domingo, 19 de julho de 2009

A Grande História da Evolução



Desde que Richard Dawkins publicou seu “O Gene Egoísta” ele marcou seu lugar na história da divulgação científica, Dawkins expõe conceitos complexos de como se dá a Evolução como se estivesse falando de futebol. E esse mérito é reconhecido até por um de seus mais ferrenhos críticos (que as vezes até soa patológico), o teólogo Alister McGrath, que em seu primeiro livro sobre Dawkins¹, citou o The Times para definir o talento de seu colega de Oxford: "o tipo de texto de popularização da ciência que faz o leitor se sentir um gênio". Depois de “O Gene Egoísta” vieram mais 8 livros, igualmente espetaculares, e recentemente, saiu pela Companhia das Letras a tradução de “The Ancertor's Tale” sob o nome de “A Grande História da Evolução”, onde Dawkins perpassa por toda história evolutiva através de 40 contos, começando pelo homem indo até a célula primordial, assim, Dawkins pretende refutar o arrogante “argumento a posteriori”, argumento que faz parecer que os humanos são ápice da Evolução e que a Evolução foi dirigida até nós.
Mas como nem tudo é perfeito, a tradução traz um erro aparentemente pequeno, que pode passar desapercebido a quem está conhecendo a escala de tempo evolutiva a partir dessa leitura. Na página 529, da linha 21 a 24, lemos a seguinte frase: “Provisoriamente, aceitamos 1,1 milhão de anos para o Encontro 34, a junção de animais e fungos. Essa é uma data comumente usada na literatura científica, e é compatível com a mais antiga planta fóssil, uma alga vermelha de 1,2 milhão de anos atrás” e no original em inglês temos isto: “We have provisionally accepted 1,100 million years for Rendesvouz 34, the junction of animals and fungi. This is a date commonly used in the scientific literature, and it is compatible with the oldest fossil plant, a red alga from 1,200 million years ago”. A competência dos tradutores da Cia das Letras, sem dúvida é bastante grande, e erros são normais e até aceitáveis, inclusive em um livro de 703 páginas, mas é justamente para isso que existem os revisores. Duas coisas: surpreende um erro tão primário ter passado por tradutora e revisores, qualquer pessoa com conhecimento básico em língua inglesa sabe que o papel da vírgula no inglês é o do ponto no português, logo “1,100 million” deveria ter sido traduzido como 1,1 bilhão (1.100 milhões) e além disso, não sei se a tradutora está acostumada com a literatura biológica, mas 1,1 milhão de anos, dentro da escala evolutiva, é um tempo bastante pequeno, como foi dito por amigos, há 1,1 milhão de anos trás, Australopithecus ainda circulavam por aqui, ou seja, inconcebível para a junção de animais e fungos.
Mas mesmo assim, o livro não perde em nada seu valor, como diz a resenha do livro: “[O livro é] uma enciclopédia da vida para se ler, reler e consultar”. Mais uma vez, fãs e críticos honestos, se rendem ao talento de Dawkins.


¹ O livro se chama “O Deus de Dawkins: genes, memes e o sentido da vida” do teólogo Alister McGrath.

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