quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Resposta curta sobre 'por que sou de direita'.

Por André,



Me pediram uma resposta simples e objetiva sobre meu posicionamento à direita do espectro político, a resposta foi o que segue:

Então, é difícil responder isso num espaço curto, mas vou tentar, sem ser "poético" (como fui aquele dia que você me pediu pra definir conservadorismo em aula).

Acho importante firmar uma distinção aqui: entre justificação prática e justificação teórica. Eu poderia aqui, logo de cara, dizer que sou de direita simplesmente porque TODOS os experimentos de implante de governos de esquerda deram errado, portanto, a História alimenta meu ceticismo político e me afasta de posicionamentos de esquerda. Mas acho que colocar a justificação prática antes da teórica é um erro, pois eu simplesmente estaria justificando meu "não-esquerdismo" em vez de justificar minha posição à direita do espectro político. Eu adotaria uma postura "negativa" sendo que você me pede motivos para me postar à direita.

Como diz o Roger Scruton "o socialismo não deu errado, o socialismo é errado"; é o que eu disse aqui: a justificação teórica vem antes da prática. O socialismo não se corrompeu e gerou aberrações como URSS, Coréia do Norte, Camboja, o socialismo era e é uma doutrina corrompida.

A razão essencial para eu ser de direita é porque o foco dela é no indivíduo e não no coletivo. Basicamente é isso. Não posso esmagar um indivíduo em nome do "bem da coletividade", do "bem de todos", da "vontade geral", do futuro distante onde tudo será bonito. O lema dos socialistas pra justificar mazelas sempre foi que "para fazer uma omelete é preciso quebrar os ovos", o problema é que a omelete prometida nunca veio e a busca por ela só gerou banhos de sangue. Portanto, opto pela direita pois é aquela que elege o indivíduo como seu centro de gravitação.

Depois, uma característica distintiva e essencial para diferenciar esquerda de direita é o caráter REVOLUCIONÁRIO da primeira e o caráter reformista da segunda. Se por um lado é ingênuo crer que a razão humana pode rearranjar TODA a sociedade (definindo revolução nesse sentido: mudança radical de TUDO) PARA MELHOR a partir da política, ora diabos, aprendemos alguma coisa com a História, caramba! A menos que o revolucionário possa sustentar o ônus fortíssimo de que TUDO que fizemos até agora (democracia liberal, expectativa de vida de 80 anos, viagem à Lua etc. etc. etc.) é ruim a ponto de merecer ser jogado fora pra colocar algo que até hoje nunca veio e que as tentativas só deram errado, penso que a condição revolucionária deve ser descartada como ingênua (no passado) ou desonesta (para os dias atuais). Portanto, devido a direita não ser revolucionária - num sentido estrito, doutrinas revolucionárias (não falo da revolução americana, por exemplo), que propunham ou propõem uma nova ordem total: nazismo, comunismo, islã etc. etc. - eu me alinho a ela.

[Só esclarecendo um ponto que sempre gera imbróglio: a direita conservadora NÃO é contrária às mudanças, isso é uma imprecisão técnica ou uma acusação desonesta. Primeiro porque como alertava Oakeshott, se manter alheio às mudanças é impossível; depois porque não pensamos que "tudo que está aí" deve ser mantido, muito pelo contrário, Nietzsche já alertava que os socialistas são os verdadeiros reacionários (reação a QUALQUER mudança). Apenas achamos que vale mais a pena lutar pela manutenção do que amamos do que pela destruição do que odiamos (daí a clareza da acusação de dizer que a esquerda é ressentida: quer destruir tudo e todos).

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