quarta-feira, 4 de julho de 2012

Trechos do "Guia politicamente incorreto da filosofia". Ou como eu chamo: verdades intuitivas que todos conhecem mas poucos têm coragem de dizer

Por André,



Referência completa:

PONDÉ, Luiz Felipe. Guia politicamente incorreto da filosofia. São Paulo: ed. Leya, 2012.

“A sensibilidade democrática odeia esta verdade: os homens não são iguais, e os poucos melhores sempre carregaram a humanidade nas costas” p. 29

“Movidos pela ideia rousseauniana de que o mais fraco politicamente é por definição o melhor moralmente, o exército do politicamente correto se transformou numa grande horda de violência  na esfera intelectual nas últimas décadas”. p. 32

“O politicamente correto hoje é muito amplo como fenômeno, mas sempre é autoritário na sua essência, porque supõe estar salvando o mundo”. p.33

“Uma das maiores besteiras em educação é dizer que todos os alunos são iguais em capacidade de produzir e receber conhecimento” p. 38

“Basicamente, o mundo sempre foi mau e continuará a ser, porque ele é fruto do comportamento humano, que parece ter certos pressupostos naturais”. p. 39

“O aristoi sofre muito mais do que o homem comum. É mais solitário, objeto de inveja e ódio, entende muito mais das coisas do que a maioria mediana, enfim, está muito longe da ideia de que os “melhores” são aproveitadores dos outros, pelo contrário, os outros vivem graças a estes (a “grande alma” do Aristóteles). p. 39

“Outra característica problemática da democracia é sua vocação tagarela, como dizia o conde de Tocqueville. Nela, as pessoas são estimuladas a ter opinião sobre tudo, e a afirmação de que todos os homens são guais (quando a igualdade deve ser apenas perante um tribunal) leva as pessoas mais idiotas a assumir que são capazes de opinar sobre tudo”. p. 51

“(...) a democracia sempre dá a vitória aos idiotas porque são a massa” p. 52

“(...) o mundo é sempre hostil à individualidade, que é fonte de valor para si mesma”. p. 53

“O indivíduo verdadeiro sofre a perseguição mais descarada, porque ele sim vive a dureza de ter uma personalidade ativa e por isso mesmo acaba sendo um cético com relação às promessas de autonomia para as massas” p. 56

“Por sua vez, os judeus pensam que os cristãos pegaram o bonde errado ao assumir que Jesus foi o Messias. Logo, conflito. Melhor tomar drinks e comer croquettes.
    Muçulmanos são lindos, índios são lindos, a África é linda, canibais são lindos, imigrantes ilegais são lindos, enfim, todos os “outros” são lindos. Uma das áreas mais amadas pela praga do politicamente correto é a chamada “ética do outro”, ou seja, uma obrigação de acharmos que o “outro” é sempre legal. “Outro” aqui significa quase sempre outras culturas ou algo posto a Igreja, Deus, heterossexual, capitalismo ou arrumar o quarto e lavar o banheiro todo dia”. p. 60

“(...) a maioria esmagadora desses “outros” de que o politicamente correto fala não dá muito valor a respeitar “outro” algum. Esse problema é típico da cultura ocidental e de sua herança cristã e iluminista. A maior parte do islamismo não está nem aí para esse papinho de “respeito ao outro”. p. 63

“Todo mundo sabe que quase ninguém está disposto a viver como os índios, mas é comum gente boba achá-los “superavançados” com suas técnicas médicas do Neolítico”. p. 72

“Para a praga PC, dizer que índios são populações próximas ao Neolítico é um pecado capital, ainda que a maioria desses crentes apenas finja amor por eles.” p. 73

“Os idiotas românticos de hoje em dia esquecem que câncer é tão natural quanto passarinhos e pensa que a natureza seja apenas os passarinhos.” p. 73

“O que está pressuposto por trás da hipótese da minha amiga afetada por essa praga? Que eu sou machista, que a medicina é machista, que os medidores de pressão arterial são machistas, que os ambulatórios são machistas, enfim, que o átomo é machista. A construção social se faz assim: nem a fisiologia é biológica, mas social e política. Dá sono, não?
    Para esses fanáticos, homens e mulheres não existem da mesma forma que cães e gatos, mas são projetos ideológicos. Todas as diferenças de temperamento, comportamento, expectativas e mesmo biológicas são frutos do patriarcalismo” p. 81

