domingo, 6 de novembro de 2011

DPE: Depressão Pós-ENADE



Hoje, como alguns devem saber, foi realizado o ENADE, prova que visa avaliar cursos universitários Brasil a fora.

No começo eu até estava com pique, respondi as questões de conhecimento geral - incluindo as duas dissertativas - e todas as questões objetivas de filosofia. Lembro-me de algumas questões sobre santo Agostinho, uma sobre Marx, duas ou três sobre Wittgenstein, duas bem fáceis sobre lógica (uma envolvendo as tabelas de verdade da conjunção e da disjunção e outra envolvendo a falácia da petição de princípio) e umas bem três ou quatro sobre Kant (CRPura, Moral & CdoJuízo) e uma sobre Hume. Procurei responder essas últimas com correção, por interesse pessoal.

A coisa começou a desandar com as questões dissertativas, uma envolvia política em Locke; por estudos pessoais eu poderia ter desenvolvido uma resposta, contudo, se o intuito da prova é avaliar o CURSO, por que diabos eu me mataria para responder algo que eu NÃO aprendi ao longo do curso? Uma outra questão dissertativa envolvia o Teeteto de Platão e a tradicionalíssima perspectiva epistemológica que define conhecimento como crença justificada. A resposta tinha um limite de 10 linhas, contudo, perpassa 2500 anos de história, de Platão com seu Teeteto a Gettier e seu artigo de três (!!!) páginas onde demole por meio de um experimento mental essa concepção de epistemologia. Vimos isso BASTANTE en passant, não faria  - uma vez mais - sentido eu colocar meus conhecimentos "pessoais" ali, ainda mais sabendo que não haveria retorno pessoal algum.

Acabei só passando uma das dissertativas para o caderno de respostas, dum universo de duas respondidas e de 5 no total.

Por mais que seja avesso à minha personalidade, quase que naturalmente conservadora, acabei subscrevendo a proposta de boicote de alguns colegas, meu desempenho não ajudará em nenhum sentido a nota/nº de estrelas do curso.

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Para completar, como cereja do bolo, temos uma prova cabeludíssima amanhã, onde predomina a atmosfera que nomeei "bumbum de bebê" (não sabemos ao certo o que esperar como conteúdo), a dúvida paira então só nos resta estudar TODO o conteúdo de um semestre inteiro. E detalhe: essa avaliação sim, tem MUITO "retorno" pessoal, representa 70% da nota semestral, pode te jogar para a sub ou de dar uma bela DP de Natal.

Grande começo de semana...

2 comentários:

  1. Já estou deprimida! Primeiro porque vimos metada das coisas que caíram, a outra metade era de licenciatura e didática qu nunca vimos, quer dizer, eu vi em outro curso, e tentei responder com crítica. Emsegundo lugar porque, da metade que vimos, a metade eu já não lembrava mais, ou seja, de toda a prova eu consegui visualizar com boas estimas 1/4. Mas penso que isso não demonstrafalha da universidade e sim uma falha muito anterior, e ela está no sistema de construçao educacional e nos sistemas de avaliação, que não dizem respeito ao que realmente vivenciamos.

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  2. Sim, sem dúvida.

    O eixo da "culpa" perpassa muita gente, em parte do curso (não tivemos Wittgenstein, Locke & cia limitada), esse modelo de avaliação já está ultrapassado. O governo aproveita pra meter os interesses dele no meio.

    Enfim, resumo da ópera: ir até o Jabaquara hoje foi uma grande perca de tempo, de dinheiro (gastei, no total, 8,80 reais para ir até lá). Big shit...

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1. Seja polido;

2. Preze pela ortografia e gramática da sua língua-mãe.