segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

As três leis que regem o Brasil: o jeitinho, a Lei de Gerson e mais inovadora, a lei de Vampeta!

Dos blog do André Barcinski,


Dia 21 de dezembro, o Ajax recebia o AZ Alkmaar pela Copa da Holanda. O Ajax vencia por 1 a 0 quando um de seus torcedores invadiu o campo e começou uma briga com o goleiro do AZ.

O goleiro agrediu o torcedor e foi expulso pelo juiz. O técnico do AZ, revoltado, tirou o time de campo, e o juiz encerrou a partida.

A reação das autoridades foi rápida: o torcedor foi condenado a seis meses de prisão e pegou um gancho de 30 anos – repito, 30 anos – sem entrar em estádios de futebol. O Ajax foi multado em 10 mil euros e o jogo foi remarcado, com portões fechados e o placar zerado. Tudo isso levou seis dias para ser decidido e aplicado.

Na mesma semana, a prefeitura do Rio de Janeiro anunciou que pretende proibir a venda de cerveja nas imediações do Engenhão para combater as brigas de torcidas.

Fica a pergunta: qual a diferença entre a atitude dos dirigentes holandeses e a dos cariocas?

Simples: os holandeses querem resolver o problema e agem de forma rápida e eficiente . Já os cariocas querem empurrar o problema com a barriga e violam a liberdade individual do cidadão apelando às manobras mais fascistas e preguiçosas, numa tentativa patética de encobrir a sua própria incompetência para lidar com o problema.

O futebol, nos dois casos, é um exemplo de como diferentes países lidam com suas questões.

É bom lembrar que já tivemos grandes filósofos futebolistas: nos anos 70, o craque Gerson celebrizou - em um anúncio de cigarro do qual viria a se arrepender depois - a frase “Você tem que levar vantagem em tudo, certo?”

Anos depois, outro filósofo das quatro linhas, Vampeta, soltou uma pérola que resume perfeitamente nosso Brasilzão. Comentando sua apagada passagem pelo Flamengo, Vampeta disse: “Eles fingiam que me pagavam e eu fingia que jogava”.

Em uma frase, o gênio sintetizou o país do faz de conta, onde quem manda finge resolver os problemas e a gente finge que acredita.

A Lei de Vampeta está em todo lugar.

Ela explica, por exemplo, como Ricardo Teixeira e o governo federal têm a cara de pau de dizer que a maior parte da verba para a Copa do Mundo de 2014 viria da iniciativa privada.

Explica como um político carioca pode afirmar que proibir cerveja em volta do estádio vai coibir a violência das torcidas.

Explica por que Kassab acha uma boa idéia proibir motocicletas na via expressa da Marginal Tietê para reduzir acidentes.

Finalmente, explica como Geraldo Alckmin pode dizer que vai acabar com a cracolândia em 30 dias.

Acho que a era de Gerson já passou. Levar vantagem em tudo já não é uma idéia, mas um dever cívico, impregnado em nosso DNA.

Já a Lei de Vampeta é bem mais complexa e, até certo ponto, metafísica. O filósofo questiona o próprio conceito de sociedade e relações sociais, estabelecendo um ponto de partida para discutir o teatro do nosso cotidiano.

Agora, quando o encanador que já furou três vezes diz que vem na segunda; quando um camarada que está te devendo grana há anos avisa que vai te pagar amanhã, ou quando o despachante promete “fazer um algo a mais” para resolver o seu caso, console-se: são todos discípulos de Vampeta.

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