domingo, 13 de agosto de 2017

O Milagre da Solidão, um belo e esquecido texto de Olavo de Carvalho

Por fiatjaf,

Lima Barreto foi, com Cruz e Sousa e Machado de Assis, um dos meus heróis carlylianos de juventude — “the hero as man of letters” —, o tipo do sujeito que pela força da auto-educação se eleva acima do meio opressivamente burro e se torna um educador de seus opressores.

Que os três fossem pretos era coisa que não me comovia especialmente. A discriminação que você sofre como parte de um grupo tem sempre o contrapeso da solidariedade entre a multidão de coitados: quanto mais o expelem de um grupo, tanto mais você se sente integrado no outro, e sempre resta a esperança coletiva de que os oprimidos de soje sejam os opressores de amanhã. Ruim, mesmo, é a discriminação que você sofre sozinho, sem o consolo da palavra nós e das ideologias salvadoras, rejeitado, graças ao estima da diferença, mesmo pelos seus companheiros de raça, de religião, de bairro, de geração. Aí você não tem para onde correr. Você é o próprio Cristo na cruz, abandonado por todos, desprovido de semelhantes. Nenhuma ONG vai fazer lobby em seu favor, nenhuma assembléia da Unesco vai denunciar que você é vítima de uma grossa sacanagem, a rainha da Inglaterra não vai estipendiar nenhuma fundação para socorrê-lo, nenhum editorial do The New York Times vai dizer que você é lindo e maravilhoso como o João Pedro Stédile. Para todos os efeitos, você está excluído até mesmo da classe dos dscriminados. Você é aquela mancha de meio milímetro no canto de uma foto do Sebastião Salgado.

Só o sujeito que passou por essa situação sabe que existe, no mundo, um tipo de mal que supera tudo o que a mídia denuncia, e que pensando bem, é a raiz da porcaria universal.

Explico-me. O herói do primeiro romance de Lima Barreto, Recordações do Escrivão Isaías Caminha, não sofre somente porque é preto e pobre. Ele sofre porque é um sujeito honesto num meio de vigaristas, um autêntico homem de letras num meio de farsantes, um gentleman no meio de carreiristas vorazes e grosseiros. Enquanto preto e pobre, consolava-se olhando a multidão de seus companheiros de infortúnio. Mas quantos semelhantes teria ele nas qualidades excelsas que o destacavam e o isolavam? Quantos irmãos tinha Cristo na cruz? A parte de Isaías que mais dói não é sua inferioridade social: é sua superioridade moral.

Mas Isaías traz ainda a marca do ressentimento racial. Ao escrevê-lo, Lima Barreto sente-se ainda o membro de uma determinada comunidade excluída e fala em nome dela. O livro resvala às vezes para o desabafo direto e, quanto mais se aproxima de uma cópia literal da realidade empírica, mais perde em altitude. O próprio Isaías também é de pouca estatura: ele é melhor que os outros, não mais forte: débil e tímido, reduz-se a uma vítima passiva das circunstâncias, tudo se resolve numa horizontalidade deprimente e, como dizia Antonio Machado, “cuán dificil es/ cuando todo baja/ no bajar también”!

No romance seguinte, Lima Barreto abdica de toda referência a uma injustiça social presente. O major Quaresma não pertence a nenhum grupo discriminado.

Não tem nenhum handicap que o identifique a esta ou àquela multidão de vítimas. Ele é auto-suficiente na luta pela vida. É mais forte, mais inteligente e mais valente que seu antagonista, o presidente Floriano. Quaresma não é discriminado porque algo lhe falte, mas porque tem força de sobra e a generosidade de querer ajudar a seu povo. Este segundo herói de Lima Barreto adquire assim uma altitude que faltava a Isaías. Ele já não é o personagem de um mero drama social, mas o herói de uma tragédia. Segundo Aristóteles, é essencial que o herói trágico seja um homem poderoso e especial: fora disso suas desventuras assinalariam apenas uma conjunção acidental de circunstâncias, suprimível e sem o alcance de uma fatalidade cósmica inexplicável.

