os "paneleiros" e os "patos da FIESP" usou como uma de suas bases o livro do citado sociólogo. E quem leu o livro bem sabe que não se trata de uma menção para encher linguiça, a narrativa do livro foi expressa integralmente pela escola de samba.

A coisa toda não poderia ser mais petista: uma instituição movida a dinheiro do tráfico e da contravenção, que não emprega ninguém de forma registrada, bradando contra a corrupção e em defesa dos "direitos trabalhistas".

E o alerta segue: quando a direita deixará de ser meramente reativa e terá proposições sólidas para preencher o vácuo deixado quando refutamos as sandices ideológicas da esquerda?

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Um resumo do pensamento de Jordan Peterson

Por André,

Jorge Concepción nos brindou com um resumo das ideias do titã da liberdade de expressão, o psicólogo Jordan Peterson, em seu perfil no Medium. Segue o link:

As 12 camadas da consciência

Por André,

Aula 83 do Curso Online de Filosofia sobre a teoria das 12 camadas da consciência. Vale muito a pena assistir:

sábado, 3 de fevereiro de 2018

Regras para uma vida mais ordenada e menos caótica

Por André,

12 regras para a vida de Jordan Peterson

Duas das doze "regras para a vida" do novo livro do Jordan Peterson me chamaram a atenção, as regras número 3 e 4. Dizem elas:

3: "Torne-se amigo de pessoas que querem o melhor para você".

4: "Compare a si mesmo com quem você foi ontem, não com o que outra pessoa é hoje".

Essas duas regras, por si só, me parece que já podem dar uma contribuição e tanto para remediar o "caos da vida".

Não li o livro ainda e estou analisando essas duas regras puramente a partir da minha experiência de vida. Acredito que o próprio Peterson deve fazer isso no decorrer do capítulo sobre a regra 3, mas eu reformularia a coisa mais ou menos assim "relacione-se com pessoas que querem o melhor para você". Pode parecer o óbvio ululante, mas não é. Quem leu o livro "A vida na sarjeta" do Dalrymple tem ideia do que estou dizendo, muitas mulheres que fazem queixas de agressão de seus maridos relapsos acabam voltando pra eles, não porque gostem, mas porque o estilo de vida que adotaram só atrai relacionamentos assim.

Uso o "relacione-se" realmente em sentido lato: se sua família for normal, é provável que boa parte dos membros deseje sua felicidade. Altamente recomendável excluir da lista de Natal aqueles que você sabe que não querem o melhor para você. Depois, nos níveis em que você controla (afinal, parente ninguém escolhe) - amigos e relacionamentos amorosos, busque pessoas que realmente querem o melhor para você. Com muita vergonha, acho que o Peterson está dizendo mais ou menos o que eu disse quando falei de "cercar-se das pessoas certas" (https://goo.gl/QZQENf e https://goo.gl/2ocFgS) ano passado. Vocês já tiveram a experiência de ficar feliz pelo sucesso de outra pessoa? É um sentimento e tanto. É coisa de gente prospectiva e com sentido para a própria vida e, é claro, toda pessoa conscientemente sã quer estar cercado de pessoas assim. Isso faz pôr sua vida em um ordenamento claro e em perspectiva sobre o que você realmente quer.

Sobre a regra 4 e falando de uma experiência estritamente pessoal, me parece que realmente é o melhor a se fazer. Já estou praticamente totalmente convencido que não irei revolucionar o mundo (no bom sentido), descobrir a cura do câncer ou coisa do tipo, não faz muito sentido ficar me comparando com quem tem essa possibilidade mais nítida no próprio horizonte. Contudo, posso (e devo) me colocar da seguinte perspectiva:

- Dei alguma contribuição substantiva para a melhora do mundo, ainda que pequena e singela? Creio que sim.

- Posso continuar fazendo isso? Sim.

- Sou um ser humano melhor do que eu era há, digamos, 5 anos? Sim, em grande parte por ter tentado praticar com mais cuidado a regra anterior (particularmente a partir do ano passado), por ter tomado consciência da dimensão da sua importância.

Esse nível de autoavaliação e consequente autoconhecimento pode realmente ser útil.

