quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Professores universitários negam "aparelhamento" esquerdista das universidades. É mesmo?

Por André,



A esquizofrenia da intelectualidade brasileira não tem limites. Baluartes da 'inteligência' nacional contradizem-se diuturnamente e seguem sendo tratados como gurus e não como os pulhas que realmente são. A análise de dois espécimes mostra como baseiam-se em puro palpitismo impressionado e num experimentalismo rasteiro digno de um cavalo coagido por um cabresto.

Roberto Romano, professor de ética (por Zeus!) da UNICAMP decidiu inverter o interruptor: para o mestre, quem domina a universidade é a direita! Já Adriano Codato, cientista político (sempre que ouço a palavra 'cientista político' no Brasil me lembro da frase "A América tem Eric Voegelin, nós temos... Adriano Codato...) da UFPR, em descompasso com a fala de Romano, vê que a época da superpolitização das universidade "já passou". Antes de analisar alguns pontos específicos das falas dos nossos nobres pensadores, pensemos sobre algumas questões mais genéricas:

- As últimas grandes algazarras universitárias que você ouviu falar: maconheiros da USP, greve de alunos, ocupação da reitoria, impedimento das aulas. Todas essas "manifestações" estavam intimamente ligada a organizações de esquerda; que não encontraram nenhuma oposição "de direita" (o que é MUITO diferente de dizer o óbvio ululante que a maioria do restante de alunos desaprova as ações dos iluminados - como foi no caso dos maconheiros presos, quando cerca de 70% dos universitários aprovavam a presença da PM no campus).

- Quantos DCEs e chapas "de direita" (para fins práticos, de "não-esquerda") existem, das que existem, quantas alternaram-se no poder nas grandes universidades e quantas sequer conseguiram ascender a qualquer comando?

- Qual universidade tem uma militância "não-esquerdista" com tanta relevância quanto as de esquerda? Se existe (eu desconheço), por que ninguém fala dela (sua ação não é ostensiva e fascista quanto às de esquerda)?

O que significa falar da hegemonia esquerdista nas universidades brasileiras?

Muitos, inclusive os professores citados, simplesmente não fazem a MENOR ideia do que o conceito de "hegemonia" significa. Muito menos o de hegemonia cultural. Ao contrário do que pensam aqueles que costumam acusar de "viver na Guerra Fria" qualquer um que ouse falar em comunismo atualmente, não se trata de supremacia numérica ou física. [Dica: não se trata de comunistas de botas, foices e martelos, postados como a guarda inglesa em cada porta de universidade do Brasil].

Sim, é claro que existem professores (uma boa parte, certamente) que rejeitam a doutrinação em sala de aula. É claro que existem estudiosos de pensadores conservadores. A ideia de hegemonia passa longe da noção de maioria (embora nas faculdades de humanas, no frigir dos ovos, certamente a maioria seja "de esquerda"), especialmente maioria NUMÉRICA. E é evidente que há um descompasso da vontade dessa minoria hegemônica com a maioria numérica. Isso também se reflete no próprio contexto nacional: enquanto uma minoria de intelectuais ungidos quer legalização do aborto, descriminalização das drogas, limitação para o porte de armas e ações brandas contra criminosos, a vasta maioria da população civil rejeita essas bandeiras (nem é necessário recorrer ao "Brasil profundo" de que falava Plínio Salgado); para termos ideia, 93% dos paulistanos são a favor da redução da maioridade penal e 95% rejeitam ação dos black blocs.

O fato dessas ideias serem hegemônicas e ostensivamente marteladas nas cabeças de jovens em escolas e universidades e sempre ganharem espaço na mídia impressa e na internet não tem NENHUMA relação com o fato de serem sustentadas por uma MINORIA numérica de intelectuais iluminados. Desconhecer isso é desconhecer o que há de mais elementar na estratégia. Pois bem, nossos professores desconhecem isso e se julgam conhecedores de política.

Dizer que há uma hegemonia de esquerda na universidade nacional tem relação mais com uma "atmosfera" e com um uso exclusivo de "categorias de pensamento" de esquerda, do que com maioria de professores e alunos preocupados com política, do que uma maioria numérica de comunistas, do que a existência de professores ditos de direita (esse argumento me lembra aquele "nossa, até tenho um amigo negro...") ou qualquer coisa do tipo. Ainda que sempre que esse assunto vem a tona eu me lembre da frase de Thomas Sowell "quando um esquerdista vier falar de diversidade para você, pergunte quantos conservadores existem no departamento de sociologia da sua universidade".

Entendendo o fato elementar de que hegemonia cultural é diferente de hegemonia numérica, sanamos a paupérrima objeção dos mestres.

Em verdade, Codato parece estar ciente disso, mas é incapaz de juntar causa e efeito:
"O mesmo vale para o movimento estudantil: partidos de extrema-esquerda ou de esquerda controlam a representação mas refletem pouquíssimo o estudante médio."
 Pois bem, meu filho, hegemonia cultural é isso! As mentes estão direcionadas para outros pontos que não a política, as que pensam sobre o assunto, são de esquerda!

Desafio qualquer um a fazer as duas perguntas a seguir e descobrir se a predominância da atmosfera da universidade é de esquerda ou não:

"Existe alguma coisa mais eficaz que o livre mercado para gerar riqueza?"

Os que responderem sim não apenas são de esquerda como flertam com o comunismo econômico. Além de estarem da idade da pedra econômica, pois a "esquerda liberal" ou "social-democrata" americana e europeia já admitiram isso há tempos. Uma leitura de "O capitalismo é moral?" de Sponville pode atestar isso.

"Para uns ficarem ricos é necessário que outros fiquem pobres?"

Se a reposta for sim, parabéns, você tem um amigo ou conhecido que acredita em coisas equivalentes a crer no criacionismo num departamento de biologia. E a resposta afirmativa a essa pergunta vai denunciar a todos: marxistas, marxistas de viagem e, aí sim talvez uma maioria numérica, não-marxistas marxistas. A noção implícita na resposta afirmativa é a da teoria da exploração do trabalho de Marx, coisa refutada há pelo menos 80 anos, porém, o aparato cognitivo do sujeito só dispõe dessa categoria para explicar o fenômeno. E agora?

E agora, meu filho, você descobriu um exemplozinho, bastante recortado, da hegemonia cultural da esquerda. O sujeito nem se reconhece como de esquerda, marxista, comunista ou coisa que o valha, PORÉM, pensa como um, explica a realidade como um.

Basta ler as respostas de Romano, que acredito que não se declare marxista, para conferir como ele acredita e interpreta toda a realidade brasileira à luz do marxismo.
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Para encerrar, outros dois recortes simbólicos que ajudam a ilustrar a questão:

Quer saber como a hegemonia esquerdista atravanca o ensino no Brasil?

Leia o texto "Quem tem medo da filosofia brasileira?" do professor Ricardo Vélez Rodrigues e veja como a Capes foi e segue sendo um órgão censor e retaliador da pesquisa de matiz ideológica que não lhe interessa e como isso atravancou e atravanca o estudo da filosofia nacional.

Num exemplo dantesco, caricato e pictórico, veja o que alunos esquerdistas (uma clara minoria, porém fascista, ostensiva e barulhenta) fizeram durante uma aula do também esquerdista Paulo Ghiraldelli (que aposto que não se diz marxista, comunista ou sequer esquerdista, mas se gaba de ter escrito sobre os "movimentos sociais", cujos membros agora querem lhe comer o rabo):



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