sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Vai ser preciso o Ronaldo se naturalizar americano?


Em 1957, a escritora e filósofa Ayn Rand, lançou sua Magnum Opus – A Revolta de Atlas. Nessa distopia, a russo-americana desenha um cenário de caos quando os artistas, os produtores e os inovadores resolvem entrar em greve, cansados de serem tidos como exploradores e inescrupulosos, quando na verdade “levam o mundo nas costas”. Dessa forma, os outros, que apenas espoliam as riquezas geradas, não conseguem administrar com eficiência as empresas, acarretando uma hecatombe social. Esse livro foi eleito pelo povo americano como a segunda obra de maior influência nos EUA. (Creio que eles precisam lê-la novamente com urgência!). A mensagem é clara: o mundo precisa de gente que possa criar, e não puni-las por isso.

Em 2012, Gerárd Depardieu, um dos maiores atores franceses da atual geração, disse que irá renunciar a sua cidadania francesa e ir morar na Bélgica para fugir dos pesadíssimos impostos sobre fortunas da França. O que chamo de pesadíssimos? 75% da sua renda. Quer mais? Como se não bastasse, o ator de Obelix ainda foi exposto publicamente pelo governo francês por esse ato.

Mera coincidência?

A verdade é que os governos europeus (e não só eles) estão falidos. O tão sonhado mundo dos direitos (à saúde, à educação primária e superior, à moradia, à alimentação, à renda mínima, à previdência, etc.) não casa com a realidade. A conta simplesmente não fecha. Ele até se mantém com alguns defeitos, mas em pouco tempo ele decai, demonstrando suas fragilidades. A lição que deveríamos ter em mente é: o governo não pode sair distribuindo direitos e pagar a conta com gigantescas dívidas. Um dia o longo prazo chega, e parece que esse dia está bem próximo. No caso francês, o governo ta querendo uma chance para colocar a economia no trilho, retirando três quartos do que os ricos ganham. Gerárd Depardieu, um desses ricos, disse não à esse “pedido” do governo. Nada mais justo.

No Brasil não vivemos uma realidade muito diferente. Nossos empreendedores e produtores são sufocados com um estado obeso, lento e ineficiente. O resultado disso? Nossas principais cabeças pensantes, os jovens que deveriam criar algo novo, se enfileiram por cargos públicos meramente burocráticos. Nosso atual modelo mata a inovação na raiz: na cabeça dos jovens que pensam em empreender, mas esbarram em um estado hipertrofiado com um emaranhado de leis incompreensíveis e impostos obscenos. Ou você nunca se perguntou o porquê de Bill Gates e Steve Jobs serem americanos e não brasileiros? Os jovens americanos são mais inteligentes do que os brasileiros? Não! Apenas não possuem tantas barreiras para criar como aqui.

Mas isso tudo passa totalmente despercebido no nosso cotidiano. Comportamos-nos como um sapo dentro de uma panela com água quente. Simplesmente, não percebemos a elevação gradual da temperatura (leia-se: aumento do estado), até o dia que padeceremos sem perceber, por não inovarmos mais!

Fecharemos 2012 com um crescimento de PIB na casa de 1%, e uma inflação superior a 5%. Será que isso não basta para percebermos que nosso atual modelo de crescimento é falido? Será necessário o Ronaldo se naturalizar americano para percebermos isso?

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