quarta-feira, 1 de maio de 2013

O vermelho-sangue da revolução comunista

Por André,



“Só há uma maneira de encurtar e facilitar as convulsões da velha sociedade e o doloroso nascimento sanguinário de uma nova – o terror revolucionário” Karl Marx

“O marxismo é uma doutrina revolucionária. Ele declara expressamente que seu projeto propulsor será realizado por meio de uma guerra civil... o liquidar de todos os dissidentes estabelecerá a supremacia indisputada dos valores eternos e absolutos. Esta fórmula ser utilizada como solução de conflitos  envolvendo juízos de valor certamente não é nova. É um dispositivo conhecido e praticado desde tempos imemoriais. Matem os infiéis! Queimem os hereges! O que é novidade é, meramente, o fato de que hoje em dia, isso é vendido ao público sob o rótulo de ‘ciência’”. Ludwig von Mises, ‘Theory and History’, p. 51




 Por que Marx e Engels rejeitaram a possibilidade de atingir o socialismo por métodos democráticos e reformistas? Esta questão fora erigida em minha mente após concluir a leitura do Manifesto Comunista.

As palavras de Marx em um artigo de jornal de 1848: “há apenas uma maneira em que as agonias mortíferas da velha sociedade e o nascimento sanguinário de uma nova sociedade pode ser encurtado, simplificado e concentrado, esta maneira é o terror revolucionário”.

Um conjunto de razões a ser considerado é a impaciência com a mudança política numa democracia ou numa república. Para obter êxito nesses sistemas, os socialistas devem primeiro, se organizar. Mas isso levará tempo, e eles perderão eleições. Finalmente, eles vencerão algumas eleições, mas ainda serão minoria numa câmara legislativa, por exemplo. Após um tempo, serão maioria na câmara legislativa (mas não terão poder no judiciário ou executivo, por exemplo), mas suas propostas serão vetadas pelo judiciário ou pelo presidente. Ao mesmo tempo, a educação e o jornalismo estarão contra o socialismo ou se tornarão, vagarosamente, reformistas. Mesmo que os socialistas trespassem os obstáculos citados, a burguesia rica subornará alguém para permanecer no poder. Ou usarão a polícia e o exército para suprimir ameaças. Quem terá paciência para suportar tudo isso?

Contudo, para o marxismo, há uma razão filosófica forte para rejeitar o reformismo democrático: o determinismo ambiental. Marx afirma que, exceto como um potencial maleável, não há natureza humana – “a essência humana não possui realidade”, escreveu o jovem Marx. Consequentemente, os humanos são “plásticos” e moldados por suas circunstâncias. “Não é a consciência dos homens que determina suas vidas”, Marx escreveu, “mas, ao contrário, seu ser social que determina sua consciência”.

A palavra “social” é deveras importante na citação: as circunstâncias determinantes são fundamentalmente sociais. Marx vê os indivíduos como veículos de coletivos (“proletariado”, “burguesia”, “camponeses” etc) e não como indivíduos autônomos: “A atividade e a mente são sociais em seu conteúdo tanto quanto em sua origem: são atividade social e mente social”. E mais uma vez: o indivíduo “existe na realidade como representação e mente real da existência social”.

Além disso, são suas circunstâncias econômicas que constituem suas forças socioambientais fundamentais. Nas palavras de Marx, por exemplo: “tal como os indivíduos expressam suas vidas, assim eles são. O que são, portanto, coincide com sua produção, tanto o que produzem quanto como produzem. A natureza dos indivíduos depende, dessa forma, das condições materiais que determinam sua produção”.

O marxismo, portanto, está atrelado ao determinismo econômico-coletivo. O sistema de crenças de qualquer um é uma consequência necessária do sistema econômico do seu ser social. O que pensamos ser verdadeiro, racional e bom é determinado pelas circunstâncias econômicas em que estamos inseridos.

O que dizer do sistema capitalista em particular? Marx afirma que o capitalismo divide as pessoas em classes econômicas polarizadas, a burguesia e o proletariado. Os membros das duas classes nascem e são criados em circunstâncias econômicas fundamentalmente diferentes e opostas. “Na proporção em que o capital se acumula, os trabalhadores aumentam e sua situação piora. O acúmulo de riqueza em um polo é, ao mesmo tempo, acúmulo de miséria no polo oposto”. Este conjunto de circunstâncias econômicas combinado com o determinismo ambiental significa que a burguesia está condicionada a um conjunto de verdades sobre o que é racional e bom, ao passo que o proletariado está condicionado a um conjunto de verdades sobre o que é racional e bom oposto.

Dado seu condicionamento, não há nenhuma maneira para que os indivíduos de diferentes classes se comuniquem efetivamente um com o outro, que um entenda o outro e faça o outro mudar de ideia. Cada lado fora moldado para aderir a um conjunto oposto de crenças.

Disso segue que, para o marxismo, o processo democrático é uma impostura sem sentido. A democracia pressupõe a eficácia da razão – que os indivíduos podem observar, pensar e julgar por si próprios, que podem aprender a partir da experiência, que estão abertos à argumentação e podem mudar de ideia. O marxismo, entretanto, postula um princípio epistemológico: o conhecimento é condicionado, não um julgamento racional.

A consequência final que se segue disso, quando indivíduos condicionados de maneira diferente se encontram, é que o conflito pode ser resolvido apenas por meio da força. Os socialistas não podem argumentar com capitalistas, para que estes se tornem socialistas. Eles não podem objetivamente apresentar razões ou apelar para a razão. Eles podem apenas tomar conta pela via da violência e eliminar seus inimigos sociais. Como afirmou Engels, em 1849:

“A próxima guerra mundial resultará no desaparecimento da face da terra não apenas das classes reacionárias e das dinastias, mas também de todas as pessoas reacionárias. E isso, também, é um passo adiante” (The Magyar Struggle).


Tudo isso também contribui como explicação para a tradição de violência após Marx e Engels: Lenin, Stalin, Mao, Guzmán, Hobsbawn e outros que compõem esta longa lista. Os valores absolutos das mortes (cerca de 110 milhões de pessoas) operadas graças à realização da doutrina de Marx podem ser conferidas no post "Marxismo, a máquina assassina".

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