segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Exílio de Depardieu é novo revés de Hollande

Por Globo,
O ator Gerard Depardieu em outubro deste ano



AFP/JOHANNES EISELE
PARIS — Dois dos maiores símbolos da Resistência francesa, a dupla de gauleses Asterix & Obelix, personagens da célebre história em quadrinhos criada por René Goscinny e Albert Uderzo, deixaram o país. O ator Christian Clavier, intérprete do pequenino e valente Asterix no cinema, já havia fixado residência em Londres em outubro. Seu inseparável companheiro Obelix, encarnado pelo patrimônio nacional Gérard Depardieu, seguiu seus passos, e mudou seu endereço para Néchin, na Bélgica. O motivo da partida, que provocou polêmica na França, é o aumento de impostos sobre as grandes fortunas, medida adotada pelo governo socialista do presidente François Hollande - uma taxa de 75% sobre rendimentos superiores a € 1 milhão vigorará por dois anos.
A atitude de Depardieu reacendeu o debate sobre a tributação francesa e a evasão de ricos para países dotados de uma legislação mais branda para os cidadãos mais afortunados, além de provocar uma viva reação por parte do governo. O primeiro-ministro Jean-Marc Ayrault qualificou a decisão do ator de “deplorável”.

O célebre ator respondeu por meio de uma carta aberta: “Eu, infelizmente, não tenho mais nada a fazer aqui. Parto porque vocês consideram que o sucesso, a criação, o talento, na verdade, a diferença, devem ser punidos”, disparou Depardieu, eleitor declarado do ex-presidente Nicolas Sarkozy, derrotado por Hollande nas urnas. Ao exigir ser respeitado, acrescentou: “Devolvo meu passaporte e meu Seguro Social, do qual nunca me servi. Não temos mais a mesma pátria, sou um verdadeiro europeu, um cidadão do mundo, como meu pai me inculcou.”

Nesta segunda-feira, a ministra da Cultura, Aurélie Filippetti, se disse “escandalizada” com a decisão do ator de renunciar ao seu passaporte francês.

- A nacionalidade francesa é uma honra, são direitos e deveres também, entre os quais o fato de poder pagar impostos - defendeu.

Críticas da esquerda

Atacado pelos ricos, o presidente François Hollande tem sido igualmente contestado por não governar tão à esquerda como gostariam partidários de seu próprio campo. Segundo a última pesquisas do instituto Ifop, os índices de popularidade do presidente e de seu primeiro-ministro caíram para 37% e 35%, respectivamente, colocando-os como a dupla de líderes mais impopular da Quinta República (iniciada em 1958) nesse estágio de governo, um dado considerado “inquietante” por parlamentares socialistas.

Acusado de “prudência excessiva” e de “indecisão crônica” por analistas políticos, Hollande, que se elegeu defendendo um estilo de “Presidência normal”, também sofre com a cacofonia entre ministros, divergências com o grupo ecologista - integrante da coalizão de governo -, e contundentes ataques da esquerda radical.

Seus assessores mais próximos aconselham uma “nova estratégia de comunicação” e a adoção de um “espírito de campanha” para enfrentar a atual crise econômica.

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