terça-feira, 20 de março de 2012

O Deus Malévolo

Do Blog da Crítica,

Stephen Law desafia os teístas a responderem ao seguinte desafio: "Se o bem no mundo é suficiente para excluir um Deus Mau, porque é que o mal no mundo não é suficiente para excluir um Deus Bom?"

Para perceber o desafio de Law é preciso perceber o que é problema do Mal para os teístas. Se acreditarmos num Deus omnipotente, omnisciente e sumamente bom, então o mal no mundo (especialmente o mal natural - aquele que não é causado por nós) torna-se especialmente problemático. Afinal, porque é que um Deus sumamente bom haveria de criar um mundo com cancro, velhice, terramotos, pragas e tantas outras coisas más?

Como resposta a este problema, foram propostas várias teodiceias ou defesas da coexistência de Deus com o mal no mundo. Parte do mal que existe é resultado da nossa liberdade, que tem de existir, como condição de possibilidade de acções boas (ou particularmente boas). Talvez outra parte do mal exista porque Deus criou o mundo em que leis da natureza que regem os eventos físicos, para que nós possamos explicar e controlar os fenómenos naturais (e prever os resultados das nossas acções), ou talvez algum mal esteja justificado nesta vida, face ao bem-estar infinito da vida eterna no Paraíso.

Neste contexto, Stephen Law nota que estas explicações também poderiam ser dadas para explicar a compatibilidade entre o Deus Malévolo e a existência de Bem. Talvez o Deus Malévolo valorize mais o mal livremente causado e, por isso, nos dê liberdade, não obstante isso implicar algum bem. Talvez o Deus Malévolo permita o bem natural (a alegria espontânea, ter filhos, apaixonar-se ou simpatizar com alguém, ter o prazer do Sol a bater-nos na cara ou passar um dia na praia, a existência de comida saborosa) porque também quer que o Universo permita regularidades, para que nós sejamos especialmente responsáveis pelas nossas acções - seja como for, à primeira vista, a mim parece-me que há muito mais mal natural do que bem natural. Ou talvez, algum bem nesta vida esteja justificado pelo sofrimento eterno que vamos passar na próxima no Inferno.

Por isso, porque é que consideramos a existência de um Deus bom mais provável que a existência de um Deus Malévolo, quando parecem ambos tão improváveis face ao que observamos no mundo?

Aqui, pode ver no blog do filósofo uma exposição divertida do desafio do Deus Malévolo que foi postada no Youtube, embora tendenciosa, que também considera um argumento ontológico invertido (mas note-se que Law quer que o seu desafio seja acerca de evidência empírica que, aparentemente, há tanto contra o Deus Bom como contra o Deus Malévolo).

Alguém tem uma resposta a Stephen Law? Não há alguma coisa de estranho em todo este desafio? Ou será que o raciocínio dele está correcto?

Nenhum comentário:

Postar um comentário

1. Seja polido;

2. Preze pela ortografia e gramática da sua língua-mãe.