domingo, 11 de abril de 2010

Mendigos nas ruas de SP

Tenho notado um aumento acentuado do número de mendigos nas redondezas de onde moro. Antes, eles apenas ocupavam certos lugares específicos da avenida, na noite-madrugada. Agora sempre os observo, em outras localidades e de dia. E não se trata de uma emigração do centro para as margens da cidade, os mendigos do centro continuam lá.
Obviamente que isso me incomoda, não no sentido de que os quero bem longe de mim (afinal, o que os olhos não veem, não sente-se a culpa, certo?). Mas o que me incomoda é o discurso de certos entusiastas do Brasil e do lulo-petismo. Afinal, o que mais ouvimos (e é só o começo, porque as eleições vem aí)? Que o número de miseráveis no Brasil diminuiu, nos mais empolgados ouvimos até que não existem mais miseráveis no Brasil! Isso é repetido, quase que como um mantra, juntamente com "Somos a 8ª economia do mundo".
Gostaria de brevemente mostrar o caráter falaz destes dois "argumentos". Primeiro, sobre o número de miseráveis, talvez realmente eles tenham diminuído, mas estatísticas neste sentido, podem ser muito mal interpretadas. Não sei qual é a faixa de renda que delimita um miserável de um não-miserável. Chamemos-a de X. Não é porque um sujeito parou de ganhar X e passou a ganhar X mais dez, quinze, vinte ou o que seja que os problemas acabaram, certo? Mesmo que a estatística seja verídica, cantar vitória pode ser bastante prematuro. Mas o compromisso não é com a verdade, mas sim com o marketing.
Sobre o Brasil ser a oitava economia do mundo. Desde quando ter economia forte foi sinônimo de qualidade de vida, como cantarolam os otimistas e os propagandistas? China, Índia e Rússia (que formam, junto com o Brasil, o tal BRIC) têm economias sólidas, há mais tempo que o Brasil inclusive, mas mesmo assim têm populações extremamente sofridas e serviços péssimos. O que você prefere, economia forte e qualidade de vida da Costa do Marfim ou qualidade de vida elevadíssima e economia sólida (mas não forte) como a da Dinamarca ou da Suécia?

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