domingo, 31 de julho de 2011

A existência de Deus ainda é matéria de discussão?


A questão se existe ou não um Deus é um dos fortes motivos que me levaram a cursar Filosofia. Eu queria ser um sujeito apto a discutir a questão (à luz do viés crítico, obviamente; os que desejam o viés apologético deveriam fazer teologia).

Para minha decepção, ao que parece, a questão não é vista com bons olhos pela academia brasileira. De tradição francesa e marxista (posição comungada por nietzschianos e alguns filósofos analíticos), os especialistas brasileiros consideram que discutir a questão é algo ultrapassado (exceto, talvez, como peça histórica), fútil ou uma reles questão de foro íntimo.

Bom, este que vos escreve e 'alguns' outros pares discordam.

Espelhados nos debates que comumente ocorrem nos EUA e alguns países da Europa, venho pensando na organização de algo parecido aqui no Brasil. [Os que também se interessam pela questão devem conhecer, por exemplo, o apologeta cristão William Lane Craig, famoso (entre outras razões) por seus debates contra pensadores ateus como Sam Harris, Christopher Hitchens e Peter Atkins].

A opinião da dita academia é bem menos relevante do que parece, muitos discordam e muitos prosseguem interessados na questão.

Portanto, me dirigi à comunidade de William Lane Craig no Orkut [http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=16692166] e expus a ideia.

Reproduzo aqui o texto e deixo a ideia e a proposta a ser organizada:

Como vocês talvez saibam - ou não - não sou cristão. Contudo, estou aqui na comunidade do Craig. Vários motivos me levam a isso, um deles é não tratar esse questão como "curintcha versus parmera". Busco a verdade, não pisar no pé de ninguém.

Estou no último ano de graduação em filosofia e com o mestrado já engatilhado para ano que vem.

Sempre gostei de debates. Sempre que possível participava de um ao longo do meu ensino médio. Discuti a existência de Deus algumas vezes. Aliás essas questão foi forte para que me conduzisse a curso de Filosofia.

Então pensei, por que não um debate, aqui no Brasil, nos moldes dos debates do Craig e de outros, tão comuns nos EUA?

Fui perguntar a um dos meus professores, especialista em ateísmo, e perguntei a ele sobre a possibilidade de tal debate. A resposta foi negativa, segundo ele a academia brasileira vê esse tipo de debate com maus olhos, considera a questão untrapassada e impossível de ser respondida.

Entretanto, quem liga para o que a academia pensa?

Então estive pensando, por que não organizar um debate do tipo? Aposto como não faltariam um seleto grupo de interessados. Já contactei uma amiga nisso, ela ficou de me prometer um retorno até o final do 2º semestre.


A disputa se daria entre debatedores de nível equivalente: graduado vs graduado, entre teólogos e/ou filósofos ou alguém de alguma área das ciências da natureza (desde que o debate não se concentrasse na área desse especialista e descambasse para o jargão da respectiva área e que essa figura tenha retrospecto nessa discussão, como o Eli Vieira por exemplo).

Teria de ser em campo neutro (nada de mediador parcial, como no debate entre o Craig e o Atkins) e as regras seriam estabalecidas pelos debatedores (eu penso no seguinte: 30 minutos de 'impressões' iniciais, 20 de réplica, 10 de tréplica, 20 minutos de perguntas entre os debatedores e 20 minutos de perguntas da plateia).

A localidade é um problema, os debatedores teriam de ser da mesma cidade ou de cidades próximas. O local também é um outro problema (e quanto a isso eu não tenho nem ideia, estou aberto a sugestões). Eu sou de São Paulo.

O problema, como eu ressaltei, é que a academia brasileira é de tradição franco-marxista, e de acordo com essa escola de pensamento, a questão da existência de Deus não se coloca mais: ou é insolúvel ou de foro íntimo, etc. Caberia a algum estudante de universidades como Metodista, Mackenzie, PUC, etc, investigar se eles estariam abertos a ceder o espaço para algo do tipo. O mesmo para faculdades de teologia. 

3 comentários:

  1. E qual seria a proposta da academia? Ah, já sei, cada um deve escrever um ensaio para expor suas ideias. Ou seja, eles preferem se esconder atrás de seus diplomas, notebooks, retórica (encher linguiça) e escrivaninhas bem arrumadinhas nas quais [provavelmente] postulam algumas obras clássicas para demonstrar o quanto são eruditos e merecedores. Obviamente, que o intuito primeiro num debate é demonstrar os argumentos e em consequência de suas exposições trazer à tona uma visão mais acurada acerca de doutrinas, pensamentos, ciências, filosofias, crenças, contextos etc. Ouso dizer, pertencendo de certa forma às duas realidades que os teólogos querem se manter dentro de suas universidades e igrejas e os filósofos, por sua vez, optam permanecer também em suas universidades e entre seus pares. Hoje em dia ser filósofo é quase sinônimo de ser professor. O mesmo acontece com os teólogos, ser teólogo é quase sinônimo de ser pastor/padre e/ou professor. Assim, a práxis é deixada de lado em nome do comodismo intelectual. Acredito – sendo eu cristão – que o debate sadio é uma forma de trazer - por meio da práxis – a teologia e a filosofia para a pólis, para a vida, para o chão da Cidade.

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  2. Na verdade Gilvan, sobre esse assunto, acho que eles não querem nem escrever ensaios, querem guardar a opinião deles numa caixinha e, de vez em quando, levá-la para passear e mostrar aos amigos.

    Mas o que eu penso é o seguinte: se os grandes pensadores, filósofos e teólogos, acham viável a discussão dessa questão, não temos nem de considerar essa posição deles. Não se trata de uma unanimidade. Ademais, é bastante comum a academia brasileira só importar as porcarias de fora, as coisas boas eles deixam lá.

    O problema quanto a essa posição da academia fica mesmo na decisão quanto ao local para um evento desse tipo, se a academia não enxerga bem a questão, é improvável que cedam algum espaço pra isso.

    Mas eu vinha pensando sobre isso, talvez fosse o caso de organizar algo mais grandioso, algo relacionado à filosofia da religião em si, que até onde eu sei, é um campo fraco no Brasil também.

    Aí poderíamos pensar, sei lá, numa sociedade, num grupo de estudos, onde discutiríamos de tudo (relacionado a filosofia da religião), os debates nesses moldes seriam apenas a "cereja do bolo". O que acha?

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  3. "Mas o que eu penso é o seguinte: se os grandes pensadores, filósofos e teólogos AMERICANOS E ALGUNS EUROPEUS, acham viável a discussão dessa questão, não temos nem de considerar essa posição deles. Não se trata de uma unanimidade. Ademais, é bastante comum a academia brasileira só importar as porcarias de fora, as coisas boas eles deixam lá."

    Esqueci de dizer isso. Rs.

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