sexta-feira, 26 de julho de 2013

A nação mais (e talvez a única) livre do Universo é a que mais possui ações humanitárias e caritativas

Por André,

  
Se alguém falar que o a caridade é insuficiente para resolver os problemas de uma comunidade, e não o faz melhor que o Estado, recomendo esse trecho do debate do Olavo de Carvalho com Alexander Dugin:
Não é coincidência que o país onde mais se cultivou a liberdade dos indivíduos seja também aquele em que a participação em atividades comunitárias de índole caritativa e humanitária seja a maior do mundo. Este traço da vida americana é amplamente ignorado fora dos EUA (e totalmente ocultado pelo anti-americanismo militante de Hollywood), mas não vejo motivo para acreditar antes nas opiniões deformadas e fantasias odientas da indústria internacional de mídia do que naquilo que vejo com meus próprios olhos todos os dias e que pode ser confirmado a qualquer momento com dados quantitativos substanciais. Eis alguns:

1. Os americanos são o povo que mais contribui para obras de caridade no mundo.

2. Os EUA são o único país do mundo onde as contribuições populares para obras de caridade superam o total da ajuda governamental.

3. Entre os doze povos que mais doam em contribuições voluntárias – EUA, Reino Unido, Canadá, Austrália, África do Sul, República da Irlanda, Holanda, Singapura, Nova Zelândia, Turquia, Alemanha e França –, as contribuições americanas são mais que o dobro das do segundo colocado (Reino Unido). Se algum engraçadinho quiser depreciar a importância desse dado, alegando “Eles dão mais porque são mais ricos”, esqueça: as contribuições não estão aí classificadas em números absolutos, mas em porcentagem do PNB. Os americanos simplesmente arrancam mais do próprio bolso para socorrer pobres e doentes, mesmo em países inimigos. As solidaríssimas Rússia e China nem entram na lista dos contribuintes.

4. Os americanos adotam mais crianças órfãs – inclusive de países inimigos – do que todos os outros povos do mundo somados.

5. Os americanos são o único povo que, em cada guerra de que participam, reconstroem a economia do país derrotado, mesmo ao preço de fazer dele um concorrente comercial e um inimigo poderoso no campo diplomático. Comparem o que os EUA fizeram na França, na Itália, na Alemanha e no Japão com o que os chineses fizeram no Tibete ou a Rússia no Afeganistão (detalhes nas mensagens subseqüentes).

6. Os americanos não oferecem aos pobres e necessitados somente o seu dinheiro. Dão-lhes o seu tempo de vida, sob a forma de trabalho voluntário. O trabalho voluntário é uma das mais velhas e sólidas instituições da América. Metade da população americana dedica o seu tempo a trabalhar de graça para hospitais, creches, orfanatos, presídios etc. Que outro povo, no mundo, fez da compaixão ativa um elemento essencial do seu estilo de existência?

7. Mais ainda, o valor que a sociedade americana atribui às obras de generosidade e compaixão é tanta, que nenhum potentado das finanças ou da indústria pode se esquivar de fazer anualmente imensas contribuições a universidades, hospitais, etc., pois caso se recuse a fazê-lo será imediatamente rebaixado do estatuto de cidadão honrado ao de inimigo público.

O prof. Duguin opõe o individualismo americano ao “holismo” russo-chinês. Diz que no primeiro as pessoas só agem segundo suas preferências individuais, enquanto no segundo elas se integram em objetivos maiores propostos pelo governo. Mas, com toda a evidência, os governos da Rússia e da China têm-lhes proposto antes matar os seus semelhantes do que socorrê-los: nenhuma obra caritativa, na Rússia e na China, jamais teve as dimensões, o custo, o poder e a importância social do Gulag, do Laogai e das polícias secretas, organizações tentaculares incumbidas de controlar todos os setores da vida social mediante a opressão e o terror.