Mas a derrota do major ainda é parcialmente explicável. Ele é um gênio criativo, mas, convenhamos, suas idéias são bem esquisitas. Ele tem esse resíduo de fraqueza, a meia loucura que o coloca a meio caminho entre o herói e o anti-herói. É por esse flanco que o inimigo consegue feri-lo. A morte de Quaresma nos deprime, mas não nos escandaliza como um absurdo completo. Há nela algo de razoável: o ideal do reformador era incompatível não só com o ambiente mesquinho da República florianista, mas com a reaidade tout court.

Esse último pretexto da injustiça é enfim abolido num romance seguinte de Lima Barreto, Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá. Gonzaga é um Policarpo Quaresma sem demência, um Isaías sem o handicap da juventude e da timidez. É um grande homem em toda a extensão da palavra — e sua vida termina no isolamento e na resignação, mas não na derrota. Solitário entre seus livros, o sábio desenganado observa o mundo com um olhar sem ressentimento nem sentimentalismo, cheio de uma compreensão serena que lembra, por mais de um aspecto, a do conselheiro Aires, mas livre daquele resíduo de negativismo schopenhaueriano que foi até o fim a marca registrada de Machado de Assis.

A trilogia barretiana mostra-nos a evolução do ideal do humano do grande escritor, retratada na gradação espiritual dos heróis: o jovem talentoso esmagado pelo mundo, o combatente exaltado e semilouco, o sábio estóico soberano e calmo que permanece de pé enquanto o mundo em torno cai. De personagem a personagem, há uma progressiva depuração e interiorização do ideal, que vai se afastando da situação empírica imediata para se tornar cada vez mais universalmente humano e, na mesma medida, se desliga de todo ressentimento coletivo para encontrar o sentido de uma vida não na vingança, mas no perdão.

O perdão, aqui, não deve ser entendido na acepção beata e sentimental, mas no sentido etimoçógico de per-donare, completar o dom: o mundo não nos persegue porque é mais forte que nós, mas porque é mais fraco. Ele nos persegue porque algo lhe falta: a sabedoria. Como no verso de Santayana: “O world, thou choosest not the better part!” . Ao superar o ressentimento coletivo, o sábio “escolhe a melhor parte” e é o único que, no fim das contas, é rico o bastante para ter o que dar. Gonzaga não é verdadeiramente derrotado. Expelido do mundo, prossegue a busca da verdade, sempre disposto a compartilhá-la com o discípulo que o procure. “The hero as man of letters”: o oprimido tornou-se educador do mundo opressor.

Juntas, as três obras maiores de Lima Barreto formam um poderoso Bildungsroman — o romance da vitória de uma alma sobre si mesma e, por meio disto, sobre o mundo (*).

A transfiguração do oprimido em benfeitor é um milagre que se repete incessantemente na história. Raramente houve um sábio, um santo, um mestre cujos prodígios de generosidade não brotassem dos extremos de discriminação e solidão padecidos na infância, vencidos e superados pela alquimia da maturidade. É a mensagem final do Rei Lear: “Ripeness is all”.

Mas isso só acontece àqueles que sofreram a discriminação sozinhos, sem ter uma raça, um partido, uma ideologia, uma ONG e fundações internacionais a que se agarrar. Quem tem essas coisas não precisa atravessar o caminho da ascese interior. Pode encontrar alívio e reconforto na ilusão de que o ódio dos vencidos é um sentimento moralmente superior ao orgulho dos vencedores. Pode escapar da solidão fundindo-se na massa vociferante dos comparnheiros de partido, sonhando morticínios justiceiros que serão, na sua cabecinha imunda, a apoteose do bem. Foi dessa ilusão sangrenta que a leitura da trilogia de Lima Barreto me libertou, mais de trinta anos atrás.

