sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Bagunça quanto a Copa já começou: deslocamentos abissais e choque térmico.

 

Fim de regionalização da Copa gera choque térmico

Fim de regionalização da Copa gera choque térmico e mais de 2 voltas ao mundo em viagens

Quando o Brasil foi anunciado como sede da Copa do Mundo de 2014, prometeu-se que a grande extensão do país não seria um problema e que a disputa seria regionalizada. Assim como outros assuntos ligados ao Mundial, porém, o tempo passa e percebe-se que nem tudo o que foi prometido vai acontecer.

A ideia era que, por exemplo, uma seleção jogasse toda a primeira fase no Nordeste ou somente no Sul do país, onde as temperaturas são mais baixas nos meses de junho e julho. Só que a tal ideia foi por água abaixo.

Definidas as datas e locais das partidas da Copa, já é possível observar que muitas seleções vão sofrer com grandes deslocamentos de distância e com radicais mudanças de tempatura ao longo da primeira fase.

É o caso do adversário do Brasil na estreia do Mundial, dia 12 de junho de 2014, no futuro estádio do Corinthians - fora o time-sede, todos os outros estão indefinidos. Depois de jogar com a seleção, em São Paulo, esta equipe terá que ir a Manaus e a Recife nas demais rodadas da fase de grupos, totalizando um total de 5522 km viajados. Só uma seleção vai passar mais tempo no avião, o quarto representante do grupo G - serão 5598 km. 
No total de todos os times, serão percorridos 90735 km em solo brasileiro durante as competições, o equivalente a mais de duas voltas ao mundo. Isso se forem realizados voos diretos, sendo que a maioria deles não existem hoje em dia. Talvez grandes seleções consigam fretar voos, mas para o torcedor, atualmente, ir de Manaus a Recife, por exemplo, pode exigir fazer até quatro escalas.

Alguns cabeças de chave de chave de grupo, como os do C, F, G e H, necessariamente equipes de tradição em Mundiais, acabaram se beneficiando. Só três seleções vão se manter em uma mesma região do país durante a primeira fase, duas delas cabeças de chave – H1, no Sudeste e G1, no Nordeste. Outros dois cabeças vão mudar de regiões, mas sempre atuando entre cidades próximas: C1 e F1 jogam em Belo Horizonte, Brasília e Cuiabá e Rio, BH e Porto Alegre, respectivamente.

O D1, por outro lado, vai sentir na pele a complexidade do Brasil. Além de ser a quarta seleção que mais viajará durante o Mundial, pode enfrentar uma diferença térmica de até 18°C ao estrear em Fortaleza, ir a São Paulo e voltar a Natal.

O representante E4, que começa a Copa em Porto Alegre e Curitiba, capitais mais frias do país, encerra a fase de grupos em Manaus, onde pode enfrentar até 35°C. Já a seleção B4 estreia na quente Cuiabá antes de jogar em Porto Alegre e Curitiba.

"Sem dúvida é uma diferença de temperatura grande, somada a uma viagem que também vai ser outro fator determinante. Com certeza não é a situação ideal para se ter um bom desempenho físico. É uma amplitude muito grande e vai sim trazer prejuízos, principalmente pensando nos 35°C de Manaus. Se a gente imaginar uma variação de 8°C para 35°C, é algo que deveria ter uma semana de adaptacão", analisa o fisiologista Turíbio Leite.  

Veja quanto percorrerá cada seleção:

Grupo A (oitavas em Belo Horizonte ou Fortaleza)
A1/Brasil - São Paulo, Fortaleza e Brasília (4055 km de deslocamento; classificando-se como líder, a seleção brasileira pode percorrer 8771 km até a final)
A2 - São Paulo, Manaus e Recife (5522 km de deslocamento)
A3 - Natal, Fortaleza e Recife (1064 km de deslocamento)
A4 - Natal, Manaus e Brasília (4697 km de deslocamento)

Grupo B
B1 – Salvador, Rio de Janeiro e Curitiba (1884 km de deslocamento)
B2 – Salvador, Porto Alegre e São Paulo (3155 km de deslocamento)
B3 – Cuiabá, Rio de Janeiro e São Paulo (1932 km de deslocamento)
B4 – Cuiabá, Porto Alegre e Curitiba (2225 km de deslocamento)

Grupo C
C1 – Belo Horizonte, Brasília e Cuiába (1497 km de deslocamento)
C2 – Belo Horizonte, Natal e Fortaeza (2266 km de deslocamento)
C3 – Recife, Brasília e Fortaleza (3344 km de deslocamento)
C4 – Recife, Natal e Cuaiaba (2777 km de deslocamento) 
Grupo D
D1 – Fortaleza, São Paulo e Natal (4688 km de deslocamento)
D2 – Fortaleza, Recife e Belo Horizonte (2268 km de deslocamento)
D3 – Manaus, São Paulo e Belo Horizonte (3178 km de deslocamento)
D4 – Manaus, Recife e Natal (3086 km de deslocamento)

Grupo E
E1 – Brasília, Salvador e Manaus (3665 km de deslocamento)
E2 – Brasília, Curitiba e Rio de Janeiro (1756k m de deslocamento)
E3 – Porto Alegre, Salvador e Rio de Janeiro (3512 km de deslocamento)
E4 – Porto Alegre, Curitiba e Manaus (3289 km de deslocamento)

Grupo F
F1 – Rio de Janeiro, Belo Horizonte e PortoAlegre (1680 km de deslocamento)
F2 – Rio de Janeiro, Cuiabá e Salvador (3490 km de deslocamento)
F3 – Curitiba, Belo Horizonte e Salvador (1784 km de deslocamento)
F4 – Curitiba , Cuiába e Porto Alegre (2981 km de deslocamento)  

Grupo G
G1 – Salvador, Fortaleza e Recife (1657 km de deslocamento)
G2- Salvador, Manaus e Brasília (4537 km de deslocamento)
G3 – Natal, Fortaleza e Brasília (2122 km de deslocamento)
G4 – Natal, Manaus e Recife (5598 km de deslocamento)

Grupo H
H1 – Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo (696 km de deslocamento)
H2 – Belo Horizonte, Porto Alegre e Curitiba (1877 km de deslocamento)
H3 – Cuiabá, Rio de Janeiro e Curitiba (2250 km de deslocamento)
H4 – Cuiabá, Porto Alegre e São Paulo (2193 km de deslocamento)

 

Opinião - Blog do PVC

O Maracanã é a casa do Brasil.

Bem, já não é mais.

Mas o que justifica o Rio ser o palco da final é o fato de o Rio ser o cartão postal do Brasil.

Pois na Copa do Mundo de 2014, não será.

Não será, porque a seleção só jogará no Rio se chegar à final. O mundo terá seus olhos para o país e para a seleção.

A ideia inicial da Copa era ter viagens curtas, dividindo Norte e Sul, o que acabou não acontecendo, como explicou o repórter Mendel Bydlowsky, de Zurique, porque nas 57 versões da tabela não se julgou possível privilegiar... o bom senso.
Pelo menos oito viagens longas vão acontecer, problema grave da logística divulgada na quinta-feira, em Zurique. Há, no entanto, um problema mais grave: a ausência da seleção no Maracanã.

A Copa do Mundo no Brasil terá a seleção em Minas e Fortaleza, terá São Paulo, se espalhará pelo país muito mais do que em 1950.

Mas para que serve a reforma do Maracanã se não para receber a seleção brasileira?

A seleção é do país e vai se espalhar por ele. Mas o país do futebol não será visto com sua expressão mais precisa: a seleção não jogará no Maracanã.

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