terça-feira, 10 de setembro de 2013

A imagem que o brasileiro tem do americano é um reflexo de si próprio

Por André,

Hackers brasileiros não sabem distinguir entre "NASA" e "NSA"

O sentimento do brasileiro diante do americano é dúbio: vai da apologia babona, vira-lata e vazia ao ódio ressentido e invejoso.

Contudo, ao empreender um estudo sério da sociedade americana, fica evidente que as características negativas elencadas pelos antiamericanos tupiniquins são mais reflexos de si próprios do que características intrínsecas e definidores da sociedade americana.

Americanos são burros e não sabem geografia. É mesmo?

Quando um brasileiro fala que americanos não sabem nada do Brasil, penso: diga o nome de qualquer uruguaio da História, sem valer presidentes (na verdade, eliminem só o Mujica, valendo os demais) ou jogadores de futebol? Quer mais? Fale o nome de cinco chineses de qualquer época? E o nome de um indiano vivo ou de qualquer indiano sem ser o Gandhi? Quantos centros de estudos norte-americanos existem no Brasil? E quantos centros de estudos brasileiros existem nos EUA?

Quantas universidades de ponta existem no Brasil e quantas nos EUA?

Quantas revistas com fins culturais circulam pela América e quantas pelo Brasil?

Qual o número de estudantes que vão para a América estudar e qual o número que vem ao Brasil?

Qual a posição do Brasil na lista de artigos científicos relevantes e qual a dos EUA?

Americano realmente não sabe geografia? E brasileiro sabe desde quando? Para 2% dos brasileiros, o Brasil fica dentro da Argentina

No Brasil as pessoas dão muita importância à formação profissional especializada e acham que podem absorvê-la sem antes ter um domínio suficiente da linguagem. Isso cria monstros. Se vocês soubessem a importância que nos EUA -- nominalmente o país da técnica -- as escolas secundárias dão às habilidades literárias e oratórias (muito mais do que a matemática e ciências), entenderiam que o Brasil não imita os americanos, mas uma caricatura deles que ele próprio inventou.

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Ingenuamente supondo que os EUA nada mais é que uma paródia do Brasil, tanto o brasileiro comum quanto a nossa própria imprensa pensa que a verdade última das coisas, para si e para o americano, é relatada no editorial de domingo do The New York Times, quando na verdade este representa a trigésima parte da audiência do programa de rádio do host conservador Rush Limbaugh, para citar um único exemplo.

Toda discussão séria na América, desde as mais acadêmicas até as eleições presidenciais são VASTAMENTE discutidas em livros, não ficando limitada a papagaios políticos ou à imprensa militante.

Não há nos EUA uma só idéia ou proposta política que, antes de chegar aos meios de comunicação de massas, não tenha se formalizado em livro, demarcando as fronteiras do debate que, nessas condições, é sempre pertinente e claro. Também não há um só desses livros que, em prazo breve, não seja respondido por outros livros, condensando e ao mesmo tempo aprofundando a discussão em vez de limitá-la às reações superficiais do primeiro momento.

É praxe que cada candidato americano tenha, no mínimo, um livro publicado e este seja exaustivamente debatido e resenhado.

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A própria origem do país, que se orgulha de possuir "Pais Fundadores" (Founding Fathers) que eram intelectuais de um gabarito sem par atual, ao passo que nós éramos, no máximo, destino para "brasileiros" (o sufixo "eiro" é indicativo de profissão de importância diminuta: jornaleiro, garimpeiro etc. Banqueiro é a exceção) - portugueses que vinham para cá sem expectativas muito nobres.

Se já não tínhamos um objetivo cultural forte no surgimento, hoje temos menos ainda e nossa literatura atesta isso sem margem para dúvidas: abundam personagens simplórios, de caráter duvidoso, picaretas, pilantra, enganadores, gente cuja reflexão maior de vida é se fora ou não traída. Um festival de frivolidades e horrores.

É hora de repensar. Não apenas porque o antiamericanismo raivoso está errado, mas porque nosso telhado é de vidro.

Os "pais fundadores" dos EUA. Todos intelectuais brilhantes

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