segunda-feira, 21 de maio de 2012

Todo mundo morre

Por André,



Esse é o título do último episódio de um dos melhores e mais populares seriados de todos os tempos. O Dr. Gregory House, interpretado magistralmente pelo polivalente Hugh Laurie encarna o perfeito arquétipo do anti-herói. O modelo clássico de homem bondoso, que trata bem a todos e que  não agrada mais o público, todos estão cansados disso. House é brilhante, mas também é mal-humorado e arrogante, além de tratar “mal” as pessoas. Mas será que isso importa? Como ele próprio diz: “o que você prefere, um médico que segure sua mão enquanto você morre ou um que te ignora enquanto te cura”? A despeito de todos os seus “defeitos”, TODOS admiram o talento de House, gostariam de estar em seu lugar, as mulheres o desejam...    

“House MD” é muito mais que mais um enlatado americano, a começar por sua inspiração, o Sherlock Holmes de Conan Doyle (embora o próprio David Shore já tenha admitido a inspiração, as semelhanças são gritantes: “House/Holmes”; “Wilson/Watson”; a arrogância de ambos, o vício em vicodin do primeiro em cocaína do segundo etc.). O médico ranzinza é a perfeita representação da atitude científica (voltada estritamente para a observação, formulação de hipótese, teste), é a racionalidade levada às últimas consequências.
   
House me faz lembrar do filósofo romeno Emil Cioran, as semelhanças também são várias: misantropos, a fisiologia lhes foi determinante na sua constituição enquanto sujeito e, no caso de Cioran, da sua produção filosófica - a inseparável dor na perna do médico e a insônia que afligiu o filósofo (mas também há diferenças entre os dois: House confia na razão e na lógica, ao passo que Cioran, trocando carícias com o pós-modernismo, rejeita qualquer tipo de racionalidade). A intensa e inseparável dor na perna de House fez dele um homem mais objetivo e frio, de certa forma, lhe concedeu uma visão privilegiada das coisas.
    
House, é claro, também é hobbesiano per excellence, tal como o filósofo inglês, o brilhante médico crê que “todo mundo mente”, considera que a natureza humana é corrupta e que mentir é uma de suas marcas registradas, certamente subscreve a famosa sentença de Hobbes que afirma que “o homem é o lobo do homem”.
   
Enfim, o último episódio de House, o encerramento da maior série de todos os tempos ocorre hoje (21/05/12), com um especial de duas horas. A admiração por um dos personagens mais interessantes da TV de todos os tempos emana de vários aspectos. Quem morrerá hoje? House? Seu (único) amigo Wilson? Treze (com sua doença degenerativa)? Ninguém, pois quem morrerá será o seriado? Saberemos hoje à noite. 

Eu aspiro ser como o Dr. Gregory House (embora me pareça muito com o Dr. Wilson).

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