terça-feira, 20 de agosto de 2013

Dizer que a crise denota um desvio do capitalismo real é fazer o mesmo que comunistas que alegam não ter havido "comunismo real" na URSS?

Por André,

Slavoj Zizek tende a indicar que sim, em Primeiro Como Tragédia, Depois Como Farsa:
"Consequentemente, para usar termos marxistas antiquados, a tarefa central da ideologia dominante na crise atual é impor uma narrativa que atribua a culpa do desastre não ao sistema capitalista global como tal, mas a desvios secundários e contingentes (regulamentação jurídica excessivamente permissiva, corrupção das grandes instituições financeiras etc.). Do mesmo modo como, na época do socialismo real, os ideólogos pró-socialistas tentaram salvar a ideia do socialismo afirmando que o fracasso das 'democracias populares' vinha do fracasso de uma versão não autêntica de socialismo e não da ideia como tal, de modo que os regimes socialistas precisavam de reformas radicais e não de ruína e abolição. Não sem ironia, observamos que os ideólogos que zombaram dessa defesa crítica do socialismo, chamando-a de ilusória, e insistiram na necessidade de lançar a culpa na própria ideia, agora recorrem amplamente à mesma linha de defesa: afinal, não é o capitalismo como tal que está falido, apenas a sua prática é que foi distorcida..."
 Bem, esse problema pode ser replicado de diversas maneiras: primeiro, com a clareza de como pode se demonstrar como o excesso de intervenção na economia levou o mundo à crise de 2008. Comecemos pelo documentário "Fraude: explicando a grande recessão":


Depois, bem, quais teóricos de peso do comunismo previram o colapso do comunismo em todos os lugares onde foi aplicado? Pois austríacos previram ambas as grandes recessões, tanto a de 29 como a de 2008:



Se a crise realmente é do capitalismo, como países que não estão ou não foram atingidos pela crise, são capitalistas? Como que a crescente China, dirige sua economia de maneira capitalista (ainda que à sua maneira)?

Como lidar com o fato de que onde a liberdade econômica cresce, os bens sociais crescem também, e o caminho inverso é verdadeiro?

Ainda a resposta de Yaron Brook sobre a relação entre a crise de 2008 e o capitalismo:


As respostas são muitas. A honestidade de Zizek ao pelo menos admitir que se o capitalismo "falhou", não livra a cara do comunismo: o capitalismo poderia ser o pior de todos os sistemas, caso fosse o único (no mesmo livro), como também admite em debate com David Horowitz (!!) "mediado" por Julian Assange (!!!):



A menos que se consiga a dura tarefa de provar que a gastança promovida por George Bush em seu último mandato (uma verdade dolorida deve ser admitida, sem o último mandato de Bush, não haveria Barack Obama algum) pode ser coadunada à prática de uma capitalismo real, carece de evidências a ideia de que a crise de 2008 foi do capitalismo (para não mencionar Hong Kong, Chile, Singapura, Nova Zelândia & Suécia, o que dizer da Holanda? O país abriga o capitalismo desde muito, sua transição para o próprio foi natural, por que o capitalismo não está a colapsar por lá?).

Nenhum comentário:

Postar um comentário

1. Seja polido;

2. Preze pela ortografia e gramática da sua língua-mãe.