quinta-feira, 23 de maio de 2013

Os pobres e miseráveis brasileiros assim estão e assim continuarão

Por André,


"Pobre gosta mesmo é de luxo e riqueza, que gosta de pobreza é intelectual" Joãozinho Trinta

Foi divulgado nos últimos dias pesquisa mostrando que, se bem dirigidas, as estatísticas que apontam o número de miseráveis do país (caso o fator inflação fosse considerado), o número então apresentado aumentaria para cerca de 22 milhões de miseráveis.

Eu mesmo e outros (digo exatamente o que a pesquisa da Folha publicou aqui: "Nova fórmula para calcular índice baixaria inflação em 2011. O governo do PT e suas 'novas fórmulas'") já havíamos atentado que o "milagre" da ascensão de 40 milhões à classe média, aclamado pelo PT, deve e muito à redefinição dos conceitos, as noções de "classe média" e "miserável" (e até mesmo de empregado) foram suavizadas a ponto do número da primeira subir vertiginosamente, enquanto o inverso é válido para o segundo.

Contudo, neste texto meu argumento não se limita ao fato de que os miseráveis seguem miseráveis, ou que passaram a ganhar dois reais a mais (deixaram de ganhar 199/capita e passaram a ganhar 201, o que para fins estatísticos faz deles objetos de ódio de Marilena Chaui), mas sim que é ESSENCIAL que eles sigam miseráveis, para a sedimentação do projeto político do PT. As esquerdas usam o conflito de classes como parte de seu discurso e bradam contra ele, contudo, não se elegem sem a existência das ditas classes, bem como de fomentar o ódio entre elas.

O fato é que, na medida em que os pobres supostamente enriqueçam, eles imediatamente deixariam de ser eleitores do PT (seriam da classe média de fato, sentiriam o peso dos impostos, se negariam a sustentar a calça de 300 reais das filhas dos outros) e imediatamente exigiriam mais que meras esmolas estatais para querer algum tipo de poder (Maquiavel já havia predito isso). Portanto, não é mera consequência que os pobres sigam pobres, mas sim, a efetivação mesma do projeto. Com um amontoado gigante de "beneficiados", passa-se a ter em mãos uma máquina eleitoral "legal" de compra de votos (basta olhar o desespero dos beneficiados sob efeito da possibilidade do fim do programa - curiosamente, boatos que qualquer outro eleito que não Dilma acabaria com o benefício não foram objeto de investigação). A verdade dessa afirmação pode ser inferida da promessa de José Serra de que DOBRARIA o benefício caso eleito. Quem dá bolsa tem voto.

Por que e para que oferecer empregos para as pessoas e encarar o projeto como mero paliativo contra a miséria? Certamente aos nossos olhos o Bolsa Família é um fracasso, contudo, aos olhos do governo, ele é um sucesso estratégico! (tanto que, em vez de diminuir, o número de beneficiários só aumenta).

A farsa não termina aí:

Todo esse falso progresso dos últimos anos (não se limitando à ascensão dos miseráveis) não passa de uma série de malabarismos numéricos, manipulações contábeis, maquiagens, reportagens compradas, indicares manipulados, distribuição de "diplomas" sem critério por faculdades de quinta etc. Acho que esse foi o governo que mais comprou jornalistas e indicadores pra dizer que tudo melhorou. 

Usaram os bancos públicos pra distribuir crédito fácil pra fazer parecer que a vida de todo mundo melhorou, quando na verdade esse partido passou os últimos anos criando o maior abismo fiscal já visto pra poder se manter no poder. E o mais "curioso" é que o país vai pagar a conta de uma orgia populista que nem mesmo sequer tirou alguém da miséria, pois promoveram descontroladamente o Bolsa Família mas aumentaram o custo de vida! O PT é puro marketing, pura história da carochinha pra gente imediatista, tonta e pragmática (no sentido ruim da palavra). Como se não bastasse a manipulação de indicadores, o governo sai distribuindo esmolas por um lado e na outra ponta emite mais moeda pra pagar o rombo, gerando inflação (forma do governo roubar a sociedade), diminuindo o poder de compra de todo mundo pra financiar o populismo barato. Isso ainda vai acabar muito mal, todos os pilares do Plano Real já foram destruídos, o país caminha para escalada astronômica de preços como nos anos 80 e na primeira metade da década de 90. Os miseráveis, que não sabem se proteger da inflação, vão ver o dinheiro deles virar pó e provavelmente sairão revoltados quebrando tudo (mil vezes pior a prévia que tivemos nas Caixas Econômicas no último final de semana).

Devem ser muito mais que 22 milhões de miseráveis se considerarmos que essa inflação divulgada pelo governo é manipulada. Arroz e feijão subiram mais de 30% num ano. Farinha de mandioca (prato comum no Nordeste), acima de 130%. E o custo alimentação pesa muito nos mais pobres. Acabar com a pobreza na caneta é fácil e engana a maioria. O Brasil tem uma renda per capita inferior ao do México, Argentina, Uruguai e Chile.

Deveriam investigar os dados do governo do Lula também. A verdade é que não existiu nenhuma mobilidade social, a nova classe média são miseráveis e pobres com outro rótulo e mais nada. Nesse contexto admitir  que "22 milhões de pessoas voltaram a pobreza" significa que 22 milhões  de pessoas que já eram pobres e miseráveis passaram para a "ultra-pobreza".

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