“(...) há uma pitada de mau-caratismo no feminismo e provavelmente porque suas líderes são, em grande maioria, feias e mal-amadas e por isso querem um mundo feio e infeliz para se sentir mais em casa”. p. 92

"Esse tema é especialmente dramático, ainda que seja em si mesmo mínimo como problema, porque ele revela uma das maiores desgraças do politicamente correto: ninguém pode dizer que gente pobre (de espírito, porque você pode ter dinheiro e ainda assim ter espírito de churrasco na laje) é INSUPORTÁVEL QUANDO FICA FELIZ. PRINCIPALMENTE QUANDO ACHA LINDO SEUS FILHOS CORRENDO E PULANDO EM CIMA DOS OUTROS."  p. 109

“Não conheço ninguém que adote o politicamente correto e não seja mau-caráter, fora aqueles que têm idade mental de 10 anos”. p. 124

“Basicamente, uma religião não precisa sustentar nada a não ser uma dieta balanceada, uma bike importada e duas ou três latas de lixo de design em casa, para reciclagem de lixo. Esse é o budismo da gente “chiquinha” de São Paulo. Normalmente é gente com grana, preguiçosa, que nunca quis arrumar o quarto quando era adolescente e, com o budismo light, descobriu que esse é um direito dela, porque no budismo não existe pecado, logo, você pode ser preguiçoso com bênçãos cósmicas”. p. 128

“Na Idade Média, a natureza humana era basicamente pensada em termos teológicos: somos como nossos pais Adão e Eva, orgulhosos, viciados em sexo, mentirosos, invejosos e outras coisas óbvias que todo mundo sabe que é verdade, mesmo que Adão e Eva nunca tenham existido.” p. 135

“A oposição clara se dará entre Hobbes e Rousseau, sendo que o segundo é de fato o pai da esquerda e de todo o otimismo filosófico-político posterior a ele e, por decorrência,  politicamente correto”. p. 137

“O próprio culto à ideia idiota de que deveríamos “aprender a viver” como os índios, os aborígenes e as tribos africanas que vivem ainda no Neolítico advém dessa bobagem rousseauniana e da versão retardada do mal-estar romântico”. p. 137

“(...) alguns poucos carregam a aula e o mundo nas costas”. p. 138

“Dizer coisas como todo índio é legal, pobre é sempre gente boa, gay é sempre honesto, todo mundo tem sua dose de miséria, além de vaidade barata, simplifica (como sempre, o pior efeito da praga PC é a burrice que ela cultiva) a natureza humana, nos impedindo de pensar em nós mesmos de modo adulto. Ideias como a de Pico e Rousseau servem para nos deixar infantis, e só gente infantil acredita na felicidade.” p. 139

“Para o escocês blasé, como costumam descrevê-lo, que gostava de acordar tarde e não gostava de trabalhar, só fanático podia imaginar uma sociedade com “justiça social”, porque produzir riqueza tem a ver com originalidade, inteligência, capacidade de disciplina, e nada disso tem a ver com 'igualdade'.” p. 166

“É fácil você pregar sobre convivência com o outro quando sua população é rica e quase todo mundo tem olhos azuis, é loiro e tem um nome do tipo “Amundsen”. É fácil repartir com poucas pessoas quando se tem muito. Não é por acaso que os europeus se fecham aos imigrantes porque não querem dividir seu “sossego”. É normal, o ridículo é negar isso. O politicamente correto nega que seja normal (embora não seja “bonito”) ser egoísta e com isso dá uma roupagem bonita ao egoísmo, porque pretende torná-lo invisível.” p. 167

“Nietzsche diz que um dia o asceta cristão foi ao deserto e se indagou acerca da razão de o sofrimento existir. “Por que sofremos?” Segundo nosso profeta alemão do niilismo, o asceta respondeu a si mesmo que o sofrimento existia para nos ensinar a “evolução espiritual”. Erro crasso para Nietzsche, traço indelével de que o sofrimento não tem razão de ser porque o universo é cego. Hoje o ressentimento, assim como a hipocrisia social, mudou de roupagem, hoje ele é político. No fundo, o politicamente correto é um ressentido”. p. 168

