quarta-feira, 3 de abril de 2013

Rand Paul desponta como opção da direita para retomar Casa Branca em 2016


Quando fez seu primeiro discurso político, o coração de Rand Paul saía pela boca. As mãos que hoje ele agita a meia-altura, palmas abertas para cima toda vez que fala em público, tremiam muito. 

E ele --como contaria aos formandos da Universidade Pikeville, no mesmo Kentucky que o elegeu senador em 2010-- estava certo de que seu desempenho era péssimo. 

Menos de cinco anos depois, um discurso de 13 horas ininterruptas no Senado em plena era da síndrome do deficit de atenção faria de Paul, 50, um astro entre os conservadores que colam os cacos após o fracasso nas urnas. 

O tema era o uso pelo governo Barack Obama de "drones", robôs aéreos que matam suspeitos de terrorismo (e que Paul descobriu, ao consultar o Departamento da Justiça, que podem vir a ser usados em território americano). 

O objetivo: atrasar a confirmação do novo diretor da CIA, John Brennan, ressuscitando a velha tradição política americana do "filibuster", longos discursos que costuram temas sérios a coisas prosaicas para obstruir votações. 

Brennan foi confirmado. Após 13 horas, porém, não só uma prática contestada havia sido trazida de volta à vida como o senador entrara na bolsa de apostas da disputa pela Casa Branca em 2016. 

"Paul mostrou como um só senador pode fazer diferença e, por outro lado, expôs o triste colapso intelectual da direita e da esquerda", escreveu a conservadora Jennifer Rubin em coluna elogiosa no "Washington Post". 

"Paul personifica o rumo do Partido Republicano hoje", concluiu Frank Bruni em crítica no "New York Times". 

Mais que a atenção da mídia, vale a chancela do eleitor. Em março, Rand Paul venceu a simulação eleitoral na convenção anual da CPAC (Conferência Política para a Ação Conservadora), principal evento do gênero. 

Com 25% dos votos entre 60 candidatos, superou os 23% do sorridente senador Marco Rubio, a arma republicana para atrair o cobiçado voto latino, que agora o trata como rival em entrevistas. 

E os 8% do ultraconservador Rick Santorum (segundo colocado nas primárias de 2012); os 7% dos carismático governador de Nova Jersey, Chris Christie; e os opacos 6% de Paul Ryan, o deputado e ex-candidato a vice-presidente que era, há pouco tempo, o prodígio do partido. 

Em maio, será a atração do prestigioso Dia de Lincoln, jantar usado pelos republicanos para levantar fundos, em Iowa, primeiro Estado a promover primárias partidárias. 

TAL PAI, TAL FILHO
 
Nascido na Pensilvânia, criado no Texas e eleito pelo Kentucky --Estado mais branco, mais velho e mais pobre do que a média nacional, segundo o Censo--, Paul cursou medicina na Universidade Duke, Carolina do Norte. 

Casou-se em 1990 com uma bacharel em inglês, Karen, e teve três filhos: William, Robert e Duncan (o primeiro, de 19 anos, foi pego dirigindo bêbado e acusado de assédio). Vivem em Bowling Green, cidade de 59 mil habitantes onde trabalhou como oftalmologista por 17 anos até se lançar ao Senado.

Paul tem a seu favor dois eleitorados-chave: o do hoje acéfalo Tea Party, o movimento ultraconservador que nasceu no Partido Republicano para reivindicar a redução de impostos, e o de seu pai, o ex-deputado Ron Paul. 

Em 2012, Ron Paul, 77, seduziu uma parcela do eleitorado jovem com o discurso libertário, de interferência mínima do Estado, que renega de impostos ao envolvimento militar dos EUA em conflitos externos à ingerência do governo em assuntos particulares, como o casamento gay e o consumo de maconha. 

Seu filho do meio, o único dos cinco a optar pela política, fez do palanque paterno um trampolim e clonou-lhe as bandeiras, tomando o cuidado de soar menos radical. 

"O Tea Party não é nem um pouco radical", escreve o senador em "O Tea Party Vai a Washington", primeiro de dois livros que escreveu. "O governo federal é que é."


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