segunda-feira, 17 de junho de 2013

As vaias para Dilma e a estratégia "bully" da esquerda mundial

Por André,



Por intermédio de um texto do amigo Flavio Morgenstern, tomei conhecimento do livro Bullies: How the Left's Culture of Fear and Intimidation Silences Americans [Bullies: como a cultura de medo e intimidação da esquerda silencia a América - meu exemplar hardcover está a caminho], bem como da palestra de Ben Shapiro explicando a tese do livro e mostrando como se deve proceder ao debater com um esquerdista.

A coisa funciona basicamente assim:

A esquerda lança mão de acusações infundadas contra qualquer um que discorde do menor subdetalhe da sua agenda e dispara: "Nazista!" "Fascista!" "Racista!" "Homofóbico!" Shapiro dispara: num jantar qualquer, você está discutindo o último resultado da NFL quando a partir do nada, trava-se uma discussão sobre casamento gay e você é acusado de homofóbico. E a vileza da estratégia, seu aspecto intimidatório está no seguinte: para um nazista, ser chamado assim é um elogio, não uma vergonha ou uma acusação. O peso da acusação recairá apenas sob aquele que NÃO for um nazista, que dali em diante, terá seu discurso sorrateiramente silenciado (ou relativizado), pois, naturalmente, não aceita a pecha de nazista.

Nas últimas eleições foi a mesma coisa: as pesquisas apontaram o seguinte sobre Obama: um cara legal, boa gente, pai de família, mas ruim de política e economia. O americano comum se identificava mais com as políticas do republicano Mitt Romney do que com as de Barack Obama. Contudo, como obamistas e a propaganda se referia a Romney: "o pior sujeito na face da terra desde Mussolini, odeia mulheres e gays, quer demitir pessoas e, de preferência, te demitir um pouco antes de sua mulher ter câncer e não poder ter acesso a seguro-saúde (healthcare)".

O mesmo se aplica à discussão sobre porte de armas e sua possível suspensão: qualquer um que não dê adesão à agenda de total e completa banição do porte de armas jaz ao lado das vítimas de Sandy Hook, como co-autor das mortes (Ben Shapiro também destruiu a argumentação deturpada de Piers Morgan sobre assunto em dois rounds, além de mostrar que Morgan é um dos bullies esquerdistas de marca maior).

Não se trata de um debate racional, cujas posições embora opostas merecem igual respeito e atenção e um estatuto equivalente. Ou você adere a ABSOLUTAMENTE TODA a agenda da esquerda ou você comete mais que um mero erro cognitivo e político, você é moralmente depravado.

No Brasil, a estratégia é estritamente a mesma. Você é um crítico de Lula? Isso é normal, apenas uma consequência do jogo político, onde uns são queridos, ao passo que outros odiados? Embora a balança, no conjunto da obra, tenda para um lado ou para outro, existem argumentos a favor e contra Lula? Nada disso! Segundo a ilustríssima Cynara Menezes, se você critica Lula, você é doente mental! Reflita e escolha: ser lulista ou ser retardado; não há outra escolha, não há outra opção, escolha entre a luz da razão e a névoa da loucura.

Você acha que o problema da inflação está ressurgindo, é assustador e deveria ser discutido? Você não passa de um terrorista, escolha: adorar o PT e fingir que a inflação não é um problema, a discussão sequer deve ser travada ou você não passa de um terrorista "informativo".

A estratégia também visa mexer com os humores dos mais desavisados. Para os que estão no limbo intelectual, ainda não se decidiram (e costumam achar isso bonito), fica a dúvida: fico ao lado do Bem ou do nazista, fascista, reacionário, homofóbico? 

Trata-se de puro apelo emocional, ou você é a favor do bolsa família, ou você nunca passou fome na vida (como se a maioria esmagadora dos ideólogos do programa não fossem comunistas de boutique com a barriga cheia de caviar e vinho do Porto):

Únicas opções: ter passado fome e ser a favor do BF, ou ser riquinho toddysta de barriga cheia.
O maior cientista do Brasil, o neurocientista Miguel Nicolelis também aderiu à estratégia, para ele, quem não é petista, isto é, fecha os olhos para a inflação, odeia o Brasil e deveria ir morar na Espanha. Caso clássico de falsa dicotomia: o Brasil é dos petistas, os outros devem ser extraditados.

Ou ainda, você vaiou a Dilma no Mané Garrincha? Com que direito? Só pode ser coisa de gente rica e branca (na cabeça dessa gente você só há uma opção: sentir-se culpado por ser rico e branco):




Mais uma vez, um festival de falsas dicotomias: ou você é pobre defensor do PT, ou rico branco malvado que vaiou a presidente do PT, "invaiável", incriticável, intocável, digna de canonização pelo Vaticano.

E aí, você que aprovou a vaia a Dilma, é pobre? É negro? E você que é branco e "rico" e vaiou, odeia pobre e negro? Essas são as únicas opções, meu caro. Mais uma vez, escolha seu lado.

E sobre as manifestações que tiveram por estopim o aumento de 0,20 centavos (nas não tiveram por estopim três pessoas isqueiradas - talvez porque eram brancas e ricas - 50.000 homicídios por ano, a inflação - verdadeira vilã, o trânsito assassino que mata 60.000, a epidemia de SIDA, a dengue incontrolável etc etc)? Você é contra? Pois bem, você é um imoral. Pelo menos de acordo, uma vez mais, com Cynara Menezes.

O PT esqueceu sua bandeira, a da moralidade (risos), e você, quer ser um imoral também? Seja bem-vindo ao reino dos moralmente depravados, aqueles que ousaram criticar o PT, ou a manifestação.

2 comentários:

  1. Olá, André. Esse tema que você abordou é muito importante. O Olavo de Carvalho escreveu em artigo recente que, em estágios avançados da degradação cultural, a linguagem perde sua referência a objetos concretos e passa a ser utilizada por determinados grupos para identificar “amigos” e “inimigos”, da mesma forma que animais demarcam seu território. Essa analogia - muito didática - é interessante e evoca o que Orwell já mostrava em “Animal Farm”, onde todo dissidente, ao tentar se pronunciar, é silenciado pelo grito “quatro patas bom, duas patas ruim!”.

    Anos atrás, dois caras do Mises Institute, Tom Woods e Bob Murphy, já antevendo as reações a um livro que Woods publicara, gravaram um divertido vídeo chamado “Interview with a Zombie”, onde o “Entrevistador Zumbi” é incapaz de ouvir os argumentos do autor e o interrompe todo instante vociferando chavões que inviabilizam o debate. (Aqui, caso interesse: http://www.youtube.com/watch?v=TrcM5exDxcc).

    Quando entendemos que o propósito de grupos esquerdistas é precisamente colar um rótulo na testa do adversário para que ele sofra linchamento moral e fique calado, torna-se claro que não é possível haver um debate honesto e que devemos apontar esse estratagema antes de qualquer tentativa de discussão. É por isso que o seu artigo é importante, bem como a divulgação do livro do Bem Shapiro (que obviamente não receberá resenha no suplemento cultural da Folha, aquele terrível instrumento do PIG).
    Por fim, parabéns pelo blog. Tenho acessado sempre e gostado muito do conteúdo. Continue com o bom trabalho. Abraços.

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    1. Fernando, baseado na sua sugestão, eu legendei esse vídeo que você mencionou:

      https://www.youtube.com/watch?v=qzMdfdnpf3s

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1. Seja polido;

2. Preze pela ortografia e gramática da sua língua-mãe.