sexta-feira, 28 de agosto de 2009

O argumento da experiência pessoal


“[...] no testimony is sufficient to establish a miracle, unless the testimonybe of such a kind, that
its falsehood would be more miraculous than the fact which it endeavours to establish."
Hume “Of Miracles”, 1748
“[...] nenhum testemunho é suficiente para estabelecer um milagre, a menos que o testemunho seja de tal ordem que sua falsidade seria mais milagrosa do que o fato que procura estabelecer”.”
Hume, “Dos milagres”, 1748

Após algumas discussões com teístas, posso afirmar com boa certeza de que o principal argumento para a existência de Deus, dentro do discurso da massa religiosa, é a experiência pessoal, alguns até admitem que acreditariam no dragão da garagem se tivessem uma experiência com ele. Em total oposição aos argumentos de teólogos refinados, que pouco recorrem a este argumento. Exemplo mais claro disso é a Igreja Católica, que reconhece pouquíssimos milagres, por exemplo, dos milhões de relatos de milagres ocorrido em Lourdes na França durante um século e meio, a Igreja reconheceu apenas 65 como “reais”.

A situação inverte-se então quando falamos de igrejas evangélicas, onde os milagres acontecem as pencas, 24 horas por dia e onde o diabo é mais onipresente que o próprio deus. Pastores que curam de tudo (mas que são incapazes de curar os próprios problemas oculares). Um pouco de charlatanismo, outro pouco de teatro, alguns casos apenas ignorância e onde há um resquício de honestidade, não ocorre nada que o efeito placebo não explique, como a reconstituição de um membro amputado ou reversão de alguma síndrome de nascença.
Mas o que faz a maioria dos teólogos (os sérios pelo menos) rejeitar as pencas de milagres, de relatos de experiência pessoal? Por que a experiência pessoal é mais um argumento que, acaba por trazer mais problemas do que resolver. Já que que relatos de experiência pessoal nós podemos encontrar em praticamente todas as religiões, do presente e já extintas, e isso faz delas religiões verdadeiras? Impossível, por que a premissa básica de toda religião é que ela detém a verdade. Além do que, alguns antropólogos atuais mostram como a “experiência pessoal” está presente em quase todo relato mítico. O teísta que pretenda sustentar a experiência pessoal tem de carregar um ônus de provas extremamente pesado, ele tem que ser tão cético quanto eu aos milagres de todas as outras religiões e tem de fugir da aplicação do ceticismo ao seus próprios milagres. E mesmo que o teísta invoque um relativismo: “Todas as religiões levam a deus” ele não vence, pois se conversarmos com líderes religiosos ou mesmo se analisarmos as minucias das religiões, este discurso não se sustenta e se fosse assim, qual seria a diferença de ser cristão, muçulmano, hindu, espírita, budista ou nenhum deles? Dada toda essa fragilidade, o argumento da experiência pessoal é rechaçado pela maioria dos teólogos.
Para quem tiver em vista outra abordagem quanto a temática dos milagres, pode ler o filósofo e “ex-ateu” Anthony Flew (antes e após sua “conversão”), o filósofo cético David Hume, e os apologistas cristãos C. S. Lewis e Norman Geisler.

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