quarta-feira, 24 de julho de 2013

Paulo Ghiraldelli: querer punir pedófilo é coisa da "direita fascista"

Por André,

Muitos dos que têm o desprazer de acompanhar os sites e blogs do (sic) "filósofo" da cidade de São Paulo (risos) Paulo Ghiraldelli; dizem que este senhor, apto a mostrar a própria bunda em vídeos públicos, expor a esposa mais jovem e bonita que ele publicamente, fazer postagens seguidas e sem nexo em grupos no Facebook etc. etc, já é conivente com a pedofilia abertamente desde um bom tempo, porém, o texto a seguir é emblemático, "Amor e sexo entre pequenos e grandes":

 A nossa história está repleta de exemplos de uniões com êxito – legitimadas por épocas, locais e culturas correspondentes – entre pessoas de idades diferentes. A nossa história registra casos em que relações sexuais, até mesmo com certa violência, não deixaram marcas físicas e psicológicas em nenhuma das pessoas que estiveram envolvidas com isso na infância (lembrem de suas infâncias, leitores). A nossa história tem nos ensinado, também, que não são poucas as crianças que fantasiam experiências com adultos e que, uma vez perguntadas se foram “abusadas” sexualmente, dizem sim – com orgulho, de acordo com a expectativa dos que perguntam.

Esses três itens, se bem observados, já seriam o suficiente para que a “caça às bruxas” que nossa sociedade ocidental tem desenvolvido recentemente contra o que classifica de “pedofilia” fosse repensado. Todavia, parece que as pessoas que descobriram esse filão – a denúncia da pedofilia – já não estão mais interessadas em desenvolver esse tipo de reflexão que eu levo adiante, pois elas temem perder o emprego. Sim, infelizmente, a denúncia da pedofilia virou menos um dever de cidadão e mais um emprego. E eis que nossa sociedade começa a se aproveitar de um rousseuísmo perverso, disseminado entre nós, para condenar toda e qualquer prática de relacionamento que não se enquadre nos padrões que elas acham o correto. O resultado parece ser algo pouco saudável. O resultado nos coloca na busca de uma comunidade asséptica, que ao fim e ao cabo deverá punir todos os que não fazem sexo no estilo “papai e mamãe”, isto é, de pijama, só depois da novela e, enfim, rigorosamente com parceiros heterossexuais e de mesma idade.

Isso não é só hipocrisia. Isso não é só cegueira ideológica e, quem sabe, religiosa. Isso é nazismo. Tudo que destoa de um padrão que não é de fato padrão, pois ninguém segue, mas que é adotado como padrão por funcionários públicos e pessoas mal amadas, é transformado em crime. Começamos o retorno a um clima de Inquisição: todos são pecadores, todos são pedófilos, pois em algum momento entraram em um site – e tiveram tal atividade registrada no seu PC – que continha algum tipo de foto considerada por esses especialistas como “fora da lei”. Aos poucos, pais que tomam banhos com filhos começam a ser vistos como pervertidos. O terrorismo em uma sociedade pode ser feito de diversas maneiras.

Tudo isso é incentivado pela “denúncia anônima”, qu é um perigo – todos sabemos. Cada um pode pegar seu telefone e denunciar o comunista de hoje em dia, ou seja, o “pedófilo”. Junto com o pai que não paga pensão, com o ladrão de galinha e com aquele que realmente nunca fez nada de errado mas tem inimigos, o pedófilo é agora o “top de linha”. Já ganha, de longe, para o suposto marido que agride a esposa. É o inimigo número 1 da nação. Pobre nação.

Aos poucos, na busca de conseguirmos uma sociedade melhor, em que pessoas que possam ser violentas sejam coibidas, damos passos largos para a criação de uma sociedade que ampliará a criminalização a um ponto de enfrentarmos os mesmos problemas que a sociedade americana enfrenta. Qual? Hoje, os Estados Unidos possuem um número de presos que é proporcionalmente o dobro do de outros países campeões nessa modalidade. Visivelmente isso não é Justiça; é isso que os americanos discutem atualmente. Eles se perguntam: em que momento de nossa história demos o passo errado e criamos um monstrengo que faz com que todo e qualquer cidadão possa ter uma ficha policial com alguma infração? E pior: em que momento entulhamos nosso aparato judiciário de modo que os crimes que realmente prejudicam a sociedade como um todo foram deixados de lado?

