quinta-feira, 11 de julho de 2013

Alguns fatos "politicamente incorretos" sobre o nazismo: ascensão e prática

Por André,

O fenômeno do nazismo segue fascinando muitas mentes. Explicações e teorias, de razoáveis a esdrúxulas, sobre a ascensão e queda tanto do movimento quanto do próprio Hitler pululam a mente dos 'experts' interneteiros e da literatura de botequim.

Das muitas perspectivas que podem ser adotados para estudar o fenômeno, quero comentar uma perspectiva relativamente peculiar e recente: primeiro a constância do vocábulo nazismo nos debates hoje em dia, seja na Lei de Godwin - todo debate tende a um imbecil acusar o interlocutor de nazista. Ou a estratégia matreira da esquerda de classificar como "nazista" qualquer humano que cometa o pecado mortal de não militar por sua agenda.

Um conservador ou um direitista deve se sentir intimidado pela acusação? Hitler era um capitalista? Era conservador? O nacional socialismo, vulgo nazismo, pode ser classificado como socialista "apenas" por carregar a palavra no nome (bem sabemos o jogo de "esvazia-enche" conceitos da esquerda) ou existem outras evidências para corroborar o fato?**

Ainda: o nazismo surgiu pela crise econômica da Alemanha? Graças à Grande Depressão? Outras explicações-padrão serão refutadas.

I - Os nazistas e o indivíduo

Antes de observarmos algumas declarações do próprio Hitler, dos mentores teóricos de Hitler e do nazismo, comecemos com um vídeo com trechos de discursos do autor do Mein Kampf:



Atentem para o seguinte:
- A constante referência ao povo, à nação, à Alemanha (nenhuma referência a indivíduos), a grandes "todos" e coletivos (a maior referência ao indivíduo que ele faz é, comicamente, aos "camaradas").

"Vocês não devem agir por si mesmo, vocês devem obedecer, vocês devem entregar-se"

"Unificação das classes do povo alemão"

"O que mais poderoso vocês possuem é seu povo"

"Aqueles que não conseguem ver nada além do próprio nariz merecem nossa pena"

"... aqueles que se comprometem por esse estado socialista"

"Nosso sistema de bem-estar social é muito mais que caridade"

"Não dizemos aos ricos, ajudem os pobres, mas dizemos povo alemão ajude-se"

"Quando você se sacrifica por sua comunidade, então pode andar de cabeça erguida"

"Um novo estado não cai do céu, mas é formado a partir do próprio povo"

"Antes, cada um pensava apenas em si ou no máximo em sua classe"

"A juventude precisa conservar o grande sentimento de fazer parte do grupo"

Será isso suficiente para classificarmos o nazismo como uma clara e evidente forma de coletivismo, a ideia que o coletivo ("povo", "nação", "estado") prevalece frente ao indivíduo?

E essa não é a tônica, além do nazismo, do próprio fascismo (por alargado que o conceito venha sendo pelo debate comum)?

O fascismo é uma doutrina política totalitária. Foi posto em prática mais notoriamente na Itália, mas também em outros locais com suas variações. Quase sempre que se fala em fascismo, a primeira pessoa que vem à mente: Benito Mussolini.

Pois bem, o regime fascista italiano tinha como slogan "Tudo para o Estado, nada fora do Estado, nada contra o Estado" ("Tutto nello Stato, niente al di fuori dello Stato, nulla contro lo Stato"). Qualquer semelhança com aquilo que advogam socialistas de hoje e de ontem não é mera coincidência.

A perseguição e a oposição histórica do fascismo (e do nazismo) ao socialismo, relatada pela propaganda soviética retroativa, é muitas vezes vista como uma prova de que fascistas/nazistas e socialistas apresentariam ideologias contrárias, dada sua posição de extremos opostos no espectro político (estes à esquerda, aqueles à direita). Ledo engano. Fascistas e Nazistas buscaram eliminar marxistas muito mais por uma questão de reserva de mercado do que que por diferenças programáticas. Eles disputavam o mesmo nicho de mercado e o faziam por meio de estratégias similares. Todos eles prometiam soluções miraculosas para os problemas, buscavam bodes expiatórios para justificá-los e utilizavam-se do terror e da lealdade ao Estado como estratégias de coesão social.

