domingo, 25 de março de 2012

Bocejo pessimista XIII - Confissões

Tomo emprestado o título que Rousseau tomou de Agostinho.



O texto data de 2011.

    Não há necessariamente ordem cronológica, tampouco precisão acadêmica em possíveis citações (fugi disso propositalmente). Os envolvidos quase nunca terão seus nomes ditos diretamente (apesar dos nomes algumas vezes poderem ser inferidos pelo contexto).

1

    A nobre arte da dança entra em minha vida, remetendo-me à tradição ateniense, por uma via que jamais poderia ter previsto. (...) e definitivamente poderia dançar (caso eu dominasse tal arte, deveras nobre).

  (...) Voz suave e doce; óculos, (...). Pele alva, (...).

    Apesar de relativamente bem enturmado, tenho quase certeza que até esse ano nunca a havia visto, nunca havia tido tal prazer. (...). Gotas do iceberg derretiam-se paulatinamente. Era calor; não lembro dia tampouco o mês. Não pude disfarçar o olhar, não sei se ela percebeu, não tive coragem de cumprimentá-la, mas fui incapaz de desviar o olhar.

    Débilmente, como de costume, tentei falar, mesmo que relativamente longe, sobre tecnologia da informática, na inútil tentativa de causar impressão. A esta altura estava comprometida e mesmo que não estivesse, não podia ter tentado indústria mais frustrada.

    (...) Fui de simpatia acima do comum (algo que não passaria despercebido por algum conhecido que se atentasse à conversa). Muito simpática e atenciosa, de voz indescritivelmente agradável. (...) anotou seu e-mail em um papel de minha posse, no dia seguinte fiz, prontamente, o que havia prometido.

    Depois disso, já tinha coragem suficiente para cumprimentá-la; não poderia perder um beijo no rosto. Fotocópias foram objeto da nossa próxima conversa. (...) dali em diante, estupidamente e de uma boa-vontade fora da minha rotina comum, (...): uma forma de agradá-la, dela saber que me lembrava, que pensava nela, que me preocupava com algo relacionado a ela, e claro, era outra chance de vê-la sorrir.

    Essa rotina se seguiu, era o que estava ao meu alcance, já estava 'contente' com isso, cumprimentos simpáticos acima da média. Estava comprometida, porém esse era um fator, por incrível que pareça, de pouca importância, mesmo que não estivesse, jamais teria coragem de me aproximar o suficiente, como de costume.

    Repeti o que inutilmente havia feito das outras raríssimas vezes que senti algo parecido, o que estava ao alcance desse pobre diabo; covarde, 'estranho', reservado, tímido, de trejeitos duvidosos, de escassa beleza, de voz esganiçada: a procurei numa rede social (...).[...]

    A sequência disso é praticamente um borrão. Durante isso houveram conversas, informais, especulava algumas informações; ria, às vezes.

    David Hume entra em cena, o galanteador francês, o participante assíduo dos salões franceses, dessa vez acabou não funcionando, (...). [...].

    O 'encontro' viria algum tempo depois. Começava a pensar que havia deixado escapar algo com “segundas intenções” em alguma conversa e que ela, na verdade, não queria se encontrar comigo, nem mesmo para fins outros. [...]

    Tentava não prestar atenção nela, para não me distrair nem ficar com expressão lunática que já era corriqueira o suficiente.

    Provavelmente falei bobagens ao longo desse intervalo de tempo, minha mania megalomaníaca de exaltar minha suposta inteligência, desenvolvida ao longo dos anos, sempre me proporcionava falas que poderiam ser evitadas.

    A essa altura já estava 'sozinha' novamente.

    Contudo, ao que parece, a conversa agradou. (...). Ora não tive coragem de perguntar e parecer invasivo, ora perguntava e não obtia resposta, o que me fazia temer parecer inconveniente e me fazia temer mais ainda, pois imaginava estar sendo ignorado, por ter feito/dito algo.

    Passados alguns dias, consegui um contato efetivo. Foi MUITO agradável. Ela, mesmo no reino da informalidade, disse que me considerava um gênio, ao passo que eu, me considerava uma besta e a considerava bestial, se há algo de divino, este divino é terreno e participa de seu ser; algo de divino a habitava (...).

    Ao tomar nota disso, supus não ter feito/dito nada desagradável, então me senti livre para puxar conversa.

   (...).

    Alguém requisitando a minha presença sem maiores interesses em vista? Algo de diferente de fato havia ali. A ideia muito me agradava, provavelmente já havia, no passado, sido aventada por milésimos de segundo em minha mente, mas nunca sequer foi concatenada numa série sólida de pensamentos, porque soava absurda.

    Topei com alegria, fiz planos, projetos, ideias. Todos vistos com entusiasmo.


   (...).

  Os três pontos indicam supressão de trechos que entregam a identidade da envolvida.

  Continua (ou não).


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