Discurso de Donald Trump em Davos, com legendas em português

Por André,

sábado, 20 de janeiro de 2018

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Jordan Peterson dá BAILE em feminista militante disfarçada de jornalista no canal britânico "4 News"

Por André,


Leiam a análise de Douglas Murray sobre a entrevista:


E sobre o próprio Peterson:

https://www.spectator.co.uk/2018/01/the-curious-star-appeal-of-jordan-peterson/

Versão legendada no VIMEO, enquanto sobreviver:


Jordan B Peterson - Entrevista completa Pt from Markian on Vimeo.


PS.: mantenho link original e do VIMEO porque suponho que o vídeo possa ser derrubado em sua versão legendada.

Scott Adams, criador do desenho Dilbert e um dos primeiros a prever a eleição de Trump analisa a jornalista que entrevistou Peterson:




ATENÇÃO, NOVO LINK PARA ENTREVISTA LEGENDADA AQUI.

domingo, 14 de janeiro de 2018

Estamos na Gazeta do Povo: "Por que a América segue, sim, uma força mundial pelo bem e pela paz"

Por Gazeta do Povo,



Quero aqui fazer duas coisas: defender uma tese radical sobre a América e replicar o artigo “Os EUA já não são uma força global pelo bem”, em tradução do The New York Times divulgada pela Gazeta do Povo.

Primeiro, a tese radical: a América o império mais pacífico que a História humana já viu e a famigerada “pax americana” é uma dádiva geopolítica provavelmente incomparável também em proporção histórica.

Defendo-me: um império se faz à base de dominação política, militar, cultural-científica e econômica. A América domina todos esses campos com folga. No aspecto militar, poderia subjugar qualquer país do planeta sem maiores dificuldades, continentes inteiros poderiam ser colônias americanas nesse momento. Mesmo assim, esse não é o caso até mesmo nos países cuja presença militar americana é constante; o Iraque pós-2003 não virou uma colônia americana e por frustrada que tenha sido, o que se tentou ali foi estabelecer uma democracia[1].

Não afirmo que a América faça isso por bondade, mas porque seus interesses imperialistas convergem, peri passu, com a manutenção (ainda que, às vezes, relativa) das soberanias nacionais dos demais países do globo. Isso, por si só, já alça o imperialismo americano a uma condição única (e desejável) na História. As vontades imperialistas vorazes de China e Rússia são exemplos vivos do que digo, uma eventual substituição da pax americana por uma pax russa ou chinesa (ou, pudera, islâmica!) nos faria rememorar o terror dos antigos impérios (julgo que parte dos que criticam a posição de supremacia americana façam isso com ciência do que digo aqui, outros, o fazem por puro desconhecimento de História humana, crendo que eventual derrocada do império americano implicaria em algum tipo de “paz perpétua” kantiana), onde, simplesmente, não haveria a paz que temos hoje e tampouco o conceito de soberania nacional.

Dessa forma, a América é o império mais pacífico já visto até hoje. Desnecessário ressaltar que ser o mais pacífico não significa absolutamente pacífico, portanto, réplicas como “e o Iraque?”, “e a Síria” (intervenção perpetrada por um dos presidentes mais antiamericanos de todos os tempos) não refutam minha tese. Algum belicismo sempre haverá, a questão é quanto e como. E minha tese não se compromete com uma aceitação tanto a priori como a posteriori das ações externas dos EUA – a priori estou ao lado da América em suas medidas de política externa, a posteriori uma análise caso a caso sempre se faz necessária: retroativamente falando, a operação no Iraque foi um erro, o mesmo para a Líbia e a Síria e não diria isso sobre o Afeganistão, por exemplo.

Segundo, o artigo. Não sem antes chamar a atenção para o fato de que os que agora lamentam a suave “saída de cena” americana de certos cenários internacionais (“clima”, “direitos humanos” – eufemismos para controle global) com o início da era Trump são os mesmos que há pouco entoavam os mais fervorosos hinos antiamericanos. Logicamente, só poderíamos deduzir que louvariam o fato da tendência mais isolacionista do governo Trump (que ainda não atingiu os níveis desejados por Ann Coulter, por exemplo), mas parecem que na cabeça dessa gente a América joga apenas um jogo de perde-perde: caso intervenha, erra, caso se isole, também erra.