O Fascismo de Mussolini, o Nacional-Socialismo de Hitler e o Socialismo Soviético de Stalin nada mais foram do que irmãos gêmeos que se vestiam de forma diferente e falavam línguas diferentes. Seus fins, seus meios e seus objetivos eram similares. Os três eram coletivistas: colocavam o Estado como centro da sociedade e sempre acima dos indivíduos.

Ainda não está convencido? Sugiro que avalie o Pacto Ribbentrop-Mólotov, um acordo de não-agressão firmado entre União Soviética e Alemanha Nazista. Até ali, tudo ia muito bem, obrigado.

Molotov com a caneta, Ribbentrop atrás e Stálin à esquerda (rs).

Ainda não está satisfeito?

Calma, podemos recuar ainda mais e ler relatos dos teóricos nazistas.

Antes, por uma questão de honestidade intelectual e clareza, preciso lidar com duas declarações de Hitler no vídeo acima acerca do marxismo, ambas muito críticas; em uma delas, inclusive, Hitler gaba-se de ter extirpado o marxismo da Alemanha.

Antes é preciso lembrar que o socialismo não é uma invenção de Marx e que já haviam diversos tipos de socialismo antes de Marx e do marxismo. E para muitos socialistas, o marxismo em vez de contribuir para a instauração do socialismo, na verdade o atrapalhou.

Moeller van den Bruck, intelectual alemão (cujas inspirações econômicas foram de Friecrich List (cf. nota 1) - economista alemão anti-livre-mercado mais lido antes de Marx) e teórico do nazismo explica as razões: para o socialismo alemão, as pretensões internacionalistas do marxismo eram uma aberração que atrapalhavam o próprio socialismo:

"Quando falamos de socialismo alemão, claro que não queremos dizer o socialismo do partido social-democrata no qual o partido se refugiou após nosso colapso, nem queremos dizer o socialismo lógico de tipo marxista que se recusa a abandonar a guerra de classes das Internacionais... o socialismo começa onde o marxismo termina. O socialismo alemão é convocado para tomar parte na história da humanidade purgando-se de todo traço do liberalismo... este novo socialismo deve ser o fundamento do Terceiro Império da Alemanha"

Bruck era um crítico feroz do liberalismo (seja econômico, pela via de List, seja filosófico, entendido como individualismo):
"O liberalismo é o partido dos ativistas arrogantes que se apresentaram entre as pessoas comuns e os homens importantes. Os liberais se sentem como indivíduos isolados, responsáveis por ninguém. Não compartilham as tradições da nação, são indiferentes a seu passado e não tem ambição por seu futuro. Buscam apenas suas vantagem pessoal no presente"
Não está satisfeito ainda? Ofereço mais:

"Assim, é necessário que o indivíduo deve, finalmente, se dar conta que seu próprio ego não tem importância quando comparado com a existência da sua nação; que a posição do eu individual é condicionada apenas pelos interesses da nação como um todo... que toda a unidade de espírito e vontade de uma nação vale muito mais que a liberdade de espírito e vontade de um indivíduo"

"Este estados mental, que subordina os interesses do eu à conservação da comunidade é, na verdade, a primeira premissa de toda cultura verdadeiramente humana... A atitude básica a partir da qual tal atividade surge chamamos - para distinguir do egoísmo - é o idealismo. Por este último entendemos apenas a capacidade de um indivíduo de fazer sacrifícios pela comunidade, por seus pares"

Duas citações que resumem a filosofia moral do nazismo, explicada pelo próprio Adolf Hitler.

Referência: Hitler at Buckeberg, Oct 7, 1933; cf. The Speeches of Adolf Hitler, 1922-39, ed. N.H. Baynes (2 vols., Oxford, 1942), I, 871-72.


A teoria política do nazismo era, claramente, do "estado total". Citando Leonard Peikoff:

"O estado deve ter poder absoluto sobre todos os homens e sobre todas as esferas da atividade humana, declararam os nazistas" (PEIKOFF, 1983, p. 15).

