sábado, 1 de agosto de 2009

Harry Potter é satânico? I

Apesar da poeira já ter baixado nos círculos de fundamentalistas cristãos que gostam de exaltar a onipresença do demônio e dizer que Harry Potter (entre outras coisas) instiga crianças ao ocultismo/satanismo, as Testemunhas de Jeová são terminantemente proibidas de ler/assistir a série e o mesmo vale para boa parte das dezenas de igrejas protestantes (a gosto do freguês). Alguns pontos devem ser levantados: mesmo que a série fosse satânica, qual o poder disso? Os onipresentes demônios sairão dos livros/filmes? Sua fé é tão frágil que você vai ser dissuadido por uma série infantil? Poderiam replicar: mas a autora é uma bruxa (sic) assumida que deixa no ar ao longo dos livros a questão da bruxaria. Então eu pergunto, em um momento da história, que transborda informação por todos os cantos, será que algo de novo pode ser apresentado por uma série infantil? Além do que, apesar de Rowling não ser uma religiosa fanática, não temos evidência para crer que ela seja bruxa (o que quer que seja ser uma bruxa!), ela já declarou frequentar a igreja (cristã) na Escócia¹. Além do que, ter como temática central a bruxaria é sinônimo de exaltar a bruxaria? A famosa série da TV Cultura Castelo Rá-Tim-Bum é satânica?

Na realidade, como a própria Rowling declarou: “As pessoas tendem a achar nos livros o que elas procuram” ². Se você procurar física quântica na Bíblia, no Alcorão ou nos Vedas, você vai encontrar. A questão é: por que diabos (!!) eles foram procurar isso em Harry Potter? Eu tenho meus palpites, mas como não passam disso, prefiro guardá-los. No livro em que cito, a fervorosa cristã norte-americana Connie Neal traça mais de 50 paralelos entre Harry Potter e o cristianismo e conta histórias de entrevistas e conversas bem interessantes, que estarei trancrevendo nas postagens subsequentes.

¹ NEAL, Connie. Os segredos espirituais de Harry Potter. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil. 2007, página 17.
² NEAL, Connie. Os segredos espirituais de Harry Potter. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil. 2007, página 14.

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