quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

O ciclo das polêmicas na internet

Por Canudos Coloridos,

Polêmica: Racismo
Frequência: Mensal
Como tudo começa: Alguém é chamado publicamente de macaco.
O que mais se ouve:  "Temos uma dívida histórica com os negros", "Não vejo diferença entre usar uma camiseta com 100% negro ou 100% branco", "A diferença é que os negros foram escravizados durante séculos", "E por que ninguém fala nada de cota para negros no esporte?", "E quando aparece negro na novela é sempre fazendo papel de empregada doméstica", "O que você tem contra empregada doméstica?", "Nada, o que eu quis dizer é que negros sempre pegam papéis de subordinados", "Mas você não acabou de falar que essa é a realidade do negro no país?"

Polêmica: Homofobia
Frequência: A cada 2 ou 3 semanas
Como tudo começa: Gays ou algo muito parecido com gays são espancados sem motivo na rua.
O que mais se ouve: "PLC 122 já!", "O Estado é laico", "A bancada evangélica impede o avanço deste país", "E se no lugar de um gay fosse um negro?", "E se no lugar de um gay fosse a sua mãe?", "Discurso de ódio não é liberdade de expressão", "Silas Malafaia impede o avanço deste país", "Eu, felizmente, não gosto de futebol! Acho que é uma sociabilidade masculina que se afirma contra a homossexualidade".

Polêmica: Machismo
Frequência: A cada 2 semanas
Como tudo começa: Com uma piada.
O que mais se ouve: "A porra da buceta é minha!", "O Estado é laico", "Tiramos a roupa e mostramos os seios como protesto contra o machismo", "Propaganda de cerveja objetifica a mulher porque as mostram sem roupa", "E ainda tem gente que vem me dizer que homem também apanha", "Precisamos de homens feministas", "Clique aqui e conheça um homem que usou uma saia kilt para entender o preconceito".

Polêmica: Piada
Frequência: A cada 2 semanas
Como tudo começa: Alguém faz uma piada infeliz envolvendo gay ou mulher ou negro ou pobre ou qualquer outra minoria desfavorecida em evidência no momento.
O que mais se ouve: "Discurso de ódio não é liberdade de expressão", "Era só uma piada", "Não, não era só uma piada", "O problema é que a piada não era engraçada", "Ele quer a qualquer custo defender uma piada preconceituosa", "Você pode fazer a piada mas vai ter que responder pelas consequências", "A porra da piada é minha!", "O Estado é laico", "A piada é discriminatória, misógina e fascista", "E se no lugar da piada fosse um negro?".

Polêmica: Aborto
Frequência: A cada 2 meses
Como tudo começa: STF ou outro órgão do governo resolve discutir o conceito de vida.
O que mais se ouve: "A mulher é dona do próprio corpo", "O Estado é laico", "Embrião do tamanho de um grão de feijão não tem autonomia", "Quem tem dinheiro pode fazer aborto", "Pobre não pode fazer aborto", "É preciso dar condições para o pobre fazer aborto", "Chega de ver pobre nascendo", "É só um abortinho", "O Estado é laico", "A porra da buceta é minha!", "10 dicas de aborto, clique aqui".


Polêmica: Classe Média
Frequência: Semanal
Como tudo começa: Um sujeito que ganha mais do que cinco salários mínimos reclama de alguma coisa - qualquer coisa.
O que mais se ouve: "Classe média sofre", "A classe média paulistana é protofascista", "Marilena Chauí é uma intelectual brilhante", "A classe média é conservadora e reacionária", "A classe média é misógina", "A classe média paulistana é nazista", "A classe média é neopentefascista", "A classe média é protonazipseudocult", "O Estado é laico", "E se no lugar da classe média fosse a porra de uma buceta nazista?"

Polêmica: Bicicleta
Frequência: Mensal
Como tudo começa: Um ciclista branco de classe média é atropelado na avenida Paulista.
O que mais se ouve: "Precisamos de mais ciclovias", "Não dá mais pra ter carro em São Paulo", "O trânsito é desumano", "Precisamos aumentar o preço do carro, não diminuir", "Em país de primeiro mundo não é o pobre que tem carro, mas o rico que anda de transporte público", "Os motorizados não têm respeito", "Até Hitler tinha lá sua simpatia pela bicicleta", "A direita brasileira motorizada é pior do que Hitler".

Polêmica: Crack
Frequência: A cada 3 meses
Como tudo começa: O governo resolve dar um jeito na cracolândia.
O que mais se ouve: "Evacuam a região por causa da especulação imobiliária", "O crack é a droga que mais vicia", "O problema do crack é que ele não mata tão rápido assim", "Você encontra até mulheres grávidas na cracolândia", "O crack é um problema que atinge todas as classes sociais", "Estou falando de crack, não de gummy bear", "Drogados, não - dependentes químicos", "Os dependentes do crack são vítimas", "Clique aqui e conheça o mapa do crack", "A ação da polícia parte de uma política higienista", "Clique aqui e conheça receitas com crack".


Polêmica: Ateísmo
Frequência: A cada 2 ou 3 semanas
Como tudo começa: Declarações do Datena, Silas Malafaia ou Papa.
O que mais se ouve: "Isso é falta de Deus no coração", "O Estado é laico", "Religião não define caráter", "Tem gente que leva o ateísmo como se fosse uma religião", "Meus amigos ateus falam mais de Deus do que meus amigos católicos", "A dura vida dos ateus em um Brasil cada vez mais evangélico", "Os países mais desenvolvidos têm o maior número de ateus", "O Estado é laico", "Clique aqui e conheça o mapa do ateísmo no mundo", "Clique aqui e conheça a porra de uma buceta ateísta", "E se no lugar de um ateu fosse um negro?", "O Estado é laico", "Charles Chaplin era ateu; Hitler acreditava em Deus e tinha simpatia por bicicleta", "Clique aqui e conheça um ateu negro de classe média", "E se no lugar de uma buceta negra fosse um homossexual motorizado?", "E se no lugar do Estado laico fosse uma Marilena Chauí negra, mulher e homossexual?", "Clique aqui e conheça a Marilena Chauí", "Clique aqui e conheça a Lola", "Clique aqui e conheça o yorkshire do Olavo de Carvalho", "Aumente o seu pênis", "Clique aqui e conheça o aborto de um ateu".

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