"A autoridade do Fuhrer não é limitada por fiscalizações ou controles, por direitos especiais de indivíduos autônomos, mas é livre e independente, toda-inclusiva e ilimitada" Ernst Huber, representante oficial do partido em 1933.

"O conceito de liberdades pessoais do indivíduo, por oposição à autoridade do estado teve de desaparecer, não pode ser conciliada com o princípio no Reich nacionalista"

"Não existem liberdades individuais para o indivíduo que esteja fora do reino do estado e que deve ser respeitado pelo estado... A constituição do Reich nacionalista não é, portanto, baseada num sistema de direitos inatos e inalienáveis do indivíduo" 

Referências a Huber:

National Socialism, prepared by Raymond E. Murphy et al; quoting Huber, Verfassungsrecht des grossdeutschen Reiches (Hamburg, 1939); reprinted in Readings on Fascism and National Socialism, selected by Dept. of Philosophy, U. of Colorado (Denver, Alan Swallow, n.d.), p. 77, 90. 


"Ser um socialista é submeter o eu ao tu; socialismo é sobre sacrificar o indivíduo em favor do todo" Goebbels. [Erich Fromm, Escape from Freedom (New York, Farrar, 1941), p. 233; quoting Goebbels, Michael].


Citações de teóricos e políticos nazistas negando a entidade dos indivíduos abundam na literatura (mais citações podem ser oferecidas, mas me reservo o direito de parar por aqui por uma questão de espaço). 

Talvez uma polêmica ainda permaneça: o que os nazistas pensavam da propriedade privada?


II - Os nazistas e a propriedade privada

Como afirmei, para os nazistas, o marxismo foi uma aberração que atrapalhou o socialismo e um dos principais tópicos da agenda marxista é a coletivização dos meios de produção, a abolição da propriedade privada dos meios de produção. O que os nazistas pensavam acerca disso?

"'A propriedade privada' como concebida sobre a ordem econômica liberal foi um reverso do verdadeiro conceito de propriedade (Huber escreveu). Esta "propriedade privada" representava o direito do indivíduo de gerenciar e especular com sua propriedade adquirida ou herdada como ele quisesse, sem consideração com o interesse geral... O socialismo alemão teve de superar este conceito de "privado", isso é, uma visão irrestrita e irresponsável da propriedade. Toda propriedade é propriedade comum. O possuidor é responsável pelo gerenciamento responsável de seus bens em favor do povo e do Reich. Sua condição legal é justificada apenas quando ele satisfaz esta responsabilidade com a comunidade"

Hitler at Buckeburg; cf. Baynes, op. cit., I, 872 (trans. G. Reisman). Gregor Ziemer, Education for Death (London, Oxford U.P., 1941), p. 20; quoting Bernhard Rust, Erziehung und Unterricht (1938). Murphy et al., op. cit., p. 65; quoting Gottfried Neesse, Die Nationalsozialistique Deutsche Arbeitepartei - Versuch einer Rechtsdeutung (1935). p. 91.

Embora negassem a coletivização dos meios de produção, a propriedade privada era amplamente diluída no estado nazista alemão: o governo dirigia e fiscalizava a economia. A questão da posse legal era secundária, o ponto central é a questão do controle. Cidadãos eventualmente seguem possuindo títulos de propriedade, com o estado resguardando para si o direito de regular suas propriedades.

A posse significava o direito de determinar o uso e dispor de bens materiais, o nazismo dotou o estado com toda prerrogativa real da posse. O que cabia ao indivíduo era uma mera formalidade sem conteúdo, que conferia nenhum direito a seu possuidor. No comunismo havia a propriedade coletiva por direito. Sob o nazismo, há a mesma propriedade coletiva de facto.

Mais pode ser conferido em: PEIKOFF, Leonard. The Ominous Paralells: The End of Freedom in America. Plume, 1983, p. 17, 18 e 19.


III - A causa do nazismo

Por fim, mas não menos importante, provavelmente boa parte do que você aprendeu na escola sobre nazismo estava errado. Provavelmente seu professor ou seu livro didático elencou um ou mais dos itens abaixo como causa primeira ou essencial do nazismo. Bem, parte essencial da minha bibliografia afirma que não. Peikoff, NA DÉCADA DE 80, traçava paralelos curiosos entre o clima cultural que deu vazão ao nazismo e o que se passava (e segundo o mesmo Peikoff só piorou de lá para cá) nos EUA. Todo um clima cultural estatizante e anti-liberdade preparou o terreno para a ascensão de um regime totalitário como o nazismo.

