sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

John Loftus levanta interessantes perguntas sobre o apelo à experiência pessoal (tête-a-tête com o Espírito Santo) de William Lane Craig

Por Rebeldia Metafísica,

Loftus mais uma vez fustiga seu ex-mentor com uma série de perguntas no mínimo embaraçosas. Agora é esperar e torcer para que o apologista as responda.


Muita gente sabe que defendo William Lane Craig contra a acusação de que ele é desonesto como apologista. Entre os céticos eu sou seu maior defensor, talvez o único. Mas já lhe fiz repetidas vezes três perguntas sobre o testemunho interno do Espírito Santo que, se ele continuar se recusando a responder, nada mais me restará a não ser concluir que ele não está sendo honesto com os fatos, e não o defenderei mais. Ele pode ter outras razões para não respondê-las, mas eu só poderei concluir que ele não pode faze-lo razoavelmente. Eis as perguntas:
Primeira:
Você concorda que evidências objetivas são externas ao conhecedor e podem ser verificadas por terceiros ao menos em princípio? Sim ou não? Como então pode qualquer terceira pessoa verificar uma alegação como o testemunho interno do Espírito feita por alguém? Ao menos em princípio a alegação de que se foi abduzido por alienígenas é suscetível à verificação por um terceiro. Qualquer membro de qualquer religião ou seita pode alegar ter tido uma experiência religiosa genuína. Estas alegações não valem um centavo quando não podem ser verificadas mesmo em princípio por um terceiro. O que então você a dizer sobre o argumento de que estas alegações estão sujeitas à uma boa dose de ilusão, e portanto não constituem absolutamente nenhuma evidência mesmo para alguém que alegue ter vivido uma?
Segunda:
Dr. Craig, aqui está uma questão suscitada pela anterior, considerando a subjetividade inerente do testemunho interno do Espírito. Como é possível que uma fé racional seja baseada numa experiência subjetiva? Além disso e ainda mais importante, como é possível que um homem racional como você próprio afirme que uma expriência subjetiva deste tipo invalida todas as evidências objetivas? Agora, um coisa é dizer que uma experiência subjetiva deve ser considerada evidência objetiva. Outra coisa completamente diferente é dizer que uma experiência subjetiva tem mais peso do que todas as evidências objetivas.
Terceira:
Uma última questão, meu amigo. Se quiser pode responde-las todas de uma vez.
Poderia por favor especificar o conteúdo proposicional do testemunho interno do Espírito Santo? Plantinga chama o conteúdo de “as coisas grandiosas do evangelho”, incluindo as idéias de que “Deus existe”, “Deus me perdoou e aceitou”, ou “Deus é o autor da Bíblia”. Você afirma que este conteúdo assegura aos cristãos que eles são filhos de Deus. Mas tal noção ecoa o poeta citado por Paulo quando disse “somos sua geração” (Atos 17:28). Você certamente está afirmando que o testemunho interno da terceira pessoa da Trindade contém mais conteúdo proposicional do que isso. Não deveria este testemunho ser mais específico sobre o que significa ser um “filho” do tipo de “Deus” em que alguém acredita, como alguém se torna um filho deste Deus, onde se pode obter informações adicionais sobre este Deus, o que se deve pensar da autoridade desta fonte de informação, e qual a melhor maneira de interpreta-la? Por exemplo, dizer “Deus existe” não diz nada sobre os atributos deste Deus, e pode até mesmo ser consistente com o panteísmo. Dizer “Deus é o autor da Bíblia” não diz o que um crente deveria pensar sobre a natureza específica da Bíblia, ou qual a melhor maneira de interpreta-la.
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Já te fiz repetidas vezes esta última questão e já a postei em meu blog diversas vezes. Mais uma vez, estes tipos de argumentos estão abalando os fiéis. Você precisa responde-los se quiser ser percebido como honesto com os fatos. Vários céticos dizem que você não é honesto e até agora estive te defendendo.
Se você se recusar a responder estas questões sobre o testemunho interno do Espírito não serei mais capaz de te defender da acusação de ser desonesto com os fatos. Espero que você responda, espero sinceramente.
Desculpe-me, mas agora a decisão é sua. Nada pessoal.
Se Bill responder minhas questões acho que sei como ele pode responder às duas primeiras. Ele tampará seus ouvidos com os dedos, fechará seus olhos e dirá: “Minha experiência é objetivamente real independentemente do fato de que outras pessoas também reivindicam uma.” Lembrem-se, seu suposto testemunho interno é a base para sua fé. Ele não pode apostar em qualquer evidência objetiva além deste testemunho para substanciar sua fé. Portanto, tudo o que ele pode fazer e fechar olhos e ouvidos e dizer: “Minha experiência é objetivamente real independentemente do fato de que outras pessoas também reivindicam uma.” Isto é, de maneira demasiado óbvia, uma resposta delirante que todos os que afirmam ter tido uma experiência religiosa dariam e na verdade dão. Não admira que Kel tenha replicado com perspicácia: “Evidências privadas que se autocertificam são inúteis porque são indistinguíveis de uma ilusão delas.

Minha terceira questão é ainda mais problemática.

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