quarta-feira, 23 de maio de 2012

Bocejo pessimista XXI - (...) desesperada e desgraçadamente.

Por André,



Começo a sentir dores.

Os efeitos orgânicos estão se multiplicando (queria eu que as CAUSAS fossem orgânicas, seria permitido curar a tudo isso com fármacos).

Não me alimento direito há dias. Sento à mesa, os neurônios põem-se a trabalhar e o apetite se esvai. Ganho expressão atônita e os alimentos dançam sem norte. Ninguém se espanta mais, tornou-se rotina.

A taquicardia tornou-se minha companheira fiel. Nada mais natural este descompasso, não é a primeira vez que me acompanha e provavelmente não será a última. Nem de longe o ritmo do meu músculo cardíaco é suave e agradável aos sentidos quanto são seus passos.

Meu sono nunca foi tão irrequieto. Tão fora de ritmo, parece ter vontade própria. Se resume a, quando muito, um quarto de dia, constantemente interrompido por pensamentos mal resolvidos oriundos da vigília, regados a lampejos visuais nem sempre reconhecíveis. Quisera eu que ele seguisse o ritmo suave da sua expressão.

Se concentrar virou, como sempre nessas ocasiões, uma utopia. Fico a procurar padrões, referências, coincidências. Observo e seleciono, e acabo relacionando... Tudo acaba por me remeter à suavidade que você exprime. Entre um Kant e outro Hume, você aparece e povoa meus pensamentos, causando uma prazerosa confusão. A materialidade da minha alma se resume a você: matéria bruta dos meus pensamentos, átomos da minha alma.


Faz perder meu ideal racional, minha lógica, meu caráter analítico. Faz dar razão aos filósofos que desprezo. Falsifica minhas teorias sobre as paixões, as inclinações, as afecções, os afetos ou qualquer outro conceito inventado pelos sábios.

A pergunta que me faço: quão bom isso é? É bom? Vale a pena?

Só há uma última teoria a ser falsificada: a saber, que estar emocionalmente neutro sempre é uma posição privilegiada a estar emocionalmente envolvido. Me convencerá disso?

Ou, como atualmente creio, é tudo uma questão de química e neurologia?

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