Eric Voegelin, o filósofo austríaco naturalizado americano, segue linha de raciocínio semelhante:

O fenômeno de Hitler não se esgota em sua pessoa. Seu sucesso deve ser situado no quadro geral de uma sociedade arruinada intelectual ou moralmente, no qual figuras que em outros tempos seriam grotescas e marginais e podem ascender ao poder público por representarem formidavelmente o povo que as admira. Essa destruição interna de uma sociedade não terminou com a vitória dos aliados sobre os exércitos alemães na Segunda Guerra Mundial, mas continua até hoje. Devo dizer que a destruição da vida intelectual na Alemanha em geral e nas universidades em particular é fruto da destruição que pôs Hitler no poder e da destruição perpetrada sob seu regime. O processo ainda está em curso e não é possível entrever seu fim, de sorte que consequências surpreendentes são possíveis. O estudo desse período por Karl Kraus, e especialmente sua arguta análise do detalhe sujo (aquilo que Hannah Arendt chamou de "banalidade do mal"), tem grande importância para nós hoje,pois é possível encontrar fenômenos correlatos na sociedade ocidental, embora não ainda, felizmente, com os efeitos destrutivos que resultaram na catástrofe alemã." (VOEGELIN, Reflexões Autobiográficas, p. 41)

a) Os alemães aderiram ao nazismo porque perderam a Primeira Guerra Mundial?

Não. A Áustria também perdeu a guerra e isso não a rendeu ao nazismo (apenas quando invadida por Hitler em 1938). A Itália venceu a guerra, porém se tornou fascista em 1922.

b) A Grande Depressão causou o nazismo?

Errado, muitas nações foram afetadas pela Grande Depressão, e isto não as conduziu ao nazismo.

c) a ascensão do nazismo se deve à fraqueza dos partidos não-totalitários na República de Weimar, a pressão de alguns grupos sobre a guerra e a paralisia governamental que se seguiu?

Mais uma vez, isso não explica porque países com conflitos sociais e com seus governos em declínio não aderiram ao nazismo.

Alguns tendem a explicar o nazismo não pelo viés de crises, mas alguns outros:

d) Muitos atribuem o nazismo a secularização e o espírito científico do mundo moderno.

Bem, à época, a Alemanha era, especialmente na Prússia, um dos países mais religiosos da Europa Ocidental, a República de Weimar pululava de cultos místicos (do qual o nazismo representa um deles) e o grupo religioso mais amplo e devota foi um dos primeiros a aderir firmemente a Hitler, os luteranos.

e) Marxistas vêem o nazismo como resultado inevitável do capitalismo.

O que nega o fato de que a Alemanha pós-Bismarck era o país menos capitalista da Europa Ocidental; a República de Weimar foi, desde o princípio, uma economia controlada, com os controles crescendo indiscriminadamente (além de tudo que descrevemos acima).

f) há os racistas reversos, que dizem que a causa do nazismo foi a "depravação inata dos alemães".

Depravação é um conceito moral, conceitos morais só fazem sentido à luz do livre-arbítrio, se a depravação dos alemães fosse inata, eles não poderiam ser culpados pelo que fizeram. Ademais, regimes totalitários e sanguinários como o de Hitler, diferindo apenas em grau, surgiram por todo o globo em diversas épocas.

g) há ainda os que tentam explicar o nazismo à luz de Freud, se referindo ao Complexo de Édipo ou pulsão de morte do povo alemão.

Isso torna evidente, mais uma vez, a especialidade de Freud em criar conceitos abstratos que explicam tudo e que, por consequência, não explicam nada.


IV - Conclusão

Não visávamos aqui nem esgotar as explicações para o nazismo, mas apenas contribuir para o fim de alguns mitos que o cercam, criados e propagados na internet (e, de certa forma, nos livros).

O nazismo foi um ideal socialista, estatólatra, anti-indivíduo e irracional. Sem qualquer relação com o liberalismo filosófico-econômico.