Estou longe de querer deixar crimes impunes. E mais longe ainda de fazer a defesa de algo como a pedofilia. Mas não concordo com a forma como a nossa sociedade está julgando várias pessoas, sem levar em conta nossa tradição cultural, sem considerar o que de fato consideramos correto no Ocidente, e o que é e o que não é “abuso sexual” com crianças e jovens.

Nisso tudo há uma falta completa de reflexão filosófica. E as pessoas que estão envolvidas em órgãos que buscam coibir a pedofilia, nem sempre se mostram preparadas para entender situações que só com mais esclarecimento intelectual e mais vivência poderíamos entender. Uma coisa que essas avaliações não levam em conta é que crescer e se tornar adulto não é uma tarefa fácil. Nem todos conseguem. Talvez, até, possamos dizer: poucos conseguem. Parece natural nascer e crescer e ficar adulto. Mas não é natural. É um processo social e histórico.

Caso os que estão envolvidos em estudos sobre pedofilia, abuso sexual, relacionamento familiar, violência doméstica etc. quiserem começar a pensar seriamente, podem inciar pelo filme “Little Children” (“Pecados íntimos”, no Brasil). Ele esteve em nossos cinemas, e agora já está disponível nas locadoras. Não prestem atenção somente no pedófilo do filme. Prestem atenção em todos os personagens. Cada um deles, em um determinado momento, ainda está preso em sua própria infância ou em uma situação em que a infância ainda não se tornou coisa do passado em sua vida. Apesar de todos serem oficialmente adultos e de todos tentarem cumprir, como nós, suas obrigações sociais, todos os personagens são um pouco ... infantis. Cada um de nós, de algum modo, é um daqueles personagens. Cada um de nós não cresceu tudo que queria ou tudo que deveria. Somos “pequenas crianças”. E as crianças, muitas vezes, sabem disso. No limite, às vezes é mais fácil uma criança levar na brincadeira – e não ficar traumatizada – um jogo sexual proposto por um adulto do vermos tal jogo ser aceito entre dois adultos que estão marcados por outros traumas. Os olhos dos adultos é que ficam marcados, e não por terem sido atacados, quando crianças, por supostos pedófilos.

Isso precisa ser levado em conta para analisar cada caso, e ver a diferença entre alguém que precisa de um tratamento por ser pedófilo e alguém que está propondo práticas – que no limite não serão malévolas – que são as possíveis de serem propostas segundo uma série de fatores culturais.

É claro que quando se fala de sexo, há pessoas que ficam de cabelo em pé. As mesmas pessoas que não se chocam com a morte bárbara de uma mulher esfaqueada ficam horrorizadas se uma outra mulher morreu em um estupro. A faca na garganta não tem importância. Mas um apertão no pescoço em uma luta de abuso sexual, esta sim, é crime bárbaro e um pecado. Um bandido que dá um tiro na cabeça de uma criança deve ir para a cadeira elétrica ou pegar prisão perpétua, dizem muitos. Mas dizem, às vezes, sem ódio. Agora, um bandido que estupra uma menina de 10 anos, nem pode ter sua identidade revelada, as pessoas não querem esperar qualquer julgamento, querem linchá-lo e, principalmente, terem o prazer de cortar o pênis do homem.

Esse segundo tipo de desejo, o de castrar pessoas, deve ser observado e estudado. As pessoas que desejam castrar o estuprador ou o que chamam de pedófilo, não raro, são tão ou mais perigosas que o pedófilo. Ele, pedófilo, se de fato é alguém que quer abusar de crianças à força, ataca individualmente. Os que querem castrá-lo são pessoas com sentimentos tendentes à direita, e podem atacar coletivamente. Podem incentivar o fascismo.

