sábado, 8 de junho de 2013

Goethe e eu

Por André,

Goethe
Uma recomendação feita recentemente me remeteu, em primeiro lugar, a um aforismo de Goethe que cito a seguir, depois, à consciência de como o debate acadêmico-intelectual brasileiro, em seus raros momentos de existência, é primitivo e pueril.

Foi recomendado a alguém que "não me desse atenção". Vinte segundos depois (naturalmente que num sentido distinto), concordei veementemente com a sugestão, ninguém deve dar atenção a mim!

O aforismo de Goethe diz: "Escravos falam de pessoas, pessoas comuns falam de coisas, senhores falam de ideias".

Pois bem, quero que todos se ocupem das minhas ideias, não de mim, do que falo, não de quem sou. Ocupem-se com a intimidade entre minhas falas e a verdade, com a lógica do meu raciocínio, a solidez dos meus argumentos e nunca comigo. Sejam senhores e não escravos.

O fato curioso é a predominância dessa postura em gente supostamente letrada, que reduz qualquer tentativa de debate sério à mera conversa de botequim equivalente a uma rixa futebolística. "Não converse com ele, ele defende as ideias X ou Y". Ora, e a busca pela verdade? E a análise dos argumentos, onde fica? Sério mesmo que vamos resumir qualquer tentativa de atividade intelectual a uma discussão entre crianças de 5 anos competindo por um brinquedo no playground?

A recomendação nada mais é que uma forma de ad hominen, uma rejeição prévia e dogmática de um argumentador e não de seus argumentos. Atitude baixa, simplória, a ofensa pura e simples, além de reconhecimento implícito da superioridade do argumentador: "Quando percebemos que o adversário é superior e que acabará por não nos dar razão, então nos tornaremos pessoalmente ofensivos, insultuosos, grosseiros" (Schopenhauer).

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