domingo, 23 de dezembro de 2012

""Debate"" na USP sobre a ascensão ""conservadora"" em São Paulo

Por André,

Fala de André Singer:


Única coisa de valor do discurso de Singer:

- Havia na década de 90, no Brasil, uma hegemonia cultural da esquerda. Dominando os jornais, a literatura, constituindo o zeitgeist da época.

Erros:

- Ele trata tudo por "neoliberalismo". Típico discurso de buldogue de luxo da esquerda que faz carinha de nojo e trata tudo, indiscriminadamente, como "neoliberalismo". Um pirulito para quem citar um filósofo neoliberal e, arrisco dizer, um economista neoliberal. (É lícito ousar a dizer que os neoliberais SÃO a esquerda: "Longe de Berlim, fora do mundo").

Não distingue entre liberalismo, libertarianismo, anarco-capitalismo. Conservadorismo, cadê? Burke, Oakeshott, Trilling? Nada.

- Espantalho do conservador como aquele que rejeita toda e qualquer mudança. Bocó.

- A suposta onda pode ser contraposta (i.e., parada a qualquer custo) pelos (sic) "movimentos progressistas". O que faltou foi relacionar isso com a fala anterior: os progressistas estão na vanguarda cultural, no mínimo, desde a década de 90.

Fala de Marilena Chaui:


A classe média é hipócrita, especialmente a nova classe média. É arrogante e ainda traz os modos de seu passado pobre de espírito: mal-educado e pouco cortês. Fato que comentei aqui.

Porém, a falta de educação é onipresente, é cosmopolita. Quem nunca viu pobre mal educado precisa assistir os vídeos da época em que a prefeitura fazia um bolo quilométrico e distribuía gratuitamente. Precisa pegar o metrô às 18 horas. Precisa ir numa feira livre. Me poupe, dona Marilena. A má educação das pessoas que você encontrou nada tem a ver com São Paulo ou com o caráter reacionário/conservador dos paulistas.

Gostaria de evidências concretas e não de meras associações correlatas (há conservadorismo em São Paulo (?) e há gente mal educada) com pretensão de causalidade (o conservadorismo dos paulistanos CAUSA seus maus modos).

Outra pergunta legítima: a fala de Singer comprova um fato que é de consciência de poucos - o domínio cultural da esquerda, que remonta, no mínimo à década de 90 - ou seja, a juventude atual (a mesma que destrói o campus, que usa blusa da GAP mas quer igualdade) é filha dessa atmosfera cultural. É lícito afirmar que o comportamento de muitas pessoas hoje é resultado dessa atmosfera, daí pergunto: está reclamando do que, cara pálida? [Isso me reporta ao episódio citado por Olavo de Carvalho em comentário a este mesmo debate, onde Theodor Adorno, menina dos olhos da esquerda, teve seu escritório invadido por moças seminuas que começaram a lhe beijar indiscretamente - não é que o velho ousou reclamar? Ora pois, meu filho, as moças nada mais estavam que a realizar aquilo que ele próprio havia prescrito - não há nada mais sagrado que os impulsos sexuais (os trieb), portanto, que os realizemos sem restrição {lembrando que a escola de Frankfurt é um bem-bolado de marxismo e psicanálise}]

Contudo, tudo isso é desnecessário, chega a beirar o ridículo afirmar que a uma educação conservadora gera pessoas mal educadas, até mesmo o esteriótipo (!!)  - muitas vezes criado pelos próprios esquerdistas - do conservador vai contra isso (o fantasma do conservador inglês, membro do Tóri: desprezo pelo governo e pela burocracia, individualista, cético quanto aos intelectuais e acadêmicos em geral, ortodoxo quanto ao sexo e a moral, defensor da posse de armas, frequentador da igreja aos domingos, cultivador de um jardim etc).

A imagem do conservador que Marilena tentou vender simplesmente não cola. Trata-se apenas de uma pessoa mal educada. Tentar associar o comportamento dessa pessoa ao espírito conservador não passa de um joguete estratégico (e dos baratos).

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Neoliberalismo blablablá, neoliberalismo isso, aquilo. Essa palavra foi intencionalmente esvaziada de sentido e satanizada; é empregada indiscriminadamente em qualquer lugar. Estão seguindo direitinho as regras dos teóricos marxistas: esvazie a linguagem e adote o significado mais adequado ao momento.

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PORÉM, meus caros, tudo isto é retórica, o propósito maior deste """debate""" (sinto náuseas só de pensar em chamar isso de debate) era o que eu vi ao vivo nos corredores: fazer campanha para o candidato petista Fernando Haddad, pululavam nos corredores senhores com bótons da campanha de Haddad na lapela de seus blazers chiques. Nada melhor para atestar essa minha constatação que a fala de um minuto e meio do ilustre Ricardo Mucce sobre o caos que vivemos na cidade ("ui, temos um candidato marxista"):





That's all, folks.

2 comentários:

  1. Também achei fraca aquela generalização que a Chauí fez da classe média. Fiz uma pequena analogia do ódio usado no livro 1984, com o discurso da Marilena Chauí. Se o professor puder dizer se acertei na analogia, serei muito grato.
    http://literatura66.blogspot.com.br/2015/02/marilena-chaui-e-o-odio.html

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  2. http://literatura66.blogspot.com.br/2015/02/marilena-chaui-e-o-odio.html

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