A diferença entre povo opressor e povo oprimido é apenas quesão de ocasião, e a “solidariedade com os primidos” é apenas o véu ideológico que bsuca embelezar e legitimar, de antemão, os massacres de amanhã. Esse reconforto “ético” é, no fundo, uma fuga da consciência: todo povo orpimido esconde os lances vergonhosos de sua própria história, para poder acreditar-se melhor que os opressores. Não há um só movimento de libertação e de direitos que não se funde nessa mentira essencial, em que se afiam os espetos de futuros holocaustos. Durante um milênio faraós negros arrancaram sangue do lombo semita, para terminar sendo vendidos como escravos e hoje tentar comover o mundo com seu discurso contra os judeus comerciantes de escravos. Os alemães encontraram na humilhação coletiva a inspiração para perseguir os judeus, e a fumaça do holocausto ainda santifica o fuzil isralense a cada tiro que dispara sobre um palestino armado de pedras.

Reihold Niebuhr assinalava a diferença de nível ético, estrutural e intransponível, entre o indivíduo e a comunidade. Para o indivíduo, o sofrimento pode ser o princípio da sabedoria. Para a comunidade, é o motor da violência, que puxa o carro da história na direção da fornalha ardente em cuja beirada um cartaz anuncia: “Justiça e Paz”. Em face disso, a serenidade de M. J. Gonzaga de Sá é a resposta final aos padecimentos do jovem Isaías Caminha, e o heroísmo semilouco de Policarpo é uma etapa, a ser vencida, no caminho do entendimento.

(*) É a única obra desse gênero na nossa literatura, se descontarmos a novela de Guimarães Rosa A Hora e Vez de Augusto Matraga, a que o filme de Roberto Santos deu interpretação inversa, injetando-lhe aquela mistura de negativismo brasileiro e marxismo de botequim que torna a redenção de Matraga um gesto inútil por não se enquadrar, como ato isolado, na estratégia geral do Partido.

Fonte: Bravo! nº 13, outubro/98, edição de primeiro aniversário.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Uma imagem contra a política de refugiados da Europa

Por André,



A Alemanha, graças a seu complexo de culpa pós-nazista, abriu suas fronteiras para cerca de 2 milhões de supostos refugiados. E mesmo depois após declarações do Estado Islâmico dizendo que infiltrou terroristas entre essa massa de pessoas, muita gente segue defendendo uma política de "open borders" sobre refugiados.

Vamos aqui, para fins argumentativos, admitir que há algum controle em quem entra (não há) e que a maioria é composta de gente decente, que não são imigrantes econômicos e que são bem-intencionados (se não sabemos quem entra não há como saber nada disso).

A escolha que se coloca diante dos burocratas da União Europeia e dos defensores de uma aceitação irrestrita de refugiados poderia ser chamada de "dilema dos M&Ms envenenados".

Suponha que você está na seguinte situação: alguém lhe oferece uma tigela com 1.000 M&Ms. Você sabe que desse universo de 1.000, 5 doces estão envenenados com uma substância fatal. Mesmo sabendo que a grande maioria dos doces não fará mal algum, você comeria tranquilamente os M&Ms? Daria a tigela para seu filho? Os cidadãos europeus estão exatamente diante desse dilema, mas talvez nem todos encarem a situação com esse grau de crueza e seriedade.

Embora o exemplo seja hipotético, a situação foi alvo de uma pergunta para o jornalista britânico Douglas Murray em palestra. Um membro da plateia foi perguntado se aceitaria normalmente 1 milhão de refugiados mesmo sabendo que entre esse milhão há um homem-bomba. O sujeito da plateia disse que seguiria aceitando o milhão (ao que me parece, pelo contexto da palestra, movido a algum tipo de culpa colonialista), ao Murray sempre de forma sagaz replicou: "isso é válido até seu filho querer ir a um show da Ariana Grande" [referência aos atentados de Manchester): https://goo.gl/asCLhw.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Por que a rede Globo emplacou a ideologia de gênero?

