terça-feira, 17 de setembro de 2013

De onde vieram as armas químicas da Síria? Do Iraque!

Por Alexandre Borges,


Georges Sada (foto) é um general iraquiano com ascendência síria que apoiou os EUA na invasão em 2003 e colaborou com as tropas americanas na época, depois participando do governo interino de Ayad Allawi.

Em 2006, Sada lançou o livro "Segredos de Saddam", em que relatava que as armas químicas iraquianas, as tais "weapons of mass destruction" (WMD), foram enviadas em 56 vôos feitos por boeings comerciais, convertidos para o transporte de carga, para a Síria, assim que Saddam percebeu que a invasão era questão de tempo. Sada disse que tinha inclusive os nomes dos dois pilotos que fizeram os vôos.

A operação teria sido coordenada por Ali Hassam al-Majid, ex-ministro da defesa, conhecido como "Ali Químico", o primo de primeiro grau de Saddam Hussein que, entre outras atrocidades, executou o ataque com armas químicas em 1988 que matou 180 mil curdos no Iraque.

Sada defendia no livro que o mundo exigisse que a Síria devolvesse as armas para serem destruídas.

Neste mesmo ano de 2006, o Partido Democrata venceu as eleições legislativas e minou todas as investigações que levassem à localização das armas, já que o ultrajante "Bush lied, people died" tinha virado o principal slogan eleitoral da esquerda americana e minar o governo Bush era muito mais importante para o partido e para a imprensa do que tirar as armas das mãos do governo Assad.

Agora que armas químicas aparecem na Síria, começa a ficar clara a responsabilidade da dinâmica da política interna americana no desfecho da crise, assim como aconteceu na Guerra do Vietnã, uma guerra na prática vencida em 1973 mas perdida em 1974, ano de eleições legislativas, que aconteceram na esteira do escândalo de Watergate e da renúncia de Richard Nixon. Os democratas tiveram uma vitória avassaladora nessa eleição, o apoio financeiro e militar ao Vietnã do Sul foi retirado e o resto é história.

É pouco provável que os radicais políticos e a imprensa reconheçam, mesmo que anos depois, que as armas de Saddam existiam e que se medidas tivessem sido tomadas na época certa contra o governo sírio as mortes dos últimos meses, inclusive as de 21 de agosto, poderiam ter sido evitadas.

O mais revoltante é ver que o mesmo partido que fez o que pode para que os EUA não fossem atrás de Assad esses anos todos por muito pouco não começou uma guerra ao lado da Al Qaeda, uma guerra que só não aconteceu porque Putin falou grosso e Obama pediu desculpas, mudou de assunto e agora vai voltar a jogar golfe enquanto aquela região do mundo é oficialmente entregue ao ex-chefão da KGB.

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