quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Tendência conservadora é forte no país, diz Datafolha. Not that fast...

Por Folha de São Paulo,

Maioria é contra liberação de drogas e acha que a maldade explica o crime 

Para 61%, a pobreza é resultado da falta de oportunidades, mas 37% acham que o problema é a preguiça 

A maioria dos brasileiros é tolerante com a homossexualidade, mas é contra a liberação do uso de drogas. A maioria acha que a desigualdade social alimenta a pobreza, mas acredita que a maldade das pessoas é a principal causa da criminalidade.

Esse contraste entre posições liberais e conservadoras é uma marca da sociedade brasileira, de acordo com pesquisa nacional feita pelo Datafolha no último dia 13. Foram realizadas 2.588 entrevistas em 160 municípios.

Inspirado por uma metodologia adotada por institutos de pesquisa estrangeiros, o Datafolha submeteu os entrevistados a uma bateria de perguntas sobre assuntos polêmicos para verificar a inclinação das pessoas por valores liberais e conservadores.

Entre os temas explorados pelo levantamento, a questão que menos divide a sociedade brasileira diz respeito à influência da religião na vida das pessoas. Para 86%, crer em Deus torna as pessoas melhores. Só 13% acham que isso não é necessariamente verdadeiro, afirma o Datafolha.

A questão que mais divide os brasileiros, de acordo com a pesquisa, tem a ver com o papel dos sindicatos. Para 49%, eles são importantes para defender os interesses dos trabalhadores. Mas 46% acham que eles servem mais para fazer política do que para representar seus filiados.
Para 61% dos entrevistados, parte da pobreza brasileira pode ser explicada pela falta de oportunidades iguais para que todos possam subir na vida. Para 37% o problema é a preguiça de pessoas que não querem trabalhar.

A desigualdade é o fator principal na opinião dos mais jovens, e uma explicação menos convincente para os mais velhos. Na região Sul do país, 50% acham que a falta de oportunidades é o problema, e 48% culpam a preguiça.


Ressalvas:

Algumas ressalvas devem ser feitas, o brasileiro do "Brasil profundo" (termo de Plínio Corrêa de Oliveira) sim, de fato, é conservador. Mas esse conservadorismo muitas vezes está travestido apenas de um mero "moralismo" - sem muito a se comemorar. Normalmente vem associado a um forte desejo de receber algum benefício do estado (a crítica dirigida aos que recebem, muitas vezes, é mais uma revolta por não fazer parte do bolo que um problema ideológico com as políticas).

Este mesmo brasileiro, especialmente o mais simples, é eleitor do PT. Independente do valor de verdade de qualquer teoria política, ser "conservador" e votar num partido comprometido com a agenda da esquerda é um contradição explícita (para essa constatação é indiferente se o conservadorismo é ou não a posição a ser adotada, a partir do momento que você a adota, a contradição passa a existir).

Outro ponto, acerca da linguagem da nota da Folha, pontuada por Rodrigo Constantino no Facebook:

"Gostaria de chamar a atenção dos colegas para algo que venho notando, e que considero preocupante (mas sinal dos ventos de mudança): parte da imprensa está tentando adotar no Brasil a dicotomia liberal x conservador dos EUA. Ou seja, a esquerda, vendo que o esquerdismo está em baixa e o liberalismo em alta, vai tentar usurpar o termo aqui também! A Folha trouxe reportagem sobre pesquisa mostrando que o brasileiro é conservador, e colocou um quadro comparando liberais e conservadores. Adivinhem onde estava a bandeira do desarmamento? Liberais! Já vi outras evidências anedóticas do fenômeno. A turma quer confundir o público com os conceitos, como se liberal fosse defender as medidas intervencionistas do estado. Não podemos deixar isso acontecer aqui. Tal confusão custou muito caro aos americanos. O que precisamos ter aqui são liberais e conservadores unidos (apesar de suas divergências) contra o esquerdismo intervencionista!"

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