Fato é que o governo Trump está desconstruindo a política de Obama de enfraquecimento de aliados (Israel) e potencialização de inimigos (Irã) e isso nem é contradição com a política do “America First” e tampouco com o propalado isolacionismo, visto que tornar a fortalecer aliados da América é claramente um movimento de interesse nacional americano e tampouco é prova de que os EUA não são mais uma “força para o bem”. As elites se acostumaram demais aos ares rarefeitos de seu pedestal moral distante da realidade, sendo que nesse reino hiperbóreo a América só pode ser uma força para o bem no mundo se seguir as diretrizes globalistas da ONU, abaixar a cabeça para a União Europeia, render suas armas e financiar o “fim” (na verdade uma diminuição estimada de 0,2ºC em 100 anos se os 200 países do mundo colaborarem) do aquecimento global em poluidores contumazes como China e Rússia, conforme rezava o Acordo de Paris.

O que o artigo de Susan Rice faz, em resumo, é sintetizar toda a balbuciante argumentação anti-Trump, que pouco mudou após um ano de presidência, a despeito do índice de desemprego mais baixo nos últimos vinte anos (inclusive entre latinos e negros), recordes da Dow Jones, altas previsões de crescimento e retorno de capital estrangeiro para o país. Após 365 dias governo, os maus perdedores ainda querem emplacar a cantilena (já provada falsa) de “colusão” com a Rússia, colar a pecha de nazista no homem que tem netos judeus e se mostrou o mais firme aliado de Israel dos últimos anos e usar o fato de suas promessas de campanha estarem a ser cumpridas contra ele próprio!

Fato é que quando a América é forte, os inimigos dos valores ocidentais pensam duas vezes antes de agir, pois sabem que sentado na cadeira mais importante do mundo está alguém disposto a defender os valores que, em maior ou menor grau, todos defendemos e que qualquer ato impensado não será respondido com um muxoxo ou com uma coletiva de imprensa, mas com ação de mesma (ou maior) força, criando uma espécie de nova “paz armada”. Não apenas Kim Jong-un, rei do blefe, mas os demais líderes mundiais sabem que, se agirem temerariamente contra os interesses da América terão de arcar com a retaliação da maior potência que o homem já viu. Não consigo ver garantia de paz mais sólida.




[1] Vale ressaltar que simpatizo mais com paleoconservadores que com neoconservadores nesse tópico específico. Embora creia que os EUA seja um bom exemplo – genericamente falando – para o Ocidente, não compactuo da ideia que seu modelo deva sem replicado, a fortiori ou não, mundo afora. A ideia de “exportar democracia” para o Oriente Médio me parece tolice.

sábado, 13 de janeiro de 2018

História, conservadorismo e empirismo: a tradição histórica inglesa

Do Facebook de Nicolas Carvalho de Oliveira,

Vocês já perceberam que entre os intelectuais da direita os historiadores profissionais (não os amadores, como Narloch) costumam ser os mais intransigentes e rígidos? Três exemplos rápidos, dos mais conhecidos: Robert Conquest (maior historiador da URSS, junto de R. Pipes e O. Figes; primeiro historiador do Grande Expurgo stalinista), o ''anti-bolchevique número um'', segundo Chris Hitchens, o que disse que ''todo mundo que não se diz de direita é de esquerda'', Paul Johnson (maior historiador-geral), defensor da Guerra do Vietnã, que em 1999 se expressou publicamente pela extradição de Pinochet para a Espanha (ele estava preso na Inglaterra) e admirava, com ressalvas, o general Franco, e Niall Ferguson, o historiador-celebridade do momento, apoiador da Le Pen e Guerra do Iraque, que também disse que a imigração dos refugiados sírios na Europa é como a antiga brutal invasão dos hunos na Alemanha, popularmente conhecida como Völkerwanderung (invasões bárbaras).

O que eu quero dizer com isso? Que o estudo intensivo de história cedo ou tarde acaba com seu idealismo e te torna um puro realista prático. Te faz compreender padrões pela história e perceber o que dá certo e o que dá errado, sempre encontrando analogias históricas com acontecimentos atuais. Esse realismo e intransigência não existe, no mesmo nível, entre os filósofos e economistas de direita tanto quanto nos historiadores. Estes são estudiosos da pura empiria, do que ocorreu, e entendem como a realidade é dura, decepcionante e cheia de dilemas, com poucas ocasiões em que as decisões são fáceis e completamente limpas, sendo mais questão de colocar na balança o que é mais importante e optar pelo ''mal menor'', que os idealistas tanto rejeitam por não combinar com sua Weltanschauung pouco embasada e muito hipertrofiada.