Por André,

Um dos mitos que "fez minha cabeça" (no sentido que sempre estive a pensar nisso, seja por doutrinação direta, seja por reflexão própria, seja por ler algum artigo de opinião etc) - não apenas a minha, a de muita gente, é a ideia que de alguma forma a Rede Globo é um bastião do direitismo, algo que, politicamente, se encarna - segundo os defensores da ideia - numa defesa enviesada do PSDB. Lembro de ouvir essa cantilena em sala de aula durante meu ensino médio.

A coisa é tão histérica que lembro de gente sugerindo que o reclame em comemoração aos 45 anos da Rede Globo era uma forma velada de propaganda para o PSDB.

Pois bem, eu consegui observar muito rapidamente, assistindo a UM único intervalo comercial da emissora, a simpatia pela ideologia de gênero em pelo menos quatro atrações: a novela com a mulher trans gay ("A Força do Querer", onde a criadora Gloria Perez é assessorada por uma trans para construir a narrativa); o programa da Fátima Bernardes, que traz o tema diariamente na hora do seu café da manhã; a "novela" Malhação que agora conta com o subtítulo (sic) "viva a diferença" e o letreiro do programa "Video Show", cuja letra "o" é recoberta por um arco-íris.

Quem via propaganda subliminar pró-tucana no comercial de 45 anos da Globo vai admitir que a emissora passa por um nítido movimento propagandístico da ideologia de gênero?

Nos EUA estima-se que 0,3% da população apresente alguma forma de transgeneridade, quem está por trás da propaganda diuturna do modo de vida de 0,3% da população e qual a origem de tanta "preocupação"? Quando o pessoal que vê na Globo a defensora dos direitistas nacionais vai se fazer essa pergunta?

domingo, 16 de julho de 2017

Denúncia grave: partidos de extrema-esquerda cooptam crianças e estupram garotinhas

Por Trip,

Confiram importante trecho da entrevista com Marília Coutinho (irmã do cartunista Laerte), hoje importante halterofilista brasileira, doutora em Biologia, mas que passou maus bocados na adolescência com os "amigos" comunistas da família:

"O quanto sua relação com o levantamento de peso mexeu com a sua identidade?" 
Aconteceu mais de uma vez. Fui uma criança “problemática”. Tinha pouquíssima capacidade de comunicação, dificuldade de interpretar ações não verbais, medo e depressão. E tinha surtos de violência quando sentia medo. Até que tive a oportunidade de fazer esportes. E foi algo muito disciplinador e ajudou a integrar pedaços de mim que estavam perdidos. Fiz atletismo, vôlei, fui campeã brasileira de esgrima. E isso me deu muita estrutura. Aquilo era a minha vida, até que eu fui arrancada do esporte...

"Como assim, arrancada?" 
Foi quando o Partido Comunista Brasileiro achou que eu tinha que parar com aquele desvio pequeno-burguês. Eu tinha 15 anos... 
"Mas você já era do partido comunista nessa idade?" 
Não, mas o meu entorno era. Irmãos, amigos da família. E eles exerciam um poder enorme sobre a gente. E em determinado momento um deles chegou pra mim e disse: “Olha, chegou a hora de você largar essas coisas e entrar na luta. A vida do militante tem que ser exclusivamente a revolução. E acabou”. O discurso era muito persuasivo, principalmente para uma adolescente culta, sob uma ditadura. Aquelas pessoas destruíram parte da minha vida. 
"Destruíram de que forma?" 
Eram violentos. Fui muito maltratada dentro das organizações de esquerda. Primeiro no Partido Comunista Brasileiro. Mas pelo menos no Partidão era só tortura psicológica. Bem melhor do que na outra organização da qual eu fiz parte, a Convergência Socialista, hoje o PSTU. Lá eu fui estuprada... E tinha que suportar, porque contar seria traição. A luta era mais importante – e os homens eram mais importantes. As militantes de base eram obrigadas a fazer sexo com os líderes. Tem militantes de uma geração anterior à minha que não sabem se foram mais agredidas pelos torturadores ou pelos companheiros. E eu era uma menina novinha, 16 anos, loira, de olho azul... prato cheio.

