sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Brasileiros e seu caso de amor com a mentira e a hipocrisia

Por Thadeu Furtado Barros,

Um problema da sociedade brasileira: o mentirismo - Segunda carta de Paco aos ateístas

Caros colegas ateístas do sítio ateístas.com, nesta postagem, quero falar sobre um tema que vejo enraizado na cultura brasileira, esta que eu admiro tanto, a comunhão da mentira. Venho de um país, meu querido México, onde as bromas são cotidianas e, em certos aspectos, identificáveis com a forma de ser do brasileiro. Tenho uma breve vivência nos Estados Unidos, onde o sacarmo é bastante apreciado, mas normalmente acompanhado de bons tragos de franqueza. Não me surpreendeu ver que aqui, dada a gentileza natural de sua gente, o mentirismo piedoso fosse tão comum. O que, sim, me deixa algo perplexo é como a insinceridade não apenas é desejada, como muitas vezes, solicitada.

O Brasil é uma ubicação ingrata para os adeptos ao verdadeirismo. Embora a maioria das pessoas, se questionadas sobre preferir verdade a mentira, digam, sem pensar, a primeira, elas gostam mais de ouvir inverdades, ou seja, elas já estão mentindo, até mesmo nesta resposta. E porque esta hipocrisia? Porque a verdade é mais bem vista por seus pares e parecer apreciá-la agrega valor moral.

Um fato é que as pessoas adoram mentir e adoram ouvir mentiras, ou verdades que já conheçam e lhes são agradáveis. Quando alguém, com um fenótipo claramente esbelto, diz que se sente feio, muito provavelmente está mentindo para que digam a verdade que lhe convém. Se realmente estivesse incomodado com sua aparência, dificilmente tocaria no tema e, se o fizesse, ficaria feliz com uma provável mentira simpática. Em último caso, que uma pessoa franca confirmasse seu aspecto detestável, possivelmente a reação seria de magoamento, explícito ou não, ou no máximo de conformismo inconforme.

As crianças são altamente treinadas para se corromperem desde que começam a falar. Não fossem suficientes as não clarezas das respostas dos pais, professores e demais adultos cercanos, às dúvidas mais comuns dos pequenos, seja por constrangimento, ignorância ou preguiça, também ralham-lhes pelas supostas ofensas proferidas. Uma verdade é diferente de um insulto. Dizer que uma pessoa é peluda  e pançuda é diferente de dizer que parece um chimpanzé. Te parece horrível dizer algo assim para alguém, ainda que seja de forma ingênua? Então, foste treinado. As pessoas só se incomodam com a verdade porque também foram orientadas que isto é errado. O ideal é que aprendam a ser respeitosos, não engenhosos. Com a idade aprenderão as consequências de suas palavras, mas se forem instruídos a mentir, o farão para a vida toda.

A começar pela escola, onde farão parecer que fizeram as pesquisas e os mestres farão parecer que as leram. O educandário divide com a família a responsabilidade de formar adultos emocionalmente dependentes.

Adultos, estes,  que viverão falsos relacionamentos. Uma parte das mulheres, senão a maioria, quando interrogadas acerca do que espera de um companheiro, omite o que realmente lhes faz interessar à primeira vista, para dizer que sinceridade é essencial. Incautos, não se deixem enganar! Nenhuma mulher é sincera quando afirma que o que mais lhe agrada em um homem é a sinceridade. Absolutamente, para dizer-lhes se estão gordas ou ridículas, um espelho ou uma amiga atenta é o suficiente. Da parelha, espera apenas doces falsetas e verdades óbvias.

Em outra via, os homens mentem para satisfazer esta necessidade das mulheres. Alguns fingem querer algo mais sério, para ter o que os dois querem. Mentem aonde vão, o que fazem, com quem falaram, independente de serem infiéis ou não, mas porque não querem iniciar uma discussão filosófica sobre o nada de mais ou o tudo de muito menos. É o protocolo do amor. Olhos que veem, coração que não sente.

Homens e mulheres que, no trabalho, serão igualmente dissimulados. Geralmente, os mais habilidosos chegam a altos postos e tratam de enganar os clientes, para melhores resultados financeiros. É um círculo vicioso que se repete nos esportes, política, meios de comunicação. Quanto mais mentirístico, maior repercussão terá.

Embora seja este um fenômeno mundial, a falácia, no Brasil é arraigada ao coloquialismo cotidiano. Contestar à um simples pedido de opinião com uma lhana resposta pode abalar fatalmente uma relação, de qualquer espécie. Isto porque as ligações são construídas em bases ilusórias, sustentadas por uma delgada camada de vaidade, proveniente, possivelmente, das clássicas desigualdades sociais seculares.

As gerações atuais já estão perdidas. Infelizmente, é quase impossível, ou porque não, catastrófico, que cidadãos começassem a dizer o que pensam cruamente. Mas o mundo será um lugar melhor, concertezamente, se deixarmos nossos filhos crescerem sem o mentirismo como arma de defesa e ataque. Pessoas superprotegidas são fracas, poucas conseguem usar isso a seu favor e se fortalecer. Ateístas do Brasil, uni-vos em prol da construção de um país de pessoas fortes e livres!

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