“Somos basicamente covardes porque a vida é basicamente infeliz”. p. 174

“Pouco me importa a África. Calma, caro leitor, exagero. Algum sentimento todos nós temos pelo sofrimento dos outros. Mas, se não o virmos, melhor, assim podemos ir ao cinema e jantar fora, porque inclusive, se não fizermos isso, nossos parceiros de vida vão nos achar uns chatos” p. 195

“Nada mais chato do que o medo de não agradar”. p. 195

“Ninguém é capaz de tanto amor; amamos, quando muito, nossos familiares (e olhe lá) e umas duas ou três pessoas a mais.” p. 195

“A canalhice sempre pagou bem nesse mundo, e o politicamente correto é uma das nocas formas de canalhice que assolam o mundo da cultura, da academia e da mídia.
    Em mim, o amor é raro como a virtude de uma mulher louca de desejo”. p. 196

“A condenação imediata da crítica à africanização compulsória da cultura baiana é exemplo claro do autoritarismo do politicamente correto”. p. 201

“A ideia de que qualquer coisa que venha do povo é boa é absurda. Além do mais, a maior parte do povo é idiota porque a maioria é sempre idiota e infantil”. p. 202

“Ninguém põe em dúvida a escravidão e o preconceito racial nem o dever de acabar com eles. Mas dizer que, por isso, “tudo que é africano é lindo” ou que “todo negro é maravilhoso”, típico do politicamente correto, é um crime intelectual e afetivo.
    O fato é que, além da devastação causada pela alegria histérica do axé baiano, vive-se numa constante escravidão a serviço do fundamentalismo afro. A Bahia é, nesse caso, uma exemplo claro de vítima social e histórica da praga PC.” p. 202

“Como diz o psiquiatra inglês Theodore Dalrymple, o ressentimento é um dos sentimentos mais fortes e duradouros na experiência humana, e o welfare state, ao encher as pessoas com direitos a (quase) tudo, cria uma situação peculiar, que é fazer com que os cidadãos sejam, ao mesmo tempo, ingratos com o que recebem (já que tudo o que recebem é direito “inalienável”) e ressentidos quando não recebem seus “direitos”.  Não há saída para essa equação de geração de preguiça e mau-caráter. E esses “direitos” custam caro. Quem paga a conta? Quem trabalha, é claro. A minoria sempre carregou o mundo nas costas.
    O welfare state nega o fato de que poucos são mais capazes, mais inteligentes, mais esforçados e mais disciplinados e que por isso devem gozar dos resultados das suas virtudes. Dizer isso é politicamente incorreto, mas é verdade. A praga PC (e seu parceiro, o Estado de bem-estar social europeu, responsável em grande parte pela derrocada da Europa nos últimos meses) estimula o vício e pune a virtude por não a reconhecer e por fazer com que ela pague a conta dos vagabundos.” p. 206


“Ao final, a praga do PC é apenas mais uma forma enraivecida de recusar a idade adulta e de aniquilar a inteligência. O que ela mais teme é a coragem. Por isso, diz que o povo é lindo quando não é, diz que as mulheres estão bem sozinhas, quando não estão (estavam mal acompanhadas e agora estão pior sozinhas, porque a humanidade é basicamente infeliz e incoerente com relação aos desejos e às expectativas), diz que a natureza é uma mãe quando ela é mais Medeia, nos proíbe de reclamar de gente brega ao nosso redor, mente sobre aqueles que lutaram contra a ditadura (eles não eram muito melhores do que os torturadores se tivessem a chance de torturar alguém), nega a importância da culpa porque é mau-caráter, enfim, não é capaz de reconhecer valor em nada porque nega a própria capacidade humana de fazer discernimento”. p. 216

Um comentário:

  1. À despeito do autor pretender escrever um livro sobre filosofia, fica clara a sua parcialidade em favor das classes abastadas. A onda do "politicamente incorreto" que vem emergindo cada vez com mais força (inicialmente no humor, o grande propulsor de ideias da humanidade) é apenas o retorço da minhoca retirada de seu lugar e exposta ao sol. A direita brasileira é narcisista e odeia ter que se submeter ao povo, como vem tendo que fazer desde 2003. Mas como já dizia Marx "a burguesia é a classe mais revolucionária que existe". Sempre que suas estruturas são abaladas ela dá um jeito de reagir.

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