Enquanto não entendermos que é difícil ficar adulto, e que isso deve ser estudado, não iremos nos transformar em uma sociedade civilizada. Temos de compreender melhor o que o somos, para podermos saber quem de nós precisa ou não de ajuda, quem não está conseguindo crescer, ficar adulto, e quem pensa que está fazendo isso melhor do que outros. Não vamos chegar a bom termo criminalizando várias práticas sociais que até bem pouco tempo, havíamos elogiado. O amor entre pessoas de idades diferentes foi e, em alguns lugares ainda é, é uma prática incentivada no Brasil. E visivelmente desejada. Muitas de nossas avós casaram com homens bem mais velhos, quando ainda eram meninas. Não foram infelizes. Muitas meninas atraem propositalmente homens mais velhos, e isso não é o fim do mundo. Muitos relacionamentos homossexuais se dão de modo melhor quando há grande diferença de idade, e isso não traumatiza ninguém. Regras rígidas e sem uma base de estudo podem nos conduzir a criar um Brasil como prisão coletiva ou simplesmente uma sociedade infeliz.

Além de defendar a pedofilia, Ghiraldelli advoga em favor dos seus pares pedófilos, equiparando quem os "persegue" a nazistas e no melhor espírito da capacidade máxima de argumentação da esquerda, dizendo que, no fim das contas, "é tudo culpa da direita".

Em status no Facebook, Ghiraldelli disse que nos primórdios dos tempos, a regra era sexo anal, entre homens e mulheres, o sexo vaginal é posterior e corrompido!

A academia filosófica brasileira é uma fábrica de monstrinhos... Assustador.

Para os que perderam, em entrevero com Olavo de Carvalho, Paulo fora metaforicamente (para tristeza dele próprio) enrabado pelo primeiro, ouçam (e desafio, você nunca vai ter aprendido tanto, ter ouvido tantos nomes importantes, ainda que desconhecidos, em tão pouco tempo):


3 comentários:

  1. André, não vi nenhuma defesa da pedofilia. A única coisa que o autor faz é filosofar a respeito dos limites das acusações em torno de uma palavra que pode causar injustiças. Os argumentos dele me fizeram lembrar de um fato recente em que pai e filho foram espancados por estarem abraçados e serem confundidos com homossexuais. O autor está discutindo os limites dos relacionamentos e os limites de uma acusação injusta. O parágrafo 5 dá uma dica sobre o sentido que o autor deu ao texto, em que a sociedade americana se pergunta: "em que momento de nossa história demos o passo errado e criamos um monstrengo que faz com que todo e qualquer cidadão possa ter uma ficha policial com alguma infração? E pior: em que momento entulhamos nosso aparato judiciário de modo que os crimes que realmente prejudicam a sociedade como um todo foram deixados de lado?".
    As pessoas não conseguem ler com cuidado um texto e não pegam o sentido da argumentação; uma questão de falta de interpretação de texto. Penso que foi o seu caso, André.

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    1. Caro Adriano. Estou perfeitamente ciente dessa problemática. Inclusive, houve uma época em que nos EUA diversos pais foram acusados de abusos pelos filhos, o que tempos depois mostrou-se um grande engano (Michael Shermert aborda o fenômeno em seu 'Por que as pessoas acreditam em coisas estranhas').

      A defesa de Ghiraldelli da pedofilia está implícita no texto, ofuscada por uma discussão pertinente - qual o limite para caracterizar a pedofilia? Desde quando é e desde quando não é? Quem vai determinar? etc etc - porém irrelevante quando colocamos a discussão em seu ponto central: é preciso um critério objetivo e claro que defina a pedofilia, e isso não é uma desejo da "direita fascista", mas uma demanda da própria realidade - jurídica e moral. Tentar diluir isso, travando picuinhas com adversários do espectro político ou relativizando o conceito só prejudica o debate que é sério e importantíssimo - se há muito engano e desencontro, existem dezenas de casos reais de pedofilia, que pode(ria)m perfeitamente ser relativizados pelo texto de Ghiraldelli.

      Você deve saber que existe um lobby fortíssimo para a gradativa relativização e descriminalização da pedofilia, os mesmos autores e críticos da redução da maioridade penal advogam a liberdade sexual para crianças de 12 anos.

      Você vai deixar essa importante questão ser debatida nos termos dessas pessoas? As mesmas que sugerem que seus adversários políticos sejam "currados"? Quando o conceito for relativizado ao extremo, a palavra de quem vai valer? Do pedófilo, da criança de 12 anos?

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    2. O Alexandre Borges fez um levantamento interessante sobre a estratégia dos interessados na relativização da ideia de pedofilia:

      https://www.facebook.com/AlexandreBorrges/posts/622324367825378:0

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