sábado, 3 de agosto de 2013

Gastos públicos com os estádios da Copa já passam de R$ 8,5 bilhões

Por LanceNet,

O alto custo da construção dos 12 estádios a serem utilizados na Copa do Mundo de 2014 é um dos principais alvos de reclamação dos protestos que tomam conta do Brasil nos últimos dias. Também pudera: mais de R$ 8,5 bilhões deverão ser gastos apenas nas obras das arenas. E todo esse dinheiro vem através do investimento público.

A previsão inicial do gastos com o erguimento/reforma de todos os 12 estádios juntos era de aproximadamente R$ 5,1 bilhões. Só que, no momento, já que há seis ainda a serem concluídos, o valor já saltou para cerca de R$ 7,3 bilhões - um aumento de 43%. Além disso, há de se levar em conta os outros milhões que precisarão ser pagos em prestações aos consórcios, pela utilização de alguns dos palcos, como a Fonte Nova. Esse montante também entra na conta ao final.

A maior parte do investimento público ocorre através do financiamento do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES), acima dos R$ 3,6 bilhões.  Além disso são mais de R$ 3,3 bilhões de outros bancos, como a Caixa Econômica Federal, e as prestações citadas acima. Os governos estaduais entram com pouco mais de R$ 1,1 bilhão e as prefeituras com R$ 466 milhões. A contribuição do setor privado para as construções foi bem menor: em torno de R$ 329,4 milhões. Algo distante da Copa "100% privada" criada pelo ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira.

De acordo com as últimas informações do Ministério do Esporte, os gastos com a Copa do Mundo (inclunido aí estádios, mobilidade urbana, aeroportos etc) passaram de cerca de R$ 28 milhões. Para comparação: conforme publicado em abril no Diário Oficial, o Orçamento da União para 2013 prevê o destino de R$ 99,8 bilhões para o Ministério da Saúde e outros R$ 81,1 bilhões para a Educação.

Transparência vira confusão

Uma das principais promessas do governo federal quando se confirmou o Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014 foi de que os gastos públicos teriam total transparência e de que a população poderia, inclusive, acompanhar os relatórios em tempo real. No entanto, as atualizações não têm sido frequentes e as fontes são confusas e muitas vezes contraditórias. É o que ressalta o fundador e secretário geral da ONG Contas Abertas, Gil Castelo Branco.

– Existe uma enorme quantidade de portais dos estados e da União, mas muitas vezes estão com informações conflitantes e contraditórias. A maioria deles está desatualizada – explicou.

Mané Garrincha no top 5 mais caros

O Mané Garrincha, em Brasília, é o estádio mais caro entre os construídos para a Copa-2014 e um dos mais caros na história das Copas do Mundo. Um estudo da ONG Play the Game mede o custo dos empreendimentos em preço por assento. A arena brasileira, com valor final estimado em R$ 1,2 bilhão, custaria, portanto, aproximadamente R$ 16,8 mil/assento.

O Sapporo Dome, no Japão, lidera o ranking, com custo de R$ 21,8 mil/assento. O Cape Town Stadium, na África do Sul, é o segundo, com R$ 21,2  mil/assento. O terceiro é o Nissan Stadium, também no Japão, com R$ 18,7 mil/assento, seguido pelo Mané Garrincha.

Os dois estádios japoneses são lucrativos, e, além de jogos de futebol, chegam a receber mais de 70 partidas de beisebol em uma só temporada. Já a arena sul-africana é problemática: média de 4 mil pessoas, em um estádio com capacidade para 55 mil, e prejuízos anuais acima de R$ 10 milhões. Com média de público inferior a mil pagantes no Estadual, o Mané Garrincha requer alternativas para não ter destino igual. Como, por exemplo, receber jogos de times de outros estados.

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