segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

O Natal deve ser mais comercial

Por Leonard Peikoff



O Natal na America é uma demonstração exuberante da generosidade humana, produtividade capitalista e uma celebração da vida. Ainda assim, todas essas coisas são castigadas como “materialistas”; o significado real do feriado, eles nos dizem, é sobre o mito da natividade e injunções altruístas (como amar o seu próximo) que ninguém leva a sério.

Na verdade, o Natal como nós celebramos atualmente é uma invenção americana do século 19. A liberdade e prosperidade no período após a Guerra Civil Americana criou a nação mais feliz da história. O resultado foi um desejo de celebrar, deleitar-se com os bens e prazeres da vida na terra. O Natal (que não era um feriado nacional até 1870) se tornou a principal data para expressar isso.

Historicamente, as pessoas sempre celebraram o solstício de inverno quando o tempo começava a alongar, indicando o retorno da terra a vida. Os antigos Romanos celebravam isso durante o festival de Saturnalia. Os primeiro cristãos condenaram essas celebrações romanas. - eles estavam aguardando o fim do mundo e tinham uma rejeição profunda a prazeres na terra. No seculo 4, os pagãos adoravam o deus do sol em 25 de dezembro, e os cristãos tomaram uma decisão: se você não pode impedí-los, junte-se a eles. Eles declararam que a data era o nascimento de Jesus e usurparam o feriado de solstício para sua igreja.

Mesmo depois dos cristãos roubarem o Natal, eles foram ambivalentes. O feriado era inerentemente um festival pró-vida de renovação terrena, mas os cristãos pregavam a renúncia, o sacrifício e a preocupação com o outro mundo, não esse. Como Cotton Mather, um clérigo do século 18, colocou: “Você pode em sua consciência pensar que nosso sagrado salvador é honrado por alegria? Será que deve ser dito que no nascimento do nosso salvador nós devemos gastar nosso tempo com ações que tem muito mais a ver com o inferno do que com o céu?

Então vieram os grandes desenvolvimentos do Capitalismo no século 19: industralização, urbanização, o triunfo da ciência - tudo isso levando a transportes cada vez mais fáceis, entrega eficiente de cartas, a publicação generalizada de livros e revistas, novas invenções que fazem a vida confortável e excitante e o surgimento dos empreendedores que entenderam que a forma de lucrar era produzir algo bom e vender no mercado de massa.

Pela primeira vez, dar presentes se tornou uma importante característica do Natal. Os primeiros cristãos denunciaram o ato de presentear como uma prática romana, e os puritanos a chamaram de diabólica. Mas os americanos não foram detidos. Graças ao Capitalismo, há riqueza suficiente para tornar presentes possíveis, um grande aparato produtivo para anunciá-los e torna-los disponíveis de forma barata e um país tão contente que os homens queriam presentear seus amigos e expressar a maravilha que é a vida. O país inteiro começou a dar presentes com alegria em uma escala sem precedentes.

Papai Noel é uma invenção americana. Havia há muito tempo atrás um fraco feriado conectado com o santo Nicholas (em 5 de dezembro). Em 1822, um americano chamado Clement Clarke Moore escreveu um poema sobre uma vista do santo Nick. Foi Moore (e alguns poucos novaiorquinos) que inventaram a aparência física do st. Nick e sua personalidade, e vieram com a ideia de que o Papai Noel viaja na noite de Natal em um trenó puxado por renas, descendo as chaminés, deixando brinquedos para as crianças e então voltando para o Polo Norte.

Como era de se esperar, os puritanos denunciaram o Papai Noel como o anticristo, porque ele colocava Jesus no pano de fundo. Além disso, o Papai Noel implicitamente rejeitava toda a ética cristã. Ele não denunciava os ricos ou demandava que eles dessem tudo para os pobres; pelo contrário, ele dava presentes da mesma forma para as crianças, fossem elas ricas ou pobres. Papai Noel também não era um defensor da misericórdia e do amor incondicional. Pelo contrário, ele defendia a justiça - o Papai Noel presenteava somente garotos com bom comportamento, e não dava nada para os ruins.

Os melhores costumes do Natal, das canções a árvores com decoração espetacular, tem sua raiz em ideias e práticas pagãs. Esses costumes foram ampliados enormemente pela cultura americana, como produto da razão, ciência, negócios, globalização, egoísmo e busca da felicidade.

A tragédia da America é que os líderes intelectuais tem tentado substituir a felicidade pela culpa ao insistir que o significado espiritual do Natal é religioso é o auto-sacrifício. Mas o espiritual deve começar com o reconhecimento da realidade. A vida requer a razão, o egoísmo, capitalismo; isso é o que o Natal deve celebrar - e na verdade, abaixo de toda essa pretensão, isso é o que é realmente celebrado. É hora de pegar de volta o Natal dos cristãos e transformá-lo em um feriado egoísta sem culpa, pró-razão, essa celebração mundial do comércio.

Tradução de Juliano Torres.

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