quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Duas características que "diluem" o "direitismo" da ditadura militar brasileira

Por André,

- A sanha estatizante dos governos militares. Diversas empresas foram estatizadas durante a ditadura militar brasileira (e chilena, diga-se de passagem). Jair Bolsonaro, representante com voz dessa direita militarista, declarou no programa do Jô, que Fernando Henrique Cardoso deveria ser "enforcado" por suas privatizações (a declaração está em uma das partes da entrevista, não lembro qual; parte 1, parte 2, parte 3). [tudo bem que esse aspecto não é exclusivamente esquerdante, a centralização de poder pode ser oriunda tanto da esquerda quanto da direita, embora seja um fetiche visceral para esquerdistas e condição sine qua non do esquerdismo].

- Isso me remete aos fetiches nacionalistas dos militares, muitas vezes ingênuos (vale lembrar que o slogan "o petróleo é nosso" é deles); o que os levava a, inclusive, adotar posturas antiamericanas (Geisel) típicas de republiquetas socialistas ditatoriais. [característica praticamente exclusivamente esquerdista].

 Tais características afastam nossa ditadura militar do ideário do conservadorismo liberal do qual comungo. O moto intervencionista e estatizante dos planos econômicos dos governos militares contradiz explicitamente o posicionamento liberal-conservador.

Será que o traço mais forte para considerar a ditadura brasileira de direita é seu anticomunismo? Mas toda esquerda é comunista?

Falta estudo histórico do movimento socialista, prévio a Marx e ao comunismo. Não que eu esteja a defender a ideia de que o governo militar, no fundo, fora de esquerda, mas apenas que, a despeito de certo "direitismo", incorreu em práticas e tiques esquerdistas ao longo de sua existência curta e menos sanguinolenta, se comparada aos militarismos de esquerda (Coreia do Norte, Vietnã, Cuba y otros).

Castelo Branco, Costa e Silva e Médici podem ser considerados representantes de "direita" do regime militar. Ao passo que Geisel e Figueiredo podem ser considerados como presidentes de "centro-esquerda".

Geisel, por exemplo, condecorou o ditador romeno Ceausescu com o "grande-colar da ordem nacional do cruzeiro do sul". Nem mesmo o "anticomunismo", única característica efetivamente de direita que pode ser imputada ao militarismo brasileiro parte dos presidentes do regime militar advogavam.

Também vale lembrar que as esquerdas não têm absolutamente NENHUM problema com regimes militares, desde que, é claro, os militares sejam eles próprios. Os regimes militares dos Castro, da Coréia do Norte, do general Stalin e do camarada Chavez (Chavez tinha formação militar) são motivo de orgulho para nossos amigos vermelhos tuíniquins.

Sem dúvida, a discussão a ser feita com um profundo estudo teórico é: mero anticomunismo seria uma característica suficiente para classificar algum pensamento ou doutrina como "de direita"? Ao menos da boca pra fora, até a social-democracia é anticomunista, seriam sociais-democratas "de direita" graças a isso? Dificilmente.


P.S.: por muito tempo eu procurei a referência bibliográfica que afirma que os mortos oficiais pela ditadura brasileira somam o número de 400. O livro é da Editora Boitempo, aquela mantida pelo ilustre Emir Sader e o título da obra é Dos filhos deste solo.

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