terça-feira, 2 de novembro de 2010

Seleção espanhola: de 2007 a 2010, uma análise

A seleção que adotei como minha, como meus leitores sabem, é a seleção espanhola. Os motivos para tal escolha, alguns têm ciência, outros não, mas este não é o assunto deste texto. Quero fazer uma sucinta análise da seleção espanhola, de 2007 – momento pré-conquista da Eurocopa 2008 – até a conquista Copa do Mundo da África do Sul 2010, neste meu curto texto, pretendo abordar o futebol apresentado pela seleção espanhola, de Aragonéz a Del Bosque e as críticas feitas pela imprensa ao selecionado espanhol, com ênfase na imprensa brasileira.
Minha primeira centelha de torcida para a seleção espanhola, surgiu na Copa de 1998, na França, onde o desempenho espanhol foi bastante ruim. Naquele momento, torcia pela Espanha por uma mera questão sanguínea, não por ter algum compreensão do universo futebolístico. Em 2002, a história se repetiu quanto a minha torcida pelo selecionado vermelho, porém, a Copa de 2002 teve as marcas do roubo explícito, no meu compreender, desde o sorteio dos grupos, favorecendo o time da casa (Coreia do Sul) e o Brasil; a fúria sucumbiu, justamente, perante a anfitriã Coreia do Sul, tendo dois gols anulados erroneamente por um árbitro egípcio que me recuso a citar o nome. Certamente a fúria teria melhor sorte naquela Copa, se este episódio não tivesse se passado.
Mas quero de fato tratar, do momento espanhol a partir de 2007, momento pré-conquista da Euro na Áustria. Naquele momento, este que vos escreve já acreditava na conquista espanhola da segunda competição mais importante do mundo. E por quê? Pelo futebol plástico, envolvente e eficaz imposto pela fúria, um time sem medo de atacar, com preocupações que transcendiam (e assim continua sendo) o mero resguardo defensivo.
Mas certamente, confiar na conquista espanhola da Euro porvir, àquela altura, não era tido como uma opinião de alguém que compreende o futebol. Nem mesmo um dos atuais entusiastas no meio jornalístico da seleção espanhola, Flávio Prado (Rádio Jovem Pan SP e TV Gazeta) acreditava em tal fato. A minha crença nisso não se fundava na minha fé de torcedor, mas numa análise imparcial do futebol apresentado pelos selecionados europeus na ocasião.
E qual era (era?) o principal motivo para a descrença coletiva na possibilidade da conquista espanhola? A velha estigma de “amarelar” nos momentos decisivos. Mas esse “argumento” não tem justificativa lógica – é o clássico problema da indução – um fato, por mais que se repita inúmeras vezes, não necessariamente ocorrerá no próximo evento. Por isso que, eu, particularmente penso que essa descrença coletiva pode ser melhor justificada pela análise patriota e parcial, tanto de torcedores como de jornalistas do que pela análise honesta.
Mas enfim, a boa hora chegou, a Espanha ganhou a Eurocopa apresentando um futebol bastante vistoso, desbancou a tetracampeã Itália e ganhou, sem margem para dúvidas, da tricampeã Alemanha na final, em Innsbruck, sendo nitidamente superior. O ranzinza treinador Luiz Aragonéz conduziu a fúria à segunda conquista do principal campeonato europeu.
Minha crença pessoal na conquista de uma Copa por parte da Espanha crescia exponencialmente, mas a descrença geral quanto a mesma possibilidade, tanto do meio jornalístico quanto dos torcedores comuns ainda permanecia e essa descrença havia sido coroada com a derrota da seleção espanhola na poderosa Copa das Confederações, perante a disciplinada seleção norte-americana e sob a tutela agora, de Vicente Del Bosque, 1 ano antes do mundial sul-africano.
A mescla de um desdém injustificado com a “pachequice” tupiniquim permanecia latente nos torcedores ignorantes e em alguns jornalistas, que não citarei nominalmente. Para fazer justiça, citarei o nome de alguns jornalistas que, desde a conquista da Europa, sempre fizeram justiça ao time ibérico: Flávio Prado e Wanderley Nogueira, da rádio Jovem Pan São Paulo e TV Gazeta e Celso Cardoso, da TV Gazeta.
Só que, mesmo com a derrota na Copa das Confederações, minha crença no êxito espanhol permaneceu inabalada. O torneio perdido não tem nenhuma tradição, não valia e continua não valendo absolutamente nada, não chega a um centésimo do clima atingido por um Mundial.
Com a proximidade do mundial minha ansiedade aumentava proporcionalmente, fiz uma contagem regressiva de 200 dias, no aguardo pelo evento. Veio o primeiro embate, contra a Suíça e veio a derrota. Uma enxurrada de “gozações” recaíram sobre mim, meia hora de reflexão foi suficiente para compreender que nem de longe tudo estava acabado, na verdade, esta derrota poderia ser muita mais positiva que negativa, colaborando para a “quebra” de uma pitada de arrogância, alimentada tanto pela torcida quanto pela imprensa espanhola.
A marca espanhola na Copa da África, foi um futebol de posse de bola e poucos gols. Certamente a palavra-chave que melhor define a apresentação da Espanha nesta copa é posse de bola. Diferentemente da Eurocopa, o desempenho talvez não tenha sido tão encantador do ponto de plástico, mas certamente, houve algo de especial nessa posse de bola roja.
Em primeiro lugar, a posse de bola é a melhor tática defensiva que pode haver. Com a bola em sua posse, o adversário é neutralizado. Só que nada é tão simples, sem jogadores de uma técnica apurada, essa posse de bola é impraticável, e sem dúvida, o meio de campo espanhol - setor que decidiu o mundial – é o melhor do planeta, de técnica apuradíssima. Em alguns jogos do mundial, mesmo com a supremacia da posse de bola, era o time adversário que corria mais, cansando-se. A marca registrada da seleção espanhola foi, sem dúvida, a posse de bola e por conseguinte, a qualidade de passe.
Enfim, o título da seleção espanhola de futebol foi a cereja do bolo, que fechou o círculo de nação esportiva perfeita em torno da Espanha. Além de potência automobilística, ciclística, motociclística, do basquete, do tênis, agora, a Espanha entra definitivamente no rol das grandes seleções do futebol, em especial, tendo em vista que sua estrela solitária foi conquistada fora de território europeu. Ao passo que os títulos de Inglaterra e França foram conquistados em suas respectivas casas. Portanto, detratores do futebol espanhol, roam as unhas, o carma espanhol foi superado!
Logo após a conquista espanhola, o presidente espanhol José Luís Rodrigues Zapatero (por quem, diga-se de passagem, resguardo profunda antipatia, o “Mr. Bean socialista”, como eu o chamo), escreveu um texto semelhante a este meu, exaltando o esporte espanhol e revelando que veio ao pranto após a conquista em território sul-africano. Bom, divergências a parte, fomos dois Sr. Zapatero!

Um comentário:

  1. Excelente análise e texto meu amigo, desculpe a demora por ler!

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