segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

O episódio é velho, mas o assunto é atual: Os Simpsons no Brasil

Por André,



Muitos já devem ter ouvido falar do episódio do seriado Os Simpsons em que a família americana vem ao Brasil; é feita referência ao país em outros dois episódios (que eu me lembre).

Sou fã do seriado. Um dos produtores (Matt Groening) é filósofo, minto, cursou filosofia. Pela falta de perspectiva da profissão, passoua  fazer parte do projeto.

No referido episódio, inteiramente dedicado à terra de Santa Cruz, Lisa clama para que a família venha ao Brasil para ajudar um garoto órfão. Estando aqui, macacos estão soltos nas ruas, é feita referência ao jeitinho brasileiro, ao carnaval, à violência (já que Homer é sequestrado), percebemos que os produtores fizeram a lição de casa: resumiram o Brasil em 23 minutos.

Num outro episódio, cuja dublagem em português simplesmente censurou as observações de Lisa e Bart, o dia em que a família veio ao país é relembrado e o seguinte diálogo se desenrola: "Esta é a pior viagem que fizemos" e um dos dois replica "não, nenhum lugar/nenhuma viagem é pior que o Brasil".

Numa outra oportunidade, a viagem é lembrada e Homer diz "Parece que o problema com os macacos piorou no Brasil".

Desnecessário dizer que os protestos, relinchos e "revoltas" pulularam aos montes, à época do lançamento dos episódios. Semelhantes reações foram observadas com a brincadeiras de Robbie Willians e Silvester Stallone.

Antes de mais nada, é preciso relembrar a hipocrisia dos que esbravejaram contra o espetacular seriado americano. Em primeiro lugar, porque os mesmos que se doeram são os primeiros a gargalhar de rir do "antiamericanismo" do desenho. Existe outro desenho tão crítico com a sociedade americana? Desenho que coloca Homer Simpson como protótipo do americano comum?

Como diz o bom e velho ditado, pimenta no rabo dos outros é refresco.

Mas a coisa é bem mais grave. Pois esse sentimento de "não fale mal de mim porque tenho medinho de olhar feio" está encrustado no brasileiro e é extremamente nocivo.

Ser patriota e extremamente crítico com sua nação não são, necessariamente, coisas que se excluem mutuamente. A lisonja excessiva é mais um sinal de despreocupação do que de interesse. Por exemplo, você nunca criticou um amigo?

Fechar os olhos para a realidade não adianta, ela continua lá. Como disse o Danilo Gentilli no episódio Robbie Williams: o Brasil é uma mulher de 300 Kg que se julga magra e que perde as estribeiras se alguém a chama de gorda. Certamente isso não está a ajudando a emagrecer.

A hipocrisia do brasileiro é um troço enojante. Se incomoda com uma anedota de um desenho, mas não se importa com o fato de pagar 45% da sua renda anual em impostos, só para citar um exemplo.

Por isso que, embora seja muito crítico para com a sociedade americana, ele acaba por mostrar a maturidade e a superioridade intelectual do americano.

Sabem rir se si próprios e brincar com suas manias, defeitos e costumes.

Vejamos:

Não há muito de certo ou errado na série, tudo é mostrado na sua face ridícula e caricata. Matt Groening se põe na posição de olhar os EUA desde cima, não poupando ninguém... Até nós olavetes temos nosso lado caricato...

Exemplificando:

Homer - Arquétipo do homem americano médio. Consumista, alienado e "burro".

Marge - Arquétipo da mulher média. Dedicada e dividida entre o lar e a independencia e, em conseuquência disso, às vezes, se perde nos dois.

Bart - Um moleque americano típico. Cabeça oca, amoral ainda que ingênuo. A "geração SK8"...

Lisa - Adolescente comum dos tempos de hoje. Sempre a procura de saciar "aquela vontade de participar, de mudar o mundo..." Típica jovem que acha que ser liberal (no sentido americano, i.e., esquerdista) é a coisa mais cult do mundo, no Brasil seria o jovem que lê o Manifesto Comunista, usa camiseta do Chê e boina e marca revolução via iPad.

Família Flanders - Caricatura de família religiosa e conservadora.

Tem ainda um personagem texano que vive atirando, o bêbado, o policial estúpido, o chefe de Homer, Sr. Burns - caricatura do capitalista inescrupuloso.

Enquanto isso, outros têm manias, costumes e defeitos muito piores e ainda fazem propaganda estatal para convencer o mundo que rebolar com penacho enfiado no rabo é o ápice da diversão. 

Muitos não gostam porque simplesmente não entendem as sátiras e talvez sequer saibam o que é uma sátira. Acostumados a humor que "não precisa pensar muito" (Zorra Total, Ratinho, Pânico et caterva), não gostam de desenhos/seriados que podem, praticamente, ser chamados de "cult": Os Simpsons, Futurama, Family Guy, American Dad, South Park, The Big Bang Theory.

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