terça-feira, 5 de junho de 2012

A mentalidade conservadora, de Russel Kirk, sairá este ano pela É Realizações


Por mais que se diga, termos como “esquerda” e “direita” continuam a fazer sentido, embora o sentido não seja o mesmo que há 50 anos.

Prova disso é que, com poucas exceções, a palavra “direita” ainda tem uma conotação injuriosa –e em geral se prefere o termo “conservador”.

De modo que, hoje, quando alguém se diz (ou é chamado de) “conservador”, sabemos se tratar de um “direitista”. A favor dos grandes negócios, da mínima intervenção do Estado na economia, da indústria armamentista, da “dureza” contra os adversários, da ideia de que a competição, mais do que a solidariedade, estão inscritas na natureza humana.

Enfim, não estou definindo nada com grande precisão, mas também não estou forçando o significado da palavra “direita”.

Nem sempre o “direitista” é sinônimo, entretanto, de “conservador”, ainda que hoje em dia as coisas se confundam cada vez mais.

Na década de 1950, nos Estados Unidos, pode-se dizer que em certo sentido pouquíssima gente era “conservadora”, embora houvesse direitistas às pampas; mesmo a esquerda, em sua maioria, estava plenamente engajada num anticomunismo sem paralelo com o que acontecia no ambiente europeu.

O conservador americano nos anos 50 poderia, por exemplo, ser bem mais ecológico, amigo das tradições rurais e crítico do consumismo –enquanto para a direita anticomunista a grande indústria, o consumo, a “vida moderna” era o de mais precioso a defender.

É nesse contexto que surgiu, em 1952, o livro de Russell Kirk, “The Conservative Mind”, que em breve sai no Brasil pela editora É Realizações, com o título “A Mentalidade Conservadora”.

Segundo o prefácio, ninguém acreditava que tal panorama do pensamento conservador, “de Burke a Santayana”, como diz o subtítulo, fosse ter muito impacto na vida intelectual americana.

Mas foi, pelo que leio, uma espécie de “chamado às armas”, destacando que havia algo de respeitável nos argumentos antiquados de Burke e companhia.

Minha impressão é que, nos anos 50, não havia muita necessidade de se ser conservador, quando o anticomunismo unificava as mentalidades americanas.

Extinto o comunismo, a direita pôde ser mais liberal (desestatizante) e assestou suas armas contra a social-democracia, o welfare state, as conquistas sociais alcançadas a partir dos anos 30, e em especial durante a Guerra Fria, nas democracias ocidentais.

Aí os argumentos conservadores passaram a ter mais interesse: a própria crítica à democracia, ao voto universal, reaparece nos neoconservadores, uma vez que não se tem mais a ditadura soviética para combater.

O livro de Russell Kirk é muito interessante, bem escrito e útil para se saber a origem do pensamento, tão em voga atualmente, de que a igualdade, a liberdade e a fraternidade são balelas, que a última palavra sobre o homem foi pronunciada com a lenda do pecado original, etc.

À medida que eu lia, fui notando contradições e maluquices em tudo isso, mas vou comentando aos poucos.

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