sexta-feira, 19 de julho de 2013

O patriotismo é o último refúgio do canalha: Eike Batista


"Patriotism is the last refuge of the scoundrel."
Samuel Johnson


Li o artigo de Eike Batista em O Globo onde ele apresenta a própria versão para o naufrágio da OGX e o desempenho ruim de suas outras empresas. Antes de qualquer comentário gostaria de listar as seguinte passagens do artigo:

Título: "O Brasil como prioridade: ontem, hoje e sempre"

No segundo parágrafo: "Acabei por me tornar proprietário de minas em diversos países e decidi estabelecer-me em definitivo no Brasil e me desfazer das participações que detinha na área de mineração."

No décimo parágrafo: "Sou um otimista incorrigível em relação a meu país, a meus negócios e às pessoas que me cercam."

No décimo segundo parágrafo: "Estes últimos investimentos que efetuei tiveram como importante motivação contribuir para um Brasil mais competitivo, estruturado logisticamente e capaz de proporcionar um futuro melhor para o conjunto de sua população."

No décimo quarto parágrafo: "São empreendimentos para o Brasil, para o futuro do país. Meu sentimento é de que, em pouco tempo, as pessoas vão olhar para trás e pensar que pude oferecer minha contribuição ao desenvolvimento do sistema logístico brasileiro."

No décimo quinto parágrafo: "Tomei a decisão de reestruturar o controle das companhias. Faço isso com a certeza de que tenho um legado a deixar ao país, e não abrirei mão de colaborar na condição de acionista relevante em cada companhia. Honrarei todos os meus compromissos. Não deixarei de pagar um único centavo de cada dívida que contraí. Acredito no meu país e nunca desistirei de investir recursos próprios em ativos que contribuem para toda a sociedade."

No décimo sexto parágrafo: "Eu me enxergo e continuarei a me enxergar como um parceiro do Brasil. Acho que cumpri esse papel ao conceber e entregar projetos que terão uma importância crucial nas próximas décadas."

No décimo sétimo parágrafo: "Com minha estrutura de capital equacionada, continuarei a empreender e tenho convicção de que ainda vou gerar riqueza novamente e deixar um país melhor com estes ativos que criei do zero."

No décimo oitavo parágrafo: "O orgulho de erguer do nada tantas empresas em tempo tão curto me colocou no centro do palco e eu me vi como o porta-voz de um novo empreendedor, que não tem vergonha de expor suas conquistas e mostrar que é possível gerar riqueza e ao mesmo tempo contribuir com o desenvolvimento do país. Tenho consciência de que fui um símbolo para as pessoas, a representação de um Brasil que prospera, que dá certo e está preparado para desempenhar um papel de preponderância global."

Pois é. Tinha pensado em falar dos bilhões de reais dos contribuintes que Eike Batista aplicou em busca de suas quimeras. Também tinha pensado em perguntar dos acionistas crédulos que perderam seus patrimônios por conta dos enganos de Eike Batista, dentre os quais destaca-se o BNDES. Cheguei até a considerar fazer o comentário no sentido de apontar que jogar a culpa nos outros não é maneira que um homem que mais parece saído de um livro de auto-ajuda devia se comportar quando as coisas dão errado. Mas lendo e relendo o texto percebi que tudo que podia ser dito a respeito já tinha sido resumido por Samuel Johnson em apenas uma frase. 

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