segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Como deixar um revolucionário embaraçado com uma única pergunta

Por André,


"(...) a primeira condição de uma revolução decidida é que tudo o que pudesse preveni-la não exista, e que nada corra bem para os que desejam impedi-la" De Maistre

Já mostrei que é da natureza do socialismo ser sanguinário (e aqui); não se trata de acidente ou curso desagradável dos fatos: é a coisa posta em prática na sua pura essência. Também é da essência do próprio que seja totalitário: por querer unir poder político a poder econômico, não por resultado do acaso que se formam Leviatãs que passarão por cima de quem for preciso.

Defender publicamente algo assim é extremamente problemático, diante de cupinchas ou no corrompido meio universitário pode passar despercebido ou soar normal, contudo, caso você esteja conversando com um revolucionário, há uma maneira de deixá-lo com as calças nas mãos, caso o público seja neutro (ainda que até mesmo ignorante):
O que você pretende fazer com aqueles que não aderirem à revolução?
A pergunta é simples, objetiva e de fácil resposta. Já tive a oportunidade de encurralar um anarquista e um socialista num debate público com essa pergunta. Force a resposta o quanto necessário (como diz Ben Shapiro, fazer o esquerdista defender sua posição é uma etapa essencial do debate). Nesse momento, você fará o revolucionário ter a árdua tarefa de justificar um morticínio.


Lembrando, a pergunta é para DEIXÁ-LO embaraçado DIANTE DA EVENTUAL PLATEIA, ele próprio não verá maiores problemas em matar alguém (ou "alguens") aqui ou acolá. Internamente, o revolucionário já "resolveu" esse problema com sua psicologia pervertida: ele justifica as mortes atuais com vistas ao futuro perfeito (vide Hobsbawm e os 30 milhões de mortos) - característica essencial da mentalidade revolucionária; ou crê em algo ainda mais ingênuo: que por meio de alguma manobra convencerá a todos de sua causa, não precisando matar ninguém (ainda assim, mesmo que ele convença TODOS os proletários, ele terá de exterminar a burguesia, por exemplo).

A possibilidade de um genocídio, mesmo ao ouvido político destreinado, sempre soará absurda ou no mínimo duvidosa. Com a experiência histórica (pois é, os caras tão propondo o mesmo método para resolver os problemas há cem anos e nós que somos os reacionários...) e o senso moral inerente a qualquer ser humano normal, a probabilidade de rejeição à proposta revolucionária é enorme.

Como afirma Thomas Sowell, provavelmente o maior economista vivo, há três perguntas pelas quais praticamente nenhuma doutrina esquerdistas é capaz de passar:

1ª - Comparam [suas políticas] com o quê?

2ª -  A qual custo? [processo revolucionário fascista e sanguinário. A qual custo? Milhares de vidas].

3ª - Que prova concreta tem [que suas políticas funcionaram/funcionam]? [notem que a argumentação esquerdista quase sempre se volta para o futuro, pois seu passado é tenebroso e justificá-lo requer diversas torções argumentativas. A promessa pela omelete segue; até hoje, apenas ovos quebrados].




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Esse mundo é uma graça, não? Veja com as declarações da Socialista Morena (sim, no comunismo o humor é involuntário) que acabo de me deparar:




Perceba que Cynara fez a afirmação sem maiores problemas, provavelmente porque consciente ou inconscientemente, sabia que entre seus seguidores o desejo de morte dos reacionários não causaria surpresa, horror ou despertaria qualquer sentimento de desaprovação; caso se tratasse de uma discussão pública, Cynara teria de defender sua posição com argumentos, teria de dar conta do problema moral de um genocídio.

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Adendo de 11/01/2014

Só recebi duas réplicas sérias ao texto. A primeira se encontra nos comentários e você pode conferir abaixo. A outra foi que regimes ditos de direita também promoveram mortes de opositores.

É verdade, mas a eliminação sistemática e necessária de opositores políticos só existe por direito em sistemas revolucionários. Por quaisquer características "de direita" que eles possam carregar, só são uma consequência lógica imediata de projetos políticos revolucionários, ou seja, projetos políticos que propõem a mudança radical e imediata de tudo e todas as coisas, da linguagem à natureza humana, como carro-chefe do mundo melhor.

A pergunta não prevê mortes de opositores no decorrer de qualquer processo político ditatorial, mas sim a eliminação sistemática, absoluta e necessária de quaisquer "inimigos do sistema" (eles ganham o nome de "inimigos do povo" ou "da pátria" a depender do contexto).

Adendo de 14/08/2014

A referência aos opositores da revolução e de regimes comunistas/socialistas sempre é feita como "traidores" ("Os traidores permanecem muito ativos; muito poucos dentre eles foram executados"); aqueles que traíram a nobre causa revolucionária, seja lá por razões reacionárias ou não. O texto "Os reacionários devem ser castigados" de Mao Tse-Tung é permeado por esse imaginário e vocabulário e pode ser lido no link abaixo (a despeito do alto registro histórico, a página marxists.org não deixa de registrar o terror perpetrado por seus pares intelectuais):

http://www.marxists.org/portugues/mao/1939/08/01.htm

2 comentários:

  1. Panarquia destrói sua pergunta.

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    1. Não, não, meu caro.

      Tem uma pequena incompreensão aí, mas meu texto dá margem pra ela. Tive de pesquisar do que trata a "panarquia" agora, pelo que entendi, trata-se de "deixem os reacionários pra lá" (não apenas reacionários se opõem a processos revolucionários - a menos que a definição de não-revolucionário seja reacionário), o caminho da liberdade vai se abrir e blablablá.

      Minha réplica óbvia é: isso não é um processo revolucionário! O processo revolucionário, por definição é a) para todos (como uns rejeitam o Estado e outros se mantém no Estado?) e b) mudança radical de TUDO.

      Eu, como reacionário, jamais de oporia à revolução americana, por exemplo. Talvez o termo revolução seja até impróprio para ela. Quando falo de processo revolucionário, sequer me atenho à mera mudança política ou econômica, mas mudança absoluta, inclusive da concepção de ser humano. Nesse aspecto, comunismo e nazismo são bons exemplos.

      Se opta por "deixar para lá" os não-revolucionários não é revolução. Não na definição adotada, pelo menos.

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2. Preze pela ortografia e gramática da sua língua-mãe.