quarta-feira, 30 de outubro de 2013

O flerte de Eli Vieira com a filosofia analítica

Por André,

Pérola do Eli: ao pedirem provas das dívidas do Olavo, Eli disse que as daria quando quisesse e que quem as exigisse era "curioso"

Em sua jornada em busca da fama, Eli Vieira decidiu rivalizar, dessa vez, com Olavo de Carvalho. Para Eli, Olavo é um "pseudofilósofo" (junto com Pondé - o cheiro de "não concorda comigo, logo, não é filósofo" é fortíssimo). Segundo ele, Olavo é desconsiderado dentro do "circuito de filósofos analíticos", portanto, pratica pseudofilosofia (mesmo sendo sabido da apreciação da obra do Olavo por parte de filósofos analíticos).

Me aventurei ligeiramente a tratar disso no perfil do próprio Eli, num post (que ele já apagou) que dizia que o Olavo foi para os EUA fugido por não ter pago dívidas em território nacional. Depois de ser surrado, por estranhos ao seu círculo paranoico de amigos e até por membros dele, Eli tornou ao assunto filosofia analítica.

Antes disso, Eli já havia passado vergonha quanto a esta objeção estapafúrdia também. Ao citar o filósofo português Desidério Murcho como exemplo-mor de filósofo, Eli teve que se deparar com um elogio de Desidério ao trabalho sobre os Quatro Discursos feito pelo Olavo, após o Filipe Martins enviar um abstract do trabalho para o filósofo português. E ainda ironizou sobre o uso da palavra "pseudofilósofo" por parte do geneticista mirim.

Almejando objetar a alegação de Eli (a filosofia analítica sendo o último e único critério para demarcação de o que é filosofia e o que não é), fiz o seguinte:

Peguei um levantamento, feito com filósofos acadêmicos, que foram perguntados qual o principal filósofo morto, qual o principal filósofo vivo e outras perguntas. Dos históricos, num cálculo ligeiro, 28 deles não podem ser considerados analíticos. Pela razão mais evidente: quando produziram sua obra, a questão da filosofia analítica sequer existia (portanto, ler toda a história da filosofia sob esse prisma é de um grau de anacronismo elevadíssimo).

Em face disso, Eli alegou que não importa que Sócrates, Aristóteles, Locke e Hume não sejam analíticos (muito embora muitos dos filósofos analíticos vejam sua análise nos diálogos de Platão e outros considerem Hume o precursor da filosofia analítica), pois os analíticos os saúdam por suas contribuições originais à filosofia. Mas a questão para ser um filósofo de verdade é qual, de acordo com Eli, ser analítico ou ter contribuições originais à filosofia? A contribuição original de Nietzsche e Heidegger é tida como filosófica pelos analíticos? (dica: não, não é)

Outras objeções que levantei e passaram ao largo (Eli é extremamente seletivo naquilo que responde ou não): desde quando há consenso entre filósofos, até mesmo analíticos, de que pertencer ou não ao "círculo de analíticos" é condição sine qua non para a ser filósofo? Desde quando há consenso sobre o que é filosofia analítica (Cf. ABBAGNANO, 2007, p. 52-56)? Estamos a tratar dos neopositivistas da escola de Viena ou dos pragmatistas? Qual a posição sobre a metafísica?

Sobretudo, a rixa entre filosofia analítica (ou 'da Ilha') versus filosofia continental já foi exaustivamente debatida e a própria questão já está ultrapassada. Eu mesmo, prefiro a filosofia da Ilha (primazia pela clareza lógica, linguística e conceitual) em detrimento da do continente (estruturalismo, desconstrucionismo, hermenêutica etc), porém, não como critério único e definitivo de demarcação filosófica. Até mesmo porque, se assim fosse, a História da Filosofia teria começado com Wittgenstein, o que claramente é um impropério (impropério este que com o qual alguns analíticos flertaram. Wittgenstein, aliás, era iletrado em História da Filosofia).

Papo vai e papo vem, o nobre Eli apagou o post. Deve ter sido de tanta vergonha que passou.

Quem quiser um panorama simples, rápido e competente sobre a oposição (mas não exclusão) entre filosofias da ilha e do continente, sugiro o livro "O continente e a Ilha: duas vias da filosofia contemporânea" do brasileiro Ivan Domingues. No post do Eli eu fui um pouco impreciso em descrever a relação entre metafísica e filosofia analítica e fui devidamente corrigido por Gregory Gaboardi, que é um sujeito anos-luz filosoficamente mais treinado que o Eli e que duvido que coadune dos chistes do filósofo sub-mirim. No livro de Domingues há dois capítulos sobre metafísica, um sobre a visão da Ilha e outro sobre a visão do Continente.

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