segunda-feira, 11 de março de 2013

Suposto apoio popular a Chavez é falácia. Por si só não significa nada

Por André,

Muitos compadres de Hugo Chavez usam como argumento o suposto apoio popular com que o ilustre morto conta. Mas ter suporte popular pode ser considerado como um argumento definitivo em favor de um governante ou de uma forma de governo?

Óbvio que não! E isso pode ser observado tanto no terreno lógico quanto no terreno prático.

No terreno lógico, trata-se de uma falácia de apelo à força, o nome técnico é falácia ad populum (apelo à força [da opinião] povo). O número de pessoas que crê ou apoia uma afirmativa não tem qualquer relação com a verdade da mesma. Na ironia de Anatole France "se 5 bilhões de pessoas acreditam em algo estúpido, esse algo continua sendo estúpido".

"A falácia ad populum (ao povo) é tradicionalmente definida como o apelo ao entusiasmo coletivo ou a sentimentos populares com o intuito de ganhar aceitação para uma conclusão que não se sustenta em boas provas"

(WALTON, D. Lógica Informal São Paulo: Editora Martins Fontes, 2007, p.116)


No terreno prático a coisa se torna ainda mais evidente, praticamente todas as ditaduras da História contaram com apoio popular (numa definição genérica de "apoio popular") - desde os entusiastas da ditadura brasileira à Coreia do Norte.

O entusiasmo do povo com seu líder (ainda que seja ao mesmo tempo algoz) é demonstrado no psicológico da nação (típico de regimes ditatoriais): a beatificação do líder. O "presidente", eleito em conformidade com o "regime democrático" não é um ser humano qualquer, suscetível à lógica implacável da natureza - isto é, capaz de morrer, adquirir um câncer por vias naturais, mas é um semi-deus que pode ser abatido apenas por forças inimigas. O herói nacional não é enterrado ou cremado, mas embalsamado, mumificado. Os indícios psicológicos do caráter ditatorial são evidentes.

Essa reflexão me remeteu à memorável propaganda da Folha de São Paulo:

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