Resta ainda alguma dúvida para alguém que, se não ficamos sabendo disso antes, é porque há um domínio praticamente absoluto da narrativa histórica por parte da esquerda? Alguém acredita que Marília foi a única vítima desse tipo de coisa? Vocês têm notícia de militares estuprando filhas de colegas por prazer sádico?

segunda-feira, 10 de julho de 2017

O ar irrespirável do politicamente correto

Por Estadão,


Professor de biologia evolutiva da faculdade Evergreen foi alvo dos 'guerreiros da justiça social' e quejandos

Helio Gurovitz, O Estado de S.Paulo

O ar na faculdade Evergreen, no Estado americano de Washington, ficou pesado para o professor de biologia evolutiva Bret Weinstein. Típico acadêmico esquerdista, desses que apoiam Bernie Sanders e Occupy Wall Street, Weinstein tornou-se o último alvo dos “politicamente corretos”, “guerreiros da justiça social” e quejandos.

Suas aulas foram interrompidas no início de junho por manifestantes que o xingavam de racista e queriam expulsá-lo do câmpus. O motivo era um e-mail em que ele se dizia contrário à mudança que a direção fizera numa tradição que data dos anos 70: o Dia de Ausência. Inspirados na peça homônima do dramaturgo Douglas Turner Ward, em que negros paralisam uma cidade ao ficar um dia em casa, os alunos e professores negros deixavam de ir ao câmpus durante um dia, em gesto simbólico contra o racismo. Neste ano, a direção resolveu que os alunos e professores brancos é que deveriam ficar em casa naquele dia.

“Há enorme diferença entre um grupo decidir voluntariamente se ausentar de um espaço compartilhado, para sublinhar seu papel vital subestimado, e encorajar outro grupo a ir embora”, escreveu Weinstein na mensagem. “O primeiro é um chamado à consciência que fere a lógica da opressão. O segundo é uma demonstração de força, um ato de opressão em si.” Seu argumento irrefutável despertou ira e violência. Manifestantes tomaram o câmpus armados com tacos de beisebol, spray de pimenta e canivetes. A revolta cresceu depois que ele deu entrevista à Fox News, e o câmpus foi invadido também por seus defensores. A direção foi incapaz de manter sua segurança.

Weinstein duvida que tenha condição de voltar às aulas no próximo semestre. “Não tenho interesse em interagir com uma comunidade tão confusa a respeito da realidade quanto Evergreen”, diz. O que mais o chocou é haver, numa faculdade, tanta gente “imune ao aprendizado”. Não é só em Evergreen.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Avançam os tribunais raciais no Brasil

Por André,



Em 2014 eu escrevi um texto (https://goo.gl/wFsAVs) afirmando que cedo ou tarde a política de cotas colapsaria e encontraria seu fim. Meu argumento era simples e se mostrou parcialmente correto: as pessoas AUTODECLARAM seu pertencimento a determinada raça e então se beneficiam de cotas raciais. Como autodeclaração é, por definição, subjetiva, pessoas não-negras poderiam se declarar negras e se beneficiar; assim que muita gente percebesse isso, todos se autodeclarariam negros (algo não completamente errôneo considerando o grau de miscigenação do brasileiro comum) e fariam a ideia de cotas perder sentido.

Estava implícito no meu argumento que a política de cotas colapsaria porque o Estado não ousaria instituir um tribunal racial para conferir se os autodeclarados negros eram de fato negros ou não. Nesse aspecto, minha previsão se mostrou falha (será que os burocratas já montaram uma tabelinha lombrosiana para avaliar tamanho do crânio, nariz, lábios, dentes, tipo de cabelo etc. etc para enquadrar alguém como negro ou não?).

Eis que hoje a maior universidade do Brasil declarou sua adesão à política de cotas:


Agora só resta aguardar pelo tribunal racial uspiano.