sexta-feira, 6 de julho de 2012

Reflexões sobre a memória

Por André,



Borges, em um de seus contos mais geniais, retrata um homem - Funes - com uma memória implacável, apesar de sua pouca inteligência (não tratarei desse curioso fato, embora, por exemplo, tenha aprendido inúmeras línguas, pouca contribuição Funes pôde dar, visto que aprender envolve o esquecimento, como já ensinava Platão).

Num outro livro, Borges fala de sua própria memória (e cita Bergson), onde quero aproveitar a deixa para fazer uma pequena reflexão sobre a minha própria:

"(...) porque minha memória escolhe; escolheu alguns fatos e tenta esquecer os fatos adversos"

Jorge Luis Borges. In: Sobre a Filosofia e outros diálogos, p. 74.

No mesmo livro, Borges faz referência ao francês Bergson para corroborar sua observação sobre a seletividade da memória.


Por um tempo eu pensei que minha memória fosse boa - não é o caso! Minha memória é seletiva. Não digo que a seleção seja consciente, que eu observo e escolho o que deve e o que não deve ser lembrado, sejam palavras, frases, citações, nomes, expressões faciais ou o que for.

A memória é seletiva e assim deve ser. A minha é. Felizmente ninguém (e acho que nem eu próprio) sabe qual é seu "critério de seleção".

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