As "causas" que os livros de história atribuem para o surgimento e sucesso do nazismo são insuficientes e acabam por não cumprir o ensinamento essencial de mostrar o que o fenômeno foi, para que ele não se repita. As explicações do manuais estão, em geral, erradas ou, generosamente falando, incompletas.


V - Referências bibliográficas e sugestões

ARENDT, Hannah. Origens do totalitarismo. São Paulo: ed. Companhia das Letras, 2012.

GOLDBERG, Jonah. Fascismo de Esquerda. São Paulo: ed. Record, 2009.

KUEHNELDT-LEDDIHIN, Erik Von. Leftism: from de Sade to Marx to Hitler and Marcuse. Arlington House, 1974.

PEIKOFF, Leonard. The Ominous Paralells: The End of Freedom in America. Plume, 1983

REISMAN, George. Por que o nazismo era socialismo e por que o socialismo é totalitário. Em: http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=98 Acesso em 08/07/2013

VOEGELIN, Eric. Reflexões Autobiográficas. São Paulo: ed. É Realizações, 2008.

______________.  Hitler e os alemães. São Paulo: ed. É Realizações, 2008.

Declaração de Praga equipara nazismo e comunismo.

Site compila bibliografia sobre antissemitismo soviético.

Panfleto elaborado por Joseph Goebbels explica porque os nazistas são socialistas.

Filme "A Onda". Veja como a mensagem dos coletivismos, ainda que absurdas quando vistas de fora, podem ter um apelo emocional forte (especialmente sobre os "oprimidos"):

 
O documentário "The Soviet History" também mostra diversas das íntimas ligações entre comunismo e nazismo, bem como entre os líderes das duas ideologias revolucionárias e totalitárias:



** Num imediatismo de tentar associar o nazismo ao socialismo, alguns enfatizam o nome do partido: nacional SOCIALISTA. Sim, o partido nazista tinha socialista no nome. O que muitos não percebem é que, tão importante e esclarecedor quanto enfatizar o socialismo, é enfatizar o NACIONAL: o marxismo perverteu o aspecto nacional original do socialismo, tornando um projeto internacionalista, daí Hitler gabar-se de ter extirpado o marxismo da Alemanha.

Ademais, à época que o nacional-socialismo ganhou força, o marxismo (especialmente suas premissas econômicas) já estava em descrédito, a voraz (e definitiva, diria eu) crítica de Eugen von Bohm-Bawerk sobre a formação de preços, juros e salários no marxismo estava em circulação e levou o mesmo a diversas revisões. Portanto, ainda que a política econômica do nazismo esteja longe de capitalista liberal, também certamente não era "marxista", pois o termo estava em descrédito e revisão na época.

¹ Friedrich List também era um ferrenho advogado do protecionismo. Quanto a isso, cito Ludwig von Mises: "O que gera a guerra é a filosofia econômica do nacionalismo, embargos, controles comerciais e de câmbio, desvalorização monetária etc. A filosofia do protecionismo é uma filosofia de guerra.

4 comentários:

  1. Há uma clara diferença entre os modelos, que o senhor procura, habilidosamente, disfarçar com argumentos puramente filosóficos. No socialismo, os meios de produção pertencem ao trabalhador ou, no caso dos regimes comunistas, ao Estado. Tanto na Itália, precursora do modelo autoritário de extrema direita, como na Alemanha, o capital não apenas foi preservado, mas recebeu estímulos para que se desenvolvesse, inclusive com a diminuição das garantias trabalhistas introduzidas por Bismarck e acentuadas pela República de Weimar. Sua escolha de textos, cuidadosa para manter a ilusão de que os dois modelos são iguais, elimina a parte de "Minha luta" onde Adolf Hitler explicita seu ideal de sociedade germânica: agrícola, montada sobre territórios antes ocupados pelas "raças inferiores" e com a exploração embasada no trabalho escravo mantido em condições mínimas de subsistência. A bem da verdade, o pensamento autoritário permeia toda a filosofia alemã dos séculos XVIII e XIX. O nazismo é apenas sua concretização no Estado.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. 1 - A diferença entre os modelos é tão clara e tão grande quanto a entre o "seis" e o "meia-dúzia" !
      2- "No socialismo os meios de produção pertencem ao trabalhador", sim, e também ao Papai Noel e ao Coelhinho da Páscoa...
      3- Diferente da "extrema direita", o socialismo sempre foi um mar de direitos trabalhistas como nos Gulags soviéticos, na China ou no Camboja. Sem falar em Cuba, é claro, onde o trabalhador tem vários direitos, como o de escolher entre os direitos de ficar calado ou virar comida de tubarão.
      4- Trabalho escravo nunca existiu em países socialistas, afinal esta coisa de Gulgs, Holodomor, Campos de reeducação, e etc. são obviamente invenções da direita ou da CIA. logo, se houve escravos no nazismo é por que ele é da "extrema direta", lógico !

