quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

No Brasil João Havelange e Carlos Alberto Torres são filósofos, Vilém Flusser não.

Por André,

Como vocês leram aqui no meu site, a  (sic) "Academia brasileira de Filosofia" (!!!) considera que figuras como Carlos Alberto Torres (capitão do Tri, no México) e João Havelange, ex-presidente da FIFA e responsável pela instalação da CORRUPÇÃO na entidade máxima do futebol.

Isso posto, talvez nem todos saibam, para ser filósofo de verdade, um sujeito chamado Vilém FLusser teve de sair correndo do Brasil e ir para a Alemanha para ser filósofo.


Vilém Flusser (1920 - 1991)
(...) Para um filósofo, se o é por devoção sincera e não por simples ofício acadêmico (que é uma forma de existência política e nada mais), não há coisa da qual ele mais deseje estar próximo, sem se afastar dela um só instante, do que a sua própria voz interior, o verbum mentis , no qual ele se reconhece como autoconsciência responsável e que é, de fato, o único elo que liga seu pensamento à sua própria realidade, portanto a todas as demais realidades. Todo conhecimento da realidade obedece, com efeito, a esta lei de ferro, segundo a qual quem conhece com a periferia do seu ser só conhece perifericamente, e só quem se instala no centro do seu próprio coração pode enxergar o centro do que quer que seja. Mesmo um pensamento sobre assunto nominalmente filosófico, se não é pensado desde esse núcleo vivo da responsabilidade existencial e cognitiva, não é filosófico de maneira alguma, mas apenas, na melhor das hipóteses, uma imitação bem feita de discurso filosófico. Incluo nesta categoria, sem hesitação, tudo o que tenho lido da produção de nossos filosofantes desde o dia em que o saudoso Vilém Flusser, cansado de um diálogo impossível com filósofos de plástico, foi embora do Brasil para ser filósofo alemão na Alemanha.

Retirado daqui.

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