segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Comentário ao texto do Pondé de hoje

Por André,

Em sua coluna de hoje, sem dúvida, uma das melhores de todos os tempos (sem falar dos jantares inteligentes nem do politicamente correto), Pondé alfinetou a academia brasileira, constatando o óbvio: ela é de uma nulidade intelectual sem precedente histórico ou contemporâneo:
"Mas a vida intelectual pública está morta no Brasil, vítima da mania de ver em toda parte "um processo histórico" em curso, da avenida Paulista às ruas de Damasco, o mesmo ridículo "frisson" com "um processo político" em curso, visando a "autonomia popular". Puro fetiche". 
Uma objeção infantil tem de ser rebatida (embora o próprio Pondé o faça em seu texto): não estaria o próprio Pondé (bem como qualquer outro membro da academia brasileira) dando um tiro no pé ao dizer que a vida intelectual está morta? Não é o próprio Pondé um representante dessa vida intelectual nacional?

A réplica é curiosa: no Brasil há a fetichização do diploma, em áreas que, muitas vezes, um diploma não significa absolutamente NADA. Aristóteles e Platão não tinham diploma. Claro que isso nem existia à época, mas se existisse, quem os diplomaria?

Mario Ferreira dos Santos, Vicente Ferreira da Silva, Vilém Flusser e muitos outros também não tinham diploma. E agora?

Todo esse papinho tupiniquim me remete a uma fala de Isaac Asimov: cético quanto à possibilidade de mensurar a inteligência humana e, por consequência, do que chamamos de QI, o mesmo disse a uma sociedade de super-inteligentes: "ora bolas, duvido desse negócio de QI e vocês deveriam levar minha opinião em conta, vocês acabaram de dizer que sou super-inteligente".

Se a constatação da pobreza da academia brasileira vem de um diplomado, reclamam. Se vem de um não-diplomado, reclamam também (quando não desdenham e ridicularizam).

Outro fato ESSENCIAL precisa ser discriminado: não haver uma vida intelectual pública séria no Brasil (expressão mais geral), não quer dizer que não existam viventes intelectuais sérios. O ponto é que estes formam tão poucos e muitas vezes acabam marginalizados (por tirar o véu protetor da pseudo-academia que aí está), que não há - sequer a possibilidade - se uma vida intelectual saudável.

Um comentário:


  1. G. K. Chesterton é mais um presente na lista dos “não-diplomados”, ele não completou sua graduação de artes e, ainda assim, escreveu mais de quatro mil artigos para jornais, 80 livros e participou de inúmeros debates. E mais, sem diploma, ele palestrou sobre literatura, filosofia, política e artes nas principais universidades britânicas e europeias; Princeton, Cambridge e outras pela Europa.

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