domingo, 8 de julho de 2012

Observações de Stephen Law sobre o argumento da "experiência pessoal"

Por André,

Stephen Law publicou hoje (juntamente com algumas observações sobre a posição de Karen Armstrong sobre o tema) algumas observações sobre o popular argumento da experiência pessoal para a existência de Deus. Os comentários foram retirados de seu livro, "Believing Bullshit".

Fiquei curioso porque as objeções de Law são, basicamente, as mesmas que eu sempre faço a este argumento, que acho dos mais fracos e mais arrogantes. Fiquei triste porque ele as publicou na minha frente.

O argumento é fraco e o primeiro indício disso é que ele é o primeiro a surgir na boca de religiosos "inocentes". Todos eles garantem ter tido alguma experiência com seu deus pessoal e isso é atestado suficiente para sua existência. Ora, caso se dessem ao trabalho de olhar para o quintal do vizinho, perceberiam que toda sorte de "milagres", intervenções e tudo mais, é produto gerado a atacado por TODAS as religiões. Tem pra todos os gostos: católicos, pentecostais, neopentecostais e até na igrejinha aqui na esquina da rua, os fiéis garantem uma cura por semana.

Então, primeira objeção: relato de experiência pessoal, TODO fiel, adepto de TODA religião tem pelo menos uma para contar.

Das duas uma: ou você abre mão do argumento e apela para algum outro, ou você se responsabiliza pelo pesadíssimo ônus de garantir que todas as SUAS experiências e SEUS "milagres" são verdadeiros e TODOS os milagres e experiências dos adeptos das outras religiões são falsos. Tarefa árdua pra qualquer cético.

Segunda objeção: as experiências relatadas são todas "locais". Cristãos experimentam Jesus, Nossa Senhora e afins, muçulmanos experimentam Allah e assim por diante. Ou seja, a dita experiência pessoal vem apenas confirmar o que já estava lá. Não é nada de novo.

Ademais disso, tem muita gente experimentando muita coisa por aí para simplesmente acreditarmos nisso. Qual o critério de distinção entre delírio (um maluco que experimenta uma conversa longa com Napoleão num hospício mundo afora) e sua experiência pessoal religiosa? Qual critério diz que sua experiência, católica é melhor que a evangélica e vice-versa? (E não adianta dizer que as duas são verdadeiras, pois são contraditorias entre si)

E essas mesmas objeções se aplicam a outras coisas ditas "sobrenaturais" ou fora do comum: abduções, fantasmas, bruxas. E também ao surgimento de lendas de todo o folclore mundial. Lendo livros de antropologia, descobrimos que boa parte desses mitos surgem a partir de relatos de "experiências pessoais" dos habitantes da determinada região com as entidades folcloricas descritas.

Uma ultima saída seria apelar para um subjetivismo tao forte que eu chamaria de solipsismo: a experiência e exclusivamente sua, você reconhece que e impossível prova-la, mas a tem como verdade. Você teria de reconhecer que esse "argumento" tem peso apologético nulo, o que lhe tira o status ate mesmo de argumento.

Enfim, as duas objeções de Law:

(1) Religious experiences tend to be culturally specific. Christians experience the guiding hand of Jesus, while Muslims experience Allah. Just like experiences of alien abduction (reports of alien abduction pretty much stop at certain national borders), the character of religious experiences often changes at national borders. In Catholic countries, the Virgin Mary is often seen, but not over the border in a predominantly Muslim country. This strongly suggests that to a significant degree religious experiences are shaped by our cultural expectations—by the power of suggestion. And once we know that a large part of what is experienced is a result of the power of suggestion, we immediately have grounds for being somewhat suspicious about what remains.

(2) Religious experiences often contradict each other. George W. Bush’s gut told him God wanted war with Iraq. However, the religious antenna of other believers—including other Christians—told them God wanted peace. Some religious people claim to know by virtue of a revelatory experience that Christ is divine and was resurrected. Muslims, relying instead on the religious revelations of the prophet Mohammad, deny this. Religious experience reveals that some gods are cruel and vengeful, some even requiring the blood of children (the Mayan and Aztec gods, for example), while others are loving and kind. The religious experiences of some Buddhists reveal there’s no personal God, whereas those of many Christians, Jews, and Muslims reveal that there is but one personal God. Other religions have a pantheon of gods. Take a step back and look at the sweep of human history, and you find an extraordinary range of such experiences. Religious revelation has produced a vast hodge-podge of contradictory claims, many of which must, therefore, be false. Even those who believe they have had things directly revealed to them by God must acknowledge that a great many equally convinced people are deluded about what has supposedly been revealed to them.



There are similar reasons for supposing the bulk of psychic experiences are also delusional. What is revealed to psychics is often wrong, often contradicted by what other psychics claim, and so on.



O post segue com um comentário sobre a posição de Armstrong sobre o tema.

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