terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

O Discurso Conveniente e a Opção pelo Mal – Resposta a Marilena Chauí por Milton Pires


Modelo de bolsa da Professora Marilena Chauí e
que pode ser comprado com desconto para as suas alunas na FFLCH


Prezada professora Marilena Chauí, permita-me uma breve apresentação: sou alguém que jamais estudou filosofia ou história, que nunca fez nenhum tipo de “mestrado cheeseburger” (ou doutorado sanduíche, como vocês aí da FFLCH dizem) e – agora se prepare para o pior – alguém que acredita em Deus! Não se ofenda, portanto, professora, se invoco este mesmo Deus, já nas primeiras linhas,  com a esperança de que me ilumine na gigantesca tarefa de questioná-la.

 Não passo de um simples médico que mora em Porto Alegre. Aos 43 anos de idade, profundamente magoado com o que se tornou a Medicina no Brasil eu me tornei um “trabalhador da saúde” e estudo Filosofia como forma de consolo.

 Nos anos 80 e 90 li muitos de seus artigos. Tenho uma boa noção do que venha a ser ideologia, repressão sexual e discurso competente no âmbito da sua obra.

 Algum tempo atrás a senhora proferiu uma palestra em que chamava a classe média de São Paulo de “sinistra”. Mais  recentemente, tornou-se disponível na internet um vídeo em que a senhora chama a imprensa brasileira de “obscena” - imagino eu que em função da cobertura dada à Ação Penal 470.

Sabendo que a senhora é profunda conhecedora de Spinoza, faço minhas as palavras dele quando  o mesmo diz que “nada estimo mais, entre todas as coisas que não estão em meu poder, do que contrair uma aliança de amizade com homens que amem sinceramente a verdade”.

 É sobre este assunto - a verdade - que vamos tratar, a senhora e eu, nestas rápidas linhas. Gostaria de começar discutindo a história do Brasil num período em que a senhora me parece especialista – aquele que vai de 1964 a 1985. Imagino que o mais importante e que deve ficar claro para todos os seus alunos, é que em 1964 vivíamos em plena democracia tratando-se de uma grande mentira dessa imprensa “obscena” afirmar que, desde 1961, integrantes das chamadas Ligas Camponesas estavam fazendo treinamento terrorista em Cuba e voltando para o Brasil.

Penso também que quando tratamos da fundação do Partido dos Trabalhadores, devemos buscar sua origem na famosa reunião do Colégio Sião em São Paulo no ano de 1980; nunca no absurdo promovido pelo General Golbery do Couto e Silva quando em 1967 resolveu prender alguns de seus amigos e colegas de ensino superior na Ilha Grande junto com marginais comuns. Dessa reunião genial surgiram duas grandes instituições brasileiras – uma foi o Partido ao qual a senhora pertence; a outra o Comando Vermelho.

 A senhora deve lembrar-se desse ano, professora. 1967 pertence a uma década em que um colega seu da Alemanha, Herbert Marcuse, encontrou nos marginais um “potencial revolucionário até então ignorado”. Porém, não quero causar constrangimento e por isso vou mudar de assunto. Pergunto-lhe, com toda sinceridade, se é verdade ou não que o CNPQ transformou-se, a partir de 2003, no CNPQ do B, professora. Alguns amigos meus insistem com essa acusação. Afirmam que alguns dos seus pupilos passaram a frequentar esta que a senhora deve considerar atualmente uma das “melhores universidades do mundo” - a New York University (NYU). Saem de lá com teses tão importantes para Universidade Brasileira que a nossa chamada “cultura superior” nunca mais vai ser a mesma. Suponho a existência de trabalhos maravilhosos e até fantasio com alguns títulos. Assim, vislumbro a existência de algum PhD que desenvolveu o tema “A influência da masturbação feminina no interior de São Paulo no processo de globalização neoliberal” ou “Poluição Ambiental e preconceito de Gênero no Grande ABC”.

Parabéns, professora, são todos frutos seus. Sustentados pelo governo brasileiro, esses novos intelectuais passam 4 semanas em NY. Durante 3 delas, nada mais fazem do que tomar café em grandes copos de isopor e puxar o saco de professores gays, ateístas ou afro-americanos (de preferência as 3 coisas juntas) que, ao contrário dos MEUS verdadeiros amigos  gays, ateístas ou afro-brasileiros  são sustentados pela versão americana do PT – O Partido Democrata, este lixo que faz questão de destruir dia a dia através do New York Times, da ONU e das ONGS ecológicas tudo aquilo que a América construiu e conserva de bom.

Para terminar, outro tema que me intriga é este “tal de mensalão” que a senhora chamou de “distorção produzida pela Ditadura (imagino que seja a de 64; não a de Chaves ou Castro) no campo da política” fazendo ainda questão de dizer que o “mensalão não é uma questão de moral”.
Sobre moral, professora, não tenho condições para discutir com a senhora. Quero, porém esclarecer porque, já que não desejo “ofendê-la” considerando-a uma pessoal imoral. Eu jamais vou afirmar que a senhora é uma pessoa imoral, porque eu a considero sobre outro princípio. A senhora, depois de tudo que estudou na vida, depois da importância que alcançou no meio intelectual brasileiro, depois de ter emprestado sua imagem para eleger aquele que representava a última esperança para um povo como o nosso – esta aberração chamada Luís Inácio Lula da Silva – é uma pessoa AMORAL.

Tudo aquilo que a senhora escreveu nos anos 80 e 90 foi por água abaixo, professora, e agora pertence ao lixo da história. Seus livros, que antes eu encontrava nas grandes livrarias, agora estão mais disponíveis em sebos  porque a senhora, até para quem é leigo em filosofia e historia não passa de uma grande charlatã a serviço do partido mais criminoso de toda história política brasileira.

 É o PT, professora, quem diz o que é certo e errado para senhora. É ele quem define o seu conceito de moral e foi ele quem mudou todo o seu discurso. A senhora não tem mais nenhuma salvação, minha cara professora. Seu discurso é o conveniente; sua opção foi pelo mal.

Porto Alegre, 31 de janeiro de 2013

Milton Pires é médico cardiologista e colaborador d'O Bico do Tentilhão

Nenhum comentário:

Postar um comentário

1. Seja polido;

2. Preze pela ortografia e gramática da sua língua-mãe.