domingo, 16 de outubro de 2011

O mesmo que foi dito sobre os baderneiros e mimados de Londres vale para os que ocupam Wall Street

de Juventude Conservadora UNB,

Ocupe você também!

Vê-se, nos últimos dias, um dos eventos mais inspiradores da atualidade: o movimento Occupy Wall Street. Milhares de jovens de classe média e classe média-alta protestanto contra o malvado sistema capitalista e suas corporações sanguinolentas. Registrando cada momento de fúria libertária com suas câmeras Nikkon ou suas filmadoras Sony, atualizando os amigos sobre os acontecimentos através do Twitter e enchendo os murais alheios do Facebook com ditos revolucionários, democráticos e populares -- tudo através de seus smartphones e tablets comprados com a suada mesada que ganharam de seus papais e de suas mamães, que trabalham a alguns quarteirões dos protestos --, esses guerreiros da liberdade estão ameaçando de uma vez por todas os alicerces sobre os quais o Grande Satã & Encarnação do Mal Eterno, os Estados Unidos da América, foram erguidos. O fato de que todos os que estão ocupando Wall Street serem beneficiários da cruel lógica do grande capital é um mero detalhe.

Mensagens de solidariedade e reconhecimento não param de ser enviadas aos bravos lutadores pela verdadeira democracia. Os líderes da gloriosa revolta que derrubou o sanguinário Hosni Mubarak, no Egito -- e que, mais tarde, facilitaram a invasão à embaixada do Pequeno Satã, vulgo Israel, e o justiçamento de perigosos inimigos da revolução --, saudaram o Occupy Wall Street como sendo o mais forte eco da Primevera Árabe no Ocidente. Os indômitos e incansáveis companheiros de luta de Londres, que abalaram as estruturas do sistema conservador nazifascista de direita inglês deixando de lado toda essa baboseira de legalismo e ação engessada, também enviaram saudações calorosas aos novos partisans estadunidenses.

O movimento Occupy Wall Street foi idealizado pela organização NYC General Assembly -- um grupo que reúne artistas, escritores, intelectuais, estudantes e sindicalistas, ou seja, a intelligentsia vanguardista dos liberals de Nova York (praticamente uma mistura de CUT, UNE e a folha de pagamento do Ministério da Cultura) -- e conta com o apoio de outros grupos, como o Adbusters (acreditam que toda propaganda é lavagem cerebral cerceadora dos direitos de escolha do cidadão) e o Anonymous (os sujeitos que devem fazer Alan Moore, o reacionário criador de "V de Vingança", se retorcer de raiva). O movimento também tem apoio de gente importante e admirada nos Estados Unidos, como Susan Sarandon e Michael Moore. E, bom, se a Sarandon e o Moore apóiam, deve ser uma coisa boa, né? Bonita certamente é: os sujeitos são tão democráticos que têm até um guia de uniformização de comunicações para as reuniões. Isso sim que é defender a igualdade!

Aliás, como são diferentes esses novos heróis americanos -- jovens, inteligentes, democratas -- daqueles caipirões racistas e broncos do Tea Party! Quer um discurso de ódio pior que o de exigir que o governo não cobre mais impostos de quem produz mais? Quer um discurso mais racista do que falar que o primeiro presidente negro dos Estados Unidos é um socialista com inspirações totalitárias disfarçado de bom moço? Isso não é liberdade de expressão, isso é crime -- ao contrário de defender a decapitação de banqueiros. Aliás, para quem ainda não sabe como identificar um guerreiro da liberdade e um sicofanta reacionário (onde foi que eu ouvi isso mesmo?), aí vai (com os devidos créditos ao camarada Bruno Garschagen):


P.S.: Em um de seus momentos de inspiração intelectual (e, convenhamos, não eram poucos), Paulo Francis soltou a seguinte frase: "A ignorância é a maior multinacional do mundo." Hoje em dia, é mais que isso: a ignorância transformou-se em ideologia, em estilo de vida, na religião que mais cresce no mundo. Só não vê quem não quer.

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