Em segundo lugar, é verdade que os americanos não fazem o bem porque a isso são forçados pelo governo, mas porque são estimulados a fazê-lo pelos valores cristãos em que acreditam. A liberdade de consciência, em vez de descambar em pura anarquia e luta de todos contra todos, é moderada e canalizada pela unidade da cultura cristã que, malgrado todos os esforços da elite globalista para marginalizá-la e destruí-la, ainda é hegemônica nos EUA. John Adams, o segundo presidente dos EUA, já dizia que uma Constituição como a americana, assegurando liberdade civil, econômica e política para todos, só servia para um povo moral e religioso e para nenhum outro. A prova de que tinha razão é que, tão logo os princípios da moral cristã começaram a ser corroídos desde cima, pela ação do governo aliado às forças globalistas e à esquerda internacional que o prof. Duguin tanto preza como reserva moral da humanidade, o ambiente de honestidade e rigidez puritana que prevalecia no mundo americano dos negócios cedeu lugar a uma epidemia de fraudes como nunca se vira antes na história do país. O fenômeno está amplamente documentado no livro de Tamar Frankel, Trust and Honesty: America's Business Culture at a Crossroad (Oxford University Press, 2006).

O que digo não se baseia só em estatísticas. Vivo há seis anos neste país e aqui sou tratado com um carinho e uma compreensão que nenhum brasileiro, russo, francês, alemão ou argentino (para não falar de cubanos ou chineses) desfrutou jamais na sua própria terra. Tão logo me instalei neste matagal da Virgínia, vieram vizinhos de todos os lados, trazendo doces e presentes, oferecendo-se para levar as crianças à escola, para nos apresentar à igreja da nossa preferência, para nos mostrar os lugares interessantes da região, para nos ajudar a resolver problemas burocráticos, e assim por diante. Good neighborhoord não é slogan de propaganda. É uma realidade viva. É uma instituição americana, não existe em nenhum outro lugar do mundo e não foi o governo que a criou. Vem desde os tempos da Colônia de Jamestown (1602). Embora eu e minha família sejamos católicos, o primeiro lugar que visitamos aqui foi a Igreja Metodista, a mais próxima da minha casa. Chegamos lá, e que estavam fazendo os crentes? Uma coleta de dinheiro para os meninos de rua... do Brasil! Coleta acompanhada de discursos e exortações de partir o coração. Senti vergonha de contar àquela gente que, segundo estudos oficiais, a maior parte dos “meninos de rua” brasileiros têm casa, pai e mãe, e só estão na rua porque gostam. A compaixão americana ignora a mentira e a safadeza de muitos de seus beneficiários estrangeiros: nasce da crença ingênua de que todos os filhos de Deus são, ao menos no fundo, fiéis ao Pai.

Os americanos são tímidos e têm sempre a impressão de que estão incomodando. Logo após a recepção inicial, preferem manter distância, não se meter na sua vida. Só chegam perto se você os convida. “I don’t want to impose” é uma frase quase obrigatória quando visitam alguém. Mas tenha algum problema, sofra alguma dificuldade, e eles virão correndo para ajudá-lo, com a solicitude de velhos amigos. E isso não é só com os recém-chegados. Às vezes os próprios americanos, acostumados a ouvir falar mal do seu povo, se surpreendem ao descobrir a inesgotável reserva de bondade nos corações de seus compatriotas. Leiam este depoimento de Bruce Whitsitt, um campeão de artes marciais que de vez em quando escreve para o American Thinker:

“Both before and after Dad died, good Samaritans came out of nowhere to offer aid and comfort. I discovered that my parents were surrounded by neighbors who had known them and cared about them for many years…

After it was all over, I was struck by the unbelievable kindness of everyone who helped.

At the end of the day, this tragedy reopened my eyes to the deep-running goodness of Americans. So many people in this country are decent and good simply because they have grown up in the United States of America, a society that encourages charity and neighborliness. Decency is not an accident; in countries such as the old Soviet Union, indifference was rampant and kindness rare because virtue was crushed at every turn. America, on the other hand, has cultivated freedom and virtuous behavior, which allows goodness to flourish. Even in Los Angeles – that city of fallen angels, the last place on earth where I would have expected it – I experienced compassionate goodness firsthand.