      A criatura vem com argumentos puramente filosóficos (?) e ainda reclama dos fatos do outro ... haja paciência !

      Excluir
  2. "3.2 FUNCIONAMENTO DE UMA ECONOMIA CENTRALIZADA
    No sistema de economia centralizada ou planificada, a forma de resolver os problemas econômicos fundamentais (ou seja, a escolha da melhor alternativa) é decidida por uma Agência ou Órgão Central de Planejamento, e não pelo mercado.
    A propriedade dos recursos (chamados de meios de produção, nesse sistemas) é do Estado (ou seja, os recursos são de propriedade pública). Os meios de produção incluem máquinas, edifícios, residências, terra, entidades financeiras, matérias-primas. Os meios de sobrevivência pertencem aos indivíduos (roupas, carros, televisores etc.). Na economia de mercado, como vimos, prevalece a propriedade privada dos fatores de produção.
    A Agência ou Bureau Central (na antiga URSS, a Gosplan) realiza um inventário dos recursos disponíveis e das necessidades da sociedade, e faz uma seleção das prioridades de produção, isto é, estabelece metas de planejamento (na antigo URSS, os chamados Planos Quinquenais). Esse órgão respeita, em parte, as necessidades do mercado, mas está sujeito às prioridades políticas dos governantes.
    Uma economia centralizada apresenta ainda as seguintes características:

    - papel dos preços no processo produtivo: os preços representam apenas os recursos contábeis que permitem o controle da eficiência das empresas. Ou seja, os preços são apenas escriturados contabilmente: as empresas têm quotas físicas de matérias-primas, por exemplo, mas não fazem nenhum desembolso monetário, apenas registram o valor da aquisição como custos de produção.

    - papel dos preços na distribuição do produto: os preços dos bens de consumo são determinados pelo governo. Normalmente, o governo subsidia fortemente os bens essenciais e taxa os bens considerados supérfluos;

    - repartição do lucro: uma parte do lucro vai para o governo. Outra parte é usada para investimentos na empresa, dentro das metas estabelecidas pelo governo. A terceira parte é dividida entre os administradores (os burocratas) e os trabalhadores, como prêmio pela eficiência. Se o governo considera que determinada indústria é vital para o país, esse setor será subsidiado, mesmo que apresente ineficiência na produção ou prejuízos."

    FONTE: Marco Antonio Sandoval de Vasconselhos; ECONOMIA - Micro e Macro. Quarta Edição. Editora Atlas.
    I - INTRODUÇÃO À ECONOMIA, pp. 8.

    Introdução do primeiro e mais básico livro de economia.

    ResponderExcluir
  3. Parabéns pela dissertação leve e de boa leitura, é difícil encontrar textos acadêmicos claros e sem os vícios "deseducativos" mais comuns na escola básica que temos.

    Gostaria de dar uma sugestão, considerando seu estilo de escrita, seria bem interessante desmistificar o que as pessoas conhecem, ou mesmo desconhecem, a respeito da primeira guerra mundial (gosto mais do estudo dela, pela complexidade que parece haver entre os professores na hora de determinarem porque ela começou de facto ou como se desenrolaram alguns de seus episódios, apesar de ser, é claro, um tópico pouco estudado nas cátedras escolares).

    Continue com seu trabalho aqui, é muito bom.

    Abraço

    ResponderExcluir

1. Seja polido;

2. Preze pela ortografia e gramática da sua língua-mãe.