Goodness is not something that a beneficent government can bestow; it flows from the hearts of free citizens reared in a tradition of morality, independence, and resourcefulness.”

A nação americana foi fundada na idéia de que o princípio unificador da sociedade não é o governo, a burocracia estatal armada, mas a própria sociedade, na sua cultura, na sua religião, nas suas tradições e nos seus valores morais. O prof. Duguin, que não parece conceber outro modelo de controle social senão a teocracia imperial russa, onde a polícia e a Igreja (mais tarde o Partido) agem de mãos dadas para acorrentar o povo, só pode mesmo imaginar os EUA como uma selva selvaggia de egoísmos em conflito, provando que nada sabe da vida americana.

Não há talvez outro país no mundo onde o senso de comunidade solidária seja tão forte quanto nos EUA. Quem quer que tenha vivido aqui por algum tempo sabe disso, e no mínimo se surpreende ante a presunção de que a China ou a Rússia sejam, sob esse aspecto, modelos que os americanos devessem copiar.

Também é certo que esse senso comunitário só pode florescer num ambiente de liberdade, onde o governo não imponha à sociedade nenhum modelo “holístico” de bondade oficial. A maior prova disso é o conflito aberto que hoje existe entre aquilo que Marvin Olasky, num livro clássico, chama de “compaixão antiga” e a caridade estatal que há quatro décadas vem tentando tomar o seu lugar. Onde quer que esta última tenha prevalecido, aumenta a criminalidade, as famílias se dissolvem e o individualismo egoísta sufoca o espírito de bondade inerente ao individualismo libertário tradicional. Não foi só em livros como o de Olasky que aprendi isso. Vejo-o todos os dias com os meus próprios olhos. Na Virgínia, onde a população de negros é tão grande proporcionalmente quanto no Brasil, a diferença de conduta entre os negros velhos e os jovens dá na vista de cada visitante. Aqueles são as pessoas mais gentis do mundo, têm uma espécie de elegância natural que é o equilíbrio exato entre a humildade e a altivez. Os jovens são irritadiços, arrogantes, prontos a exibir uma superioridade que não existe, a sentir-se ofendidos por qualquer bobagem e a chamar os brancos para briga sem o menor motivo. De onde vem a diferença? Os velhos foram criados no ambiente da compaixão antiga, os jovens no do assistencialismo estatal que os envenena de ressentimento “politicamente correto”.

A vida no interior dos EUA é a melhor prova de que a solidariedade comunitária tem nada a ver com coletivismo estatal e é mesmo o contrário dele. Quanto mais intervenção “holista” aparece, mais os laços naturais se desfazem, mais as pessoas se afastam umas das outras, mais a “sociedade de confiança” de que falava Alain Peyrefitte se deixa substituir pela sociedade da suspeita, da hostilidade mútua, do ódio e do exclusivismo grupal. É o caminho que leva, em última instância, ao Estado Policial. O prof. Duguin sabe perfeitamente disso, tanto que sua defesa do “holismo” contra o “individualismo” culmina na apologia aberta e franca do regime ditatorial como modelo para o mundo inteiro.
Referências dos dados utilizados
10. V. The Center on Philantropy, Indiana University, Giving USA 2010. The Annual Report on Philantropy for the Year 2009, Giving USA Foundation, 2010; The Center for Global Prosperity, Hudson Institute, The Index of Global Philantropy and Remittances, Hudson Institute, 2010; Charities Aid Foundation, International Comparisons of Charitable Giving, 2006; Virginia A. Hodgkinson at al., Giving and Volunteering in the United States. Findings from a National Survey Conduced by The Gallup Organization, Washington D. C., Independent Sector, 1999; Lori Carangelo, The Ultimate Search Book: Worldwide Adoption, Genealogy and Other Secrets, Baltimore (MD